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DISCOGRAFIA

CD

Umbigobunker!?

2011

  • 01 - Meu Melhor Inimigo


    Enquanto não passar a "tempestade"
    Nesse copo d'água de benzer ateu
    Se o dilúvio vem do conta-gotas
    Perco a conta e o prazer é seu...

    Meu melhor inimigo quer me ajudar
    Quando chega chegando sem avisar
    Esfregando na cara que haverá
    Quem me pague a recompensa
    Meu melhor inimigo, onde quer chegar?
    Na fronteira sem visto pra viajar
    Me avisando que sempre estará
    Exilado na cabeça

    Vai demonstrar "sutileza de manada"
    Ao festejar tanta babaquice

    Enquanto perdurar
    A eternidade dessa espera
    Nosso tempo se perdeu
    Quem pode bancar o prejuízo?
    Peço a conta
    E o prazer é seu...

    Meu melhor inimigo quer me ajudar
    Quando chega chegando sem avisar
    Esfregando na cara que haverá
    Quem me pague a recompensa
    Meu melhor inimigo, onde quer chegar?
    Na fronteira sem visto pra viajar
    Me avisando que sempre estará
    Exilado na cabeça

    Vai divulgar a beleza perfumada
    Ao rastejar pela imundície
    Vai demonstrar "sutileza de manada"
    Ao festejar tanta babaquice

    Enquanto não murchar
    A flor da idade,
    Faz de conta
    Que o prazer é meu

  • 02 - Dia Desses


    Dia desses
    E era você perguntando o meu nome
    Feito quem pergunta as horas
    Com o relógio no pulso

    De repente um medo de ficar só
    Sei que amava essa ideia de estar com alguém
    Embora não amasse além do espelho

    Dia desses
    E era você tatuando o meu nome
    Feito quem devora sobras
    Num presságio avulso

    Me tratando a bolor nesse pão de ló
    À queima roupa, errou seu disparo
    E transformou em alvo o próprio pé

    Bom saber
    Mas qual foi a parte que ficou incompreendida?
    Quer fazer
    Um estardalhaço na janela da minha vida
    Sublime onde o silêncio está

    Num total descompasso
    Com a educação
    Foi querendo o meu braço
    Nem reparou
    No dedo médio dessa mão...

    Bom saber
    Mas qual foi a parte que ficou incompreendida?
    Quer fazer
    Um estardalhaço na janela da minha vida
    Sublime onde o silêncio está

    Dia desses
    E era você maldizendo o meu nome
    Justo quem defende as regras
    Se o juiz for expulso

    Dia desses
    Um "dia-outro", um "dia-ontem" e um "dia-nunca-mais"
    Dia desses

  • 03 - Ah, Mas Bem que Você Gosta (Coprófaga)


    Muito além do amasso
    Era um chute nos bagos, era um soco no baço
    Pelo maior pedaço de meu coração

    Muito além do cansaço
    Era um "tiro nos córneos", era o maior sanhaço
    Era um erro crasso, qualquer condição

    Então passou a odiar
    Até a minha quinta geração
    E perdeu as estribeiras

    Então passou a comentar
    Que eu era o professor do Gramunhão
    Quis me empurrar da ribanceira

    Agora não passo de um bosta
    Ah, mas bem que você gosta
    De deixar a mesa posta
    Pra cair matando, chafurdando
    Lambuzando a cara toda

    Coprófaga
    Coprófaga
    Agora não passo de um bosta...

  • 04 - Personal Saturno, Jupiter Privé


    Quis encontrar
    Algum sinal de vida
    Em Personal Saturno
    Quis respirar
    vestígio de oxigênio
    Em Jupiter Privé

    Fosse qual fosse o nome do planeta hostil
    Que você recriava pra brincar de Deus
    Se era minha essa missão
    "viajar por si só"
    Orbitar em torno de lembranças
    Do quanto sonhei
    Enquanto busquei
    Coisa de outro mundo
    Coisa desse mundo meu

    Queria o céu
    Nem alcançava o chão
    Em Personal Saturno
    E habitei nesse singular planeta hostil
    Gravitando memórias do que foi melhor
    Se era minha essa missão
    "viajar por si só"
    Orbitar em torno de lembranças
    Do quanto sonhei
    E quanto desejei
    Coisa de outro mundo
    Coisa desse mundo meu

    Por lá, tantas luas, nenhum céu, e os "luares das luas" não tinham um mar
    Mas ainda procuravam por seus olhos...

    Não enxerguei
    Na imensidão do breu
    Se o sol era você
    Em Personal Saturno
    Em Jupiter Privé

  • 05 - Umbigobunker!?


    O pretérito, mais que imperfeito,
    Não leva em conta os meus planos pra seguir

    Deita e borda, a torto e a direito
    Meus cumprimentos pra quem não desistir

    Hora dessas encontro um jeito
    De ficar livre de tanto mal
    Se alimenta em cada defeito
    Um tempo inútil contemplando o próprio umbigo
    Funcionando feito um bunker
    Bem no meio desse campo de batalha
    Entre aparentar alguém melhor
    Ou simplesmente ser o que se pode ser
    Simplesmente ser o que se pode ser

    Com as fraturas expostas
    Dispostas a nos expor
    Fraturas expostas
    Dispostas a nos expor

    O "pretérito mais-que-imperfeito"
    Não leva em conta os meus planos pra seguir

  • 06 - Do Nada, Me Jogaram aos Leões


    Do nada, me jogaram aos leões
    Tive que rugir em alto e bom tom
    Feito quem prefere rir daquelas jubas:
    "mas que prazer
    Em rever vocês,
    Meus amigos
    Amestrados!
    Já pensaram em ver
    Esses dentes cariados?"

    O leão mais forte ordenou:
    "nem pense em fugir, vamos por partes
    Começando pela parte que interessa:
    Quando você
    Quer conhecer
    Seus amigos
    Mastigados
    Pra satisfazer
    Nossos dentes afiados?"

    No sinal
    O espetáculo vai começar
    Garantindo sua diversão
    A cobertura dos abutres já no ar!
    Por sinal
    O espetáculo já terminou
    Pra recomeçar noutra versão
    Dura até que o sangue pare de jorrar...

    Mas pra poder convalescer,
    Os amigos derrotados
    Vão esmorecer
    No "sopão dos desdentados"

    No sinal
    O espetáculo vai começar
    Garantindo sua diversão
    A cobertura dos abutres já no ar!
    Por sinal
    O espetáculo já terminou
    Pra recomeçar noutra versão
    Dura até que o sangue pare de jorrar...

    E a plateia faz ideia
    De também ter a sua plateia
    Nessa alcateia de cordeiros

    Um estranho sem tamanho
    Nada ganho, tão tacanho
    O curioso rebanho de lobos

    E a plateia faz ideia
    De não ter a panaceia
    Nessa alcateia de cordeiros

    Um estranho sem tamanho
    Acompanho que arreganho
    O curioso rebanho de lobos

    Rugidos ouvidos
    Por surdos e mudos
    Urrando de fome por beleza

    A versão dos fatos: aversão aos fatos!
    Na riqueza e na pobreza
    Até que a sorte lhes repare...

  • 07 - Se é que Sonhei (Aquele Sonho "Esquizo")


    Sonhei de novo aquele sonho "esquizo"
    Dessa vez, me lembro de vários detalhes...
    Conversei com o próprio Tempo
    Que passava tão depressa,
    Mas sem pressa alguma
    convidou para dar uma volta

    Cheguei ao infinito-exíguo-espaço
    Sem chegar, se o Tempo nunca chega pois já está
    Foi lá então que reparei que ao tentar
    Tocar onde ele estava,
    Me escapava por entre os dedos

    Não quis o Tempo permitir
    Pular a parte em que você ainda não está

    Dei por mim e assim, me vi cercado
    De especulações sobre os "porquês
    mais sem quês" que ninguém entende

    Não fiz o Tempo permitir
    Pular a parte sem você aqui
    Não quis o Tempo desistir
    De seguir seguindo em frente
    Por fim, quase me convenci
    Que só por W.O.
    Deus sabe o que faz
    Até quando é cagada

    Não sei se o sonho
    Ou quem sonha é o "esquizo"
    Nem sei se apenas estão me sonhando…

  • 08 - Fabulosa Santa que Pariu


    Onde absolveu
    Culpados demais,
    A carapuça sempre lhe serviu

    Alimentou o desejo
    De abraçar o "inebriante desamor"

    Se faz questão de ter mais
    Tempo pra confabular, me diz
    Não vi nessa fábula
    O meu papel

    Onde absorveu
    Sorrisos demais,
    O "suco-de-linhaça-e-Rivotril"

    Alimentei o desejo
    De enterrar o "aliciante dissabor"

    Se faz questão de ter mais
    Tempo pra confabular, me diz
    Não vi nessa fábula
    Qual o seu papel

    Se transpareceu
    Perfeita demais,
    Pode ser a santa que pariu...

  • 09 - Presença Hecatombe


    Quando você vem
    Extrapolando a minha escala Richter
    E o tremor também vai
    Soterrando meu discernimento
    Quando mais ninguém
    Procura nas fissuras de um passado
    E a rotina tem
    Que lidar com ferros retorcidos

    Quando você vem
    Desmoronando minhas estruturas
    Pra dançar tão bem
    Nos entulhos das lembranças vagas
    Procurando alguém
    Pelos resquícios do que foi vontade
    Indo mais além
    Nos escombros do que desejamos ser

    Haverá
    Quem queira gastar a saliva
    Pra destruir haverá
    Cismo aguardar outro sismo
    Presença hecatombe

    Quando você vem
    Extrapolando a minha escala Richter
    E o tremor também vai
    Soterrando meu discernimento
    Quando mais ninguém
    Celebra nas ruínas daquele futuro
    E a rotina tem
    Que dizer amém

    Quando você vem
    Desmoronando minhas estruturas
    Pra brindar com quem esquece
    Das lembranças boas
    Procurando alguém
    Pelos resquícios do que foi covarde
    Ficando aquém
    Nos escombros do que evitamos ter

    Haverá
    Quem queira lamber as feridas
    Pra distrair haverá
    Cismo aguardar outro sismo
    Presença hecatombe

  • 10 - Ritual da Chuva Seca


    Quase não se contém
    A ponto de comprometer
    Custa encarar escadarias íngremes
    Das relações
    Fardo que lhe cai bem
    Um alívio por também "sofrer"
    Tenta enxergar a infância
    Nas crianças das recordações
    Até consegue escutar
    Fantasmas gargalhando em seu porão
    Pra garantir seu lugar
    Vai se apoiar
    Em mais de mil desculpas
    Não tem culpa
    Correu por fora
    Comprou um milagre em oferta
    Quem sabe ainda consiga revender...

    Quase não se mantém
    Nos trilhos de um alvorecer
    Vai precisar de estômago, vontade
    E certas restrições
    Tentando abandonar
    Fantasmas mendigando em seu portão
    Reinventou seu lugar
    Pra se apoiar
    Em mais de mil desculpas
    Não tem culpa
    Nem se preocupa
    Comprou um milagre na oferta
    Quem sabe ainda consiga reverter...

    Numa fome de Santa Ceia
    Coliformes da mesma areia
    Dançam índios da mesma aldeia
    Celebrando o ritual da chuva seca

    Numa fome de Santa Ceia
    Insetos presos na mesma teia
    Dançam índios da mesma aldeia
    Celebrando o ritual da chuva seca

  • 11 - E Assim, Saltar


    De que jeito ficará?
    Por onde foi cambalear
    Quem deixou sem muro, grade ou portão
    A nossa solidão
    Que nunca foi de passear
    Desatina numa usina
    Fabricando amor
    E se faz de morta
    Por supor
    Que é só um ensaio

    Sendo assim,
    Me resta então aproveitar
    delícias nesse caos
    Seguir enfim
    Nas curvas dessa espiral
    Os improvisos
    Que interessam mais
    Enquanto eu for capaz
    De me surpreender...

    De que forma ficará?
    Será que vai "amarelar"
    Se perder cantigas-no-colo-da-mãe?
    A quem recorrerá?
    A mais completa solidão
    Amiúde um açude
    Transbordando em dor
    E se faz de doida
    Por favor...
    "maluca de pedra"

    Sendo assim,
    Me resta então aproveitar
    Delícias nesse caos
    Pra poder seguir enfim
    Nas curvas dessa espiral
    Os improvisos
    Que interessam mais
    Enquanto eu for capaz
    De me surpreender
    E assim, saltar
    Sem saber se a rede está por lá
    -Se é que um dia já esteve-
    E se não estiver, invento...

    Sendo assim,
    Me resta então aproveitar
    Delícias nesse caos
    Seguir enfim
    Nas curvas dessa espiral
    Os improvisos
    Que interessam mais
    Enquanto eu for capaz
    De me surpreender

  • 12 - Quase Linda História de Amor


    De onde vens
    Leva o que eu nem sou
    E fui muito mais
    Da boca pra dentro
    Foi por um triz
    Noutra condição,
    "Muito prazer, sejamos felizes!"

    Se a obra do acaso acabou
    Na quase linda história de amor
    Vou guardar lembranças do que não viveremos
    Tão bom enquanto não durou
    Tanta perfeição

    Por onde vais
    Traz o que eu já fui
    E falta-me a vez de uma vez por todas
    O que não fiz
    Quem me dera ter
    Como voltar naquele momento

    Se a obra do acaso teimou
    Na quase linda história de amor
    Vou guardar lembranças do que não viveremos
    Tão bom enquanto não durou
    Tanta perfeição

    Sai pela rua sem saída
    Que você não escolheu
    Segue a nossa procissão
    Levando imagens carregadas cores
    Que nunca existiram
    Nesse mundo de se sonhar
    Um sonho a dois

    Lá onde estás
    Faço uma oração
    E a sensação de paz e conforto

Alive In Brazil

2009

  • 01 - Longe Aqui


    Os pais de sua namorada exigiram o fim daquela relação
    que já durava cinco meses de muito carinho e reprovação

    Sempre que se chateava cortava os braços com gilete pra chamar atenção
    Tinha carência afetiva, achava que seus pais gostavam mais do irmão...

    Um dia olhou pela janela, imaginou como seria o seu vôo até o chão
    Mas quando pensou na sujeira que ela causaria..
    desistiu, foi ver televisão

    Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer... Como todos esperavam!
    Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer... Como todos desejavam!

    Até que ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Pra distante o bastante pra suportar

    Ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Tão distante parada no mesmo lugar

    Ela partiu...
    Ela partiu ao meio

    Ensaiou o que diria se um dia fosse artista homenageada no Faustão
    Enxugaria as lágrimas, abraçaria amigos e a mãe teria o seu perdão
    Voltando a realidade, ela encontrava um quadro que não tinha muita solução
    Se achava velha, muito nova, gorda ou muito feia
    Sempre inadequada pra situação...

    Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer... Como todos esperavam!
    Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer... Como todos desejavam!

    Até que ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Pra distante o bastante pra suportar

    Ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Tão distante parada no mesmo lugar

    Ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Pra distante o bastante pra suportar

    Ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Tão distante, onde nunca deixou de estar

    Ela partiu... Ela partiu ao meio.

  • 02 - Mondo Muderno (d mierda)


    Tudo que faço é pra mim
    Até a bondade que ofereço
    Fui evoluindo assim
    Pra conseguir o que mereço

    Questão de sobrevivência
    Quem falou em decência?
    Passo por cima pra ninguém me atropelar
    O que é que há?sai pra lá!
    O seu vem depois, muito natural
    Depois, se sobrar tempo, meu caro
    Vou ser a pessoa mais legal
    Se restar alguma migalha, fui claro?

    Depois, se sobrar espaço
    Ninguém é de ferro
    Ninguém é de aço
    E é no berro que faço
    O diacho pra garantir o meu
    Compreendeu?
    Com certeza
    A seleção natural é da natureza
    Então por gentileza
    Vê se não cansa a beleza
    E responda a seguinte questão:

    Você é diferente?
    Não é assim?
    A gente logo sente
    Quem é ruim
    Você, Madre Teresa
    Uma bondade só
    Vai ensinar ao mundo
    Um amor maior
    No mondo muderno
    No mondo muderno

  • 03 - Você não me Conhece nem Fodendo


    Você me quer bem
    Quando eu tô legal
    Te incomoda porque
    Me faz bem
    Pra jogar na cara
    O que acabou de fazer

    Me deprime, me derruba
    E depois reza por mim
    E o meu crime, apagar as velas antes do fim

    Você começa esse jogo chato e eu acabo
    Manda seu Boeing na torre, não desabo
    Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
    com o diabo...

    Na sua ironia burra, dou cabo
    Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
    Enfia sua vida cor de rosa no rabo do diabo...

    Você não me conhece
    Mas me ama pra sempre porque te convém
    Desaparece
    Se pinta outro atalho
    Não sou mais ninguém

    Me deprime, me derruba
    E depois reza por mim
    E o meu crime, apagar as velas antes do fim

    Você começa esse jogo chato e eu acabo
    Manda seu Boeing na torre, não desabo
    Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
    com o diabo...

    Na sua ironia burra, dou cabo
    Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
    Enfia sua vida cor de rosa no rabo do diabo...

    Quem nunca confere o que pode estar além...
    Quem com o ferro não fere,
    será ferido também!

    Você não me conhece (4x)

  • 04 - Cotidiano de um Casal Feliz


    Alguém sabe dizer o que é normal?
    Pode parecer tão natural(2x)

    Ele manda em tudo, em todos
    Curte seu poder
    E deixa a esposa em casa
    Pra brincar no treco
    De qualquer traveco
    Em troca de prazer
    Vai saber porque...ieiê
    E a esposa anda malhada
    Fez lipoescultura
    E a falta de cultura
    Nunca foi problema
    Ela tem dinheiro
    Pra dar e vender Lê Paulo Coelho e seicho-no-ie
    Vai saber porque...iê

    E eles têm escravos
    Disfarçados de assalariados
    Diariamente humilhados
    Se levantam cedo, se arrumam apressados
    Têm hora marcada pra falar com Deus

    Alguém sabe dizer o que é normal?
    Pode parecer tão natural (2x)

    Ele guarda no HD
    Fotos de crianças nuas, pra tirar um lazer
    Curte ver aquilo quando fica só
    Ela conta os passos que dá no trajeto
    Entre a terapia e a boca do pó

    E até pensa em adotar alguma criatura,
    Pode ser uma criança ou um labrador
    Só depende da raça, depende é da cor
    Que pintar primeiro..
    Ele faz como ninguém a cara de quem não sabe mentir
    Pode admitir, pra ocupar o vazio da relação
    Mas com uma condição:
    Não quer dar banho,
    Nem limpar merda o dia inteiro

    Eles foram ver o show da Diana Krall
    Que alguém falou que era genial
    Gritaram "uhuul" do camarote
    Enchendo a cara de Scotch

    E eles têm escravos
    Disfarçados de assalariados
    Diariamente humilhados
    Se levantam cedo, se arrumam apressados
    Têm hora marcada pra falar com Deeeeeeuss! ououôô

    Alguém sabe dizer o que é normal?
    Pode parecer tão natural (2x)

  • 05 - A Miragem


    Um flash
    Sem eira nem beira
    Não diga besteira...
    É bom você saber
    ...Merece...
    Respeito é bom e eu gosto
    Aposto que o seu gosto é duvidoso

    E é tão claro que o que foi
    Já não é mais vantagem
    Vai pela sombra
    e o que sobra é miragem
    E é tão fácil separar o que foi
    do que não foi bobagem
    Vá pela sombra
    e o que sobra é a miragem

    Esquece que o jogo é jogado
    Me deixa de lado o resultado
    Não vale nada
    Conhece de trás, pra frente
    o verso todo
    Rimando com a situação

    E é tão claro que o que foi
    Já não é mais vantagem
    Vai pela sombra
    e o que sobra é a miragem
    E é tão fácil separar o que foi
    do que não foi bobagem
    Vá pela sombra
    e o que sobra é a miragem

    Parceria só com quem convém
    não tem o menor cabimento
    Já não vale um vintém
    E nem terá o meu consentimento

    E é tão claro que o que foi
    Já não é mais vantagem
    Vai pela sombra
    e o que sobra é a miragem
    E é tão fácil separar o que foi
    do que não foi bobagem
    Vá pela sombra
    e o que sobra é a miragem

  • 06 - Aquela Música


    Tocava aquela música que era a nossa cara
    Quis saber como você estava
    Senti a sua falta...
    Bem que você podia me ligar

    Como vai? O que tem feito?
    Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
    Pra fingir que "tá"tudo certo
    Que a minha vida continua da mesma maneira
    Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
    E agora um deserto
    Já sei que as flores de plástico não vivem

    Deixava aquela música invadir a sala
    Pra preencher o espaço que você deixou
    Quem sabe você volta... até a música parar

    Como vai? O que tem feito?
    Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
    Pra fingir que "tá" tudo certo
    Que a minha vida continua da mesma maneira
    Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
    E agora um deserto
    Já sei que as flores de plástico não vivem

  • 07 - Nera


    Incendiando tudo ao meu redor
    Incendiando minha vida
    Eu só observando a natureza dessa chama
    Que inflama, se alimenta com seu ar
    Ar que me falta, que me esgota
    Toda vez que você chega
    Mas não chega
    E me trata com desdém
    Também nem bem me conheceu
    (me falta, esgota, você não chega)

    Me esforço, me lanço
    Me queimo no fogo
    Insisto, resisto
    Invisto no jogo
    Sem cartas na mesa
    Certeza nenhuma

    Nera, Nera

  • 08 - A Falta que a Falta Faz


    Outra vez, as coisas ficam fora do lugar
    Quando então, começo a me sentir em casa...

    E se o desejo é uma desordem
    Um "mãos ao alto, fique onde está!"
    sem alarde me recolho,
    Escolho me calar

    E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
    Toda certeza que supomos
    Mas a vida lá fora
    Tá chamando agora
    E não demora!
    Quem dá mais?
    Na falta que a falta faz

    Outra vez, meus olhos devem me denunciar
    como não reparo no que me atrasa?

    E se o desejo é uma desordem
    Um "mãos ao alto, fique onde está!"
    sem alarde me recolho,
    Escolho me calar

    E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
    Toda certeza que supomos
    Mas a vida lá fora
    Tá chamando agora
    E não demora!
    Quem dá mais?
    Na falta que a falta faz

    E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
    Toda certeza que supomos
    É que vida lá fora
    Tá chamando agora
    Não demora!
    Quem dá mais?
    Na falta que a falta faz

  • 09 - Quando fui Fred Astaire


    Começou a faltar a gravidade naquele dia
    E o que não se amarrava,
    Voava até se perder
    Declarado estado de calamidade
    E o que se temia
    Ninguém explicava
    E eu ficava sem entender

    Ouvi dizer que tinha a ver
    com a grande mudança no universo
    Uma alteração na dimensão de um outro espaço qualquer
    Coisa muito difícil pra macaco sabido compreender
    E eu que sempre sonhei em voar
    Só queria sobreviver
    Mas como não sabia o que ia acontecer
    Aproveitava e dançava no teto
    Feito Fred Astaire

    E o mundo fazia sentido
    De pernas pro ar
    E o mundo visto ao contrário
    Parecia no lugar

    Começou a faltar gravidade naquele dia...

  • 10 - Por um Pouco de Paz (Crime do Desassossego)


    Cumpro a sentença,
    E compenso o que a cela limita
    Peço licença de meu senso
    E me faço visita
    Me conto como está um antigo amigo inventado
    Confesso a saudade de estar comigo ao meu lado
    E tento cavar um túnel
    Que me leve de volta
    A tudo que me prendeu
    Sem saber ao certo se era eu

    Naquele instante
    Diante da chance
    De roubar um pouco de paz
    Roubar um pouco de paz

    Preso por não ter sossego

    Sem recompensa
    Um clima tenso e a pena me irrita
    Mas não faz diferença
    Me convenço e cancelo a visita
    Me dou um bolo sem nenhum sabor
    Bolo um plano de fuga à prova de dor
    E tento cavar um túnel
    Que me leve de volta
    Ao mundo que me prendeu
    Sem saber ao certo se era eu

    Naquele instante
    Diante da chance
    De roubar um pouco de paz
    Roubar um pouco de paz

    Brigo pelo estopim de um motim, de uma fuga em massa
    Uma rebelião qualquer que me devolva a graça
    E um sol quadrado não me aquece, já não amanhece
    O brilho que existia em meus olhos

    Naquele instante
    Diante da chance
    De roubar um pouco de paz
    Roubar um pouco de paz

    Preso por não ter sossego

  • 11 - Assim, de Repente


    Cuspiu no prato que raspou
    Duvidou que um dia fosse mudar de idéia
    Não preparou, se mandou, evaporou
    Espatifou o prato na parede
    E eu catando os cacos pra tentar colar depois
    Mas depois não vou que não tem
    Não vou que não tem, nem vai que não tô
    Como quisesse pisar...
    Só por maldade ignorou
    Seria realmente assim
    E se pudesse levava até a saudade
    Mas deixou...
    Impregnada em cada fração de mim

    Da noite pro dia
    Nem sabia que aquela seria
    A última vez que a via
    Da noite pro dia
    Ela sorria e me garantia
    Estar na maior alegria
    Da noite pro dia
    A ironia é serventia...
    Por conta da casa vazia
    Da noite pro dia

    Você meu remédio tarja preta
    Só com prescrição
    Onipresente feito o ar

  • 12 - Preciso Poder


    Preciso poder contar com você
    Ter outras eternidades ao seu lado
    E me divertir com os caprichos da nossa vontade
    Preciso poder explodir nosso big bang
    Sempre que for necessário um novo começo
    Ou até mesmo pelo prazer da novidade

    Poder te olhar e já entender
    Sem ser preciso desdizer
    Nem dizer toda verdade
    Poder errar e não me esconder
    Não ter que ter nenhum poder
    E poder não ter

    Será querer demais?
    Será pedir demais?
    Será poder demais?

    Preciso poder gritar com você
    E preservar o respeito em potes transparentes
    Etiquetados com o prazo de validade
    Preciso poder me satisfazer
    Por estar por perto, mesmo afastado
    E confiar, na certeza da cumplicidade

    Poder te olhar e já entender
    Sem ser preciso desdizer
    Nem dizer toda verdade
    Poder errar e não me esconder
    Não ter que ter nenhum poder
    E poder não ter

    Será querer demais?
    Será pedir demais?
    Será poder demais?

    Preciso poder ser impreciso
    Preciso poder

  • 13 - Aponta de um Iceberg


    Compromisso poderia ser
    Alternativa do que é vivaz
    Mas não é o caso, se foi descaso,
    Quem mentiu?

    Não fazer o suficiente
    ou por fazer demais...
    Afinal, qual é a medida, me diga
    Quem mediu?

    Vil essa dor, que ninguém vê
    Anil era a cor que mudou
    de acordo com o que você sentiu
    Indicador,
    a ponta de um iceberg liquefativo o fato:
    Você existiu...
    Em qualquer conjugação do verbo existir...

    Na falta que você me faz
    do tempo que não volta atrás
    No tempo que não volta atrás
    Da falta que você me faz

  • 14 - Abismo (Under Doses)


    Quando lava não seca
    É que não vira pedra o que vem de seu vulcão
    Rastro que fica, apaga
    O que já estava espalhado pelo chão
    Seu segundo é mais longo
    Cabe nos traços da palma de minha mão
    Suas frases de efeito
    Que não revelam a verdadeira intenção

    Você me jura que não vai prometer
    E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser

    Antes de ir embora
    De sair pra rua
    De tirar qualquer conclusão
    Mesmo que demore
    E ninguém nos salve
    Heróis nascem em overdose na televisão

    Nada perto da arrebentação
    Nada perto de mim
    Se afogando no próprio veneno
    E não é que o mundo é mesmo pequeno
    Passos em falso na beira do abismo que há entre nós
    E a impressão que fica da solidão é tão menor...
    Quando estamos sós

    Você me jura que não vai prometer
    E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser

    Antes de ir embora
    De sair pra rua
    De tirar qualquer conclusão
    Mesmo que demore
    E ninguém nos salve
    Heróis nascem em overdose na televisão

  • 15 - Estrela de um Céu Nublado


    Decidiu que precisava ser alguém no mundo
    e não "mais um na multidão"
    Resolveu investir fundo nas aulas de interpretação
    Foi morar no Rio de Janeiro, tiro certeiro pra tentar a sorte em Projacland...
    Alugou um conjugado no Catete
    Arrumou uma vaga de barman num bar descolado pra cacete
    atores, modeletes, formadores de opinião,
    wannabes de plantão
    Foi lá no balcão
    que um assistente de direção da novela das 6 (6,6)
    lhe prometeu uma figuração talvez...
    aí ele se animou, se empolgou, nem dormia mais
    - pobre rapaz -
    logo descobriu que o sujeito não era quem dizia ser
    mas na verdade um ator desempregado, frustrado,
    que tinha um blog pouco freqüentado
    e se sentia só e mal acompanhado

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Conheceu Dora enquanto trabalhava no bar
    Servindo bebidas, ela soltando fumaça no ar
    Perua desquitada que vivia da pensão do ex-marido
    Empresário falido que sofria de síndrome de Dow Jones...
    E não é que a madame realmente tinha bons contatos em Projacland...
    Isso foi levado em consideração!
    Encarar a "vovó" podia ser a solução
    resolveu segurar o rojão
    investiu naquela estranha relação
    na tentação de ser famoso...

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Dora resolveu que iria ajudar o garotão
    Mais um que queria ser artista de televisão... ok então...
    numa tarde no salão, enquanto jogava sudoku
    e depilava a virilha, ligou do celular da filha
    pra um amigo diretor picudo e lhe solicitou:
    "Receba o garoto. Quando é quem tem teste? Enfia ele no teste!"
    O picudo respondeu:
    "Agora não tem teste, mas uma festa com show do Jota Quest.
    Leva seu bonitinho, Dora. Confio no seu faro.
    Conheço o rapaz lá na hora,
    e se eu for com a cara dele, enfio num teste,
    eu enfio... enfio, é claro!"

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Na festa badalada, foi cantado pelo poderoso diretor
    que lhe ofereceu trabalho e amor
    lhe deu dicas de comportamento e recomendou:
    "saia logo do armario!"
    Ele respondeu que não estava em nenhum armário,
    muito pelo contrário
    Não tinha nada contra gays, só não era um
    O coitado perdeu a vez
    Depois de tal afirmação, foi excluído,
    rejeitado, difamado...

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Passou a beber até cair, sacou que não teria uma chance
    Seu desejo distante de seu alcance
    Na deprê, engordou mais de 20 quilos em um ano
    Seu maior erro foi nunca perceber o engano...
    Jogou a toalha na vida
    entregou os pontos e aos prantos/chorando pelos cantos,
    escreveu uma carta de despedida:
    "Dora, querida. Quero meu corpo cremado, para que ele seja
    espalhado por toda cidade cenográfica em Projacland."

  • 16 - Pode Agradecer (Relationshit)


    Sufoquei, não deixei você sair sem mim
    Vigiei só pra garantir
    Infernizei, controlei cada segundo ...
    Liguei só pra verificar

    Te cerquei, coloquei escuta, grampeei o telefone
    Afastei amigos
    Ameacei violência, apaguei o seu passado
    Odiei não estar lá

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Quebrei presentes sabe-se lá de quem
    Rasguei fotos sei muito bem de quem
    Queimei cartas que não escrevi...não
    Não deixei, proibi, não permiti
    Roupas, gestos, sorrisos que não consenti
    Evitei que seu brilho ofuscasse o meu

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Chantageei até chorei
    Pena e medo sempre boas coleiras
    Enrolei, explorei e até chifrei
    Pequenas besteiras

    Te marquei feito um gado, fui seu dono
    E tranquei, castiguei, vampirizei
    Fiquei puto por não conseguir controlar o seu pensamento

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Mas amei você, amei você ...
    Mas amei você, yeah yeah...
    Mas amei você, amei você ...
    Mas amei você, pode agradecer!

  • 17 - Breve Conto do Velho Babão


    Quis parar o tempo
    Não sabia envelhecer
    O velho babão
    Tinta no cabelo
    Farreava pra valer
    Tinta no cartão
    E quanta mentira usava pra fugir
    Do que desejava?
    Encontrar alguma explicação
    Pra "crise existencial"
    Que tratava seduzindo
    As amiguinhas de sua filha adolecente

    Sindrome do pânico,
    Medo de morrer
    Mijava no chão
    Enquanto bebia e tentava não sofrer
    Com a solidão
    E quanta a verdade guardava pra fingir
    Que não cobiçava
    Outra chance, outra encarnação?
    E a "crise existencial"
    Escondida num sorriso
    De verdadeiro nem os dentes da frente

    Chorava o leite derramado
    Tudo que havia conquistado
    Bens patrimoniais, relações profissionais
    Agora nem sabia muito bem pra quê...
    E no discurso decorado
    Tinha orgulho do passado
    Um passado que esquecia, toda vez que enlouquecia
    Se esfregando pelas raves, doido de "E"

    Até que um dia agonizou
    Ajoelhado, com a boca roxa, enfartando na balada
    E a molecada achando o lance engraçado, comentando:
    "Olha a dança do coroa, que piada!"

    (pagou pra ver, não viu
    durmiu garoto, acordou senil
    pagou pra ver e viu
    que o planejado nunca existiu)

    Quis parar o tempo
    E seu tempo acabou!

  • 18 - Formidável Mundo Cão


    O Cara se cansou de andar no mundo cão
    na janta com a família veio a solução:
    deu dois tiros no pai, depois três tiros na mãe
    sobrou uma bala pra cabeça do irmão
    No tribunal falou que tava bem doidão
    O advogado defendeu com o coração
    que ele era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
    Em 4 anos tava fora da prisão

    E foi curtir a vida em todo esplendor
    escreveu um livro que ensina ser um vencedor

    Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
    Tirar das costas esse peso
    No corre-corre de doidos e animais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
    Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
    Tirar das costas esse peso
    No empurra-empurra de freiras e marginais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso

    Tão logo concluiu: "com grana, sem prisão,
    ladrão que é malandro tem mil anos de perdão!"
    Favoreceu pra cá, mandou propina pra lá
    Então comprou uma rede de televisão
    Agora ele adorava aquele mundo cão
    podia saciar a sua ambição
    já que era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
    a paz de ter o amor na mira do canhão
    E foi eleito deputado, abriu contas no exterior
    virou dono da igreja "novos apóstolos do senhor"

    Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
    Tirar das costas esse peso
    No corre-corre de doidos e animais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
    Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
    Tirar das costas esse peso
    No empurra-empurra de freiras e marginais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso

  • 19 - Tal do Amor (8 e 80)


    Às vezes me sinto a peça faltando em você
    Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter
    Ás vezes me sinto um castigo, uma praga, sua maldição
    Às vezes me sinto um abrigo, uma graça, sua salvação

    Mas se me desmantelo ao acaso
    Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
    8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
    De todo bom jogador

    Às vezes me sinto um ódio sobrando em você
    Às vezes me sinto um país que você nunca vai conhecer
    Às vezes me sinto arriado nos quatro pneus
    Às vezes me sinto nomeado interino de Deus

    Mas se me desmantelo ao acaso
    Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
    8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
    De todo bom jogador

    E se a gente perder
    Que seja derrota suada, sofrida, roubada...
    De mão beijada nem a pau!
    E se a gente ganhar
    Que seja vitória disputada, merecida, conquistada...
    Vou pro pau!
    Apostar na parte bacana do tal do amor
    Do tal do amor

    Às vezes me sinto a peça faltando em você
    Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter

Formidável Mundo Cão

2007

  • 01 - Longe Aqui


    Os pais de sua namorada exigiram o fim daquela relação
    Que já durava cinco meses de muito carinho e reprovação
    Sempre que se chateava, cortava os braços com gilete pra chamar a atenção
    Tinha carência afetiva, achava que seus pais gostavam mais do irmão
    Um dia olhou pela janela, imaginou como seria o seu vôo até o chão
    mas quando pensou na sujeira que ela causaria
    desistiu, foi ver televisão

    Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer como todos esperavam
    Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer como todos desejavam

    Até que ela partiu
    Ela partiu pra bem longe
    Pra distante o bastante pra suportar
    Ela partiu
    Ela partiu pra bem longe
    Tão distante parada no mesmo lugar

    Ela partiu
    Ela partiu ao meio

    Ensaiou o que diria se um dia fosse "artista homenageada no Faustão"
    Enxugaria as lágrimas, abraçaria amigos
    e a mãe teria o seu perdão
    Voltando a realidade, ela encontrava um quadro
    que não tinha muita solução
    Se achava velha, muito nova, gorda ou muito feia
    Sempre inadeqüada pra situação

    Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer como todos esperavam
    Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer como todos desejavam

    Até que ela partiu
    Ela partiu pra bem longe
    Pra distante o bastante pra suportar
    Ela partiu
    Ela partiu pra bem longe
    Tão distante parada no mesmo lugar
    (tão distante onde nunca deixou de estar)

    Ela partiu
    Ela partiu ao meio

  • 02 - Preciso Poder


    Preciso poder contar com você
    Ter outras eternidades ao seu lado
    E me divertir com os caprichos da nossa vontade
    Preciso poder explodir nosso big bang
    Sempre que for necessário um novo começo
    Ou até mesmo pelo prazer da novidade

    Poder te olhar e já entender
    Sem ser preciso desdizer
    Nem dizer toda verdade
    Poder errar e não me esconder
    Não ter que ter nenhum poder
    E poder não ter

    Será querer demais?
    Será pedir demais?
    Será poder demais?

    Preciso poder gritar com você
    E preservar o respeito em potes transparentes
    Etiquetados com o prazo de validade
    Preciso poder me satisfazer
    Por estar por perto, mesmo afastado
    E confiar, na certeza da cumplicidade

    Poder te olhar e já entender
    Sem ser preciso desdizer
    Nem dizer toda verdade
    Poder errar e não me esconder
    Não ter que ter nenhum poder
    E poder não ter

    Será querer demais?
    Será pedir demais?
    Será poder demais?

    Preciso poder ser impreciso
    Preciso poder

  • 03 - Formidável Mundo Cão


    O Cara se cansou de andar no mundo cão
    na janta com a família veio a solução:
    deu dois tiros no pai, depois três tiros na mãe
    sobrou uma bala pra cabeça do irmão
    No tribunal falou que tava bem doidão
    O advogado defendeu com o coração
    que ele era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
    Em 4 anos tava fora da prisão

    E foi curtir a vida em todo esplendor
    escreveu um livro que ensina ser um vencedor

    Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
    Tirar das costas esse peso
    No corre-corre de doidos e animais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
    Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
    Tirar das costas esse peso
    No empurra-empurra de freiras e marginais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso

    Tão logo concluiu: "com grana, sem prisão,
    ladrão que é malandro tem mil anos de perdão!"
    Favoreceu pra cá, mandou propina pra lá
    Então comprou uma rede de televisão
    Agora ele adorava aquele mundo cão
    podia saciar a sua ambição
    já que era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
    a paz de ter o amor na mira do canhão
    E foi eleito deputado, abriu contas no exterior
    virou dono da igreja "novos apóstolos do senhor"

    Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
    Tirar das costas esse peso
    No corre-corre de doidos e animais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
    Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
    Tirar das costas esse peso
    No empurra-empurra de freiras e marginais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso

  • 04 - Num Labirinto


    Nunca soube exatamente como vencer
    Fui deixando arrumada a mala
    Sentia o cheiro forte de éter no ar

    Todo um circo armado, querendo agradar
    E a burrice no erro de deixar passar
    Pois por passar por mim, o fim deixava de ser

    Eu me joguei num labirinto
    Deixei de lado o que eu sinto
    Tão cego que ficava impossível
    Ir além do raso

    Eu me afoguei num mar de rosas
    Me enganei em verso e prosa
    Tão certo que já tava perto
    Me afastei, perdido

    Sempre soube exatamente como perder
    E fui deixando desarrumada a sala
    Na bagunça não podia mais me encontrar

    Todo um circo armado querendo enrolar
    E a burrice estampada por deixar pra lá
    Mas por passar por mim, o fim deixava de ser

    Eu me joguei num labirinto
    Deixei de lado o que eu sinto
    Tão cego que ficava impossível
    Ir além do raso

    Eu me afoguei num mar de rosas
    Me enganei em verso e prosa
    Tão certo que já tava perto
    Me afastei, perdido

    Eu me joguei num labirinto
    Deixei de lado o que eu sinto

  • 05 - Fomos


    Cabe alguma explicação?
    Medos que não eram nossos
    Nunca foi nossa intenção
    Espalhar tantos destroços
    O que fomos não será
    Definido por palavras fáceis
    Que alguém dirá
    Não estará nos calendários, dicionários
    Nem nas buscas do Google

    Quis manter meus pés no chão
    Despenquei do mesmo jeito
    Na tábua de salvação
    Escorreguei mais um defeito:
    Não sabia o que esperar
    E esperei pelo pior
    Mas o pior foi piorar
    Quando entendi que te perdi
    Por me perder
    Ao ser o que eu não era
    Hoje eu sei...

    Hoje, eu só!

  • 06 - Estrela de um Céu Nublado


    Decidiu que precisava ser alguém no mundo
    e não "mais um na multidão"
    Resolveu investir fundo nas aulas de interpretação
    Foi morar no Rio de Janeiro, tiro certeiro pra tentar a sorte em Projacland...
    Alugou um conjugado no Catete
    Arrumou uma vaga de barman num bar descolado pra cacete
    atores, modeletes, formadores de opinião,
    wannabes de plantão
    Foi lá no balcão
    que um assistente de direção da novela das 6 (6,6)
    lhe prometeu uma figuração talvez...
    aí ele se animou, se empolgou, nem dormia mais
    - pobre rapaz -
    logo descobriu que o sujeito não era quem dizia ser
    mas na verdade um ator desempregado, frustrado,
    que tinha um blog pouco freqüentado
    e se sentia só e mal acompanhado

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Conheceu Dora enquanto trabalhava no bar
    Servindo bebidas, ela soltando fumaça no ar
    Perua desquitada que vivia da pensão do ex-marido
    Empresário falido que sofria de síndrome de Dow Jones...
    E não é que a madame realmente tinha bons contatos em Projacland...
    Isso foi levado em consideração!
    Encarar a "vovó" podia ser a solução
    resolveu segurar o rojão
    investiu naquela estranha relação
    na tentação de ser famoso...

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Dora resolveu que iria ajudar o garotão
    Mais um que queria ser artista de televisão... ok então...
    numa tarde no salão, enquanto jogava sudoku
    e depilava a virilha, ligou do celular da filha
    pra um amigo diretor picudo e lhe solicitou:
    "Receba o garoto. Quando é quem tem teste? Enfia ele no teste!"
    O picudo respondeu:
    "Agora não tem teste, mas uma festa com show do Jota Quest.
    Leva seu bonitinho, Dora. Confio no seu faro.
    Conheço o rapaz lá na hora,
    e se eu for com a cara dele, enfio num teste,
    eu enfio... enfio, é claro!"

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Na festa badalada, foi cantado pelo poderoso diretor
    que lhe ofereceu trabalho e amor
    lhe deu dicas de comportamento e recomendou:
    "saia logo do armario!"
    Ele respondeu que não estava em nenhum armário,
    muito pelo contrário
    Não tinha nada contra gays, só não era um
    O coitado perdeu a vez
    Depois de tal afirmação, foi excluído,
    rejeitado, difamado...

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Passou a beber até cair, sacou que não teria uma chance
    Seu desejo distante de seu alcance
    Na deprê, engordou mais de 20 quilos em um ano
    Seu maior erro foi nunca perceber o engano...
    Jogou a toalha na vida
    entregou os pontos e aos prantos/chorando pelos cantos,
    escreveu uma carta de despedida:
    "Dora, querida. Quero meu corpo cremado, para que ele seja
    espalhado por toda cidade cenográfica em Projacland."

  • 07 - Noutro Caminho


    Tão logo me apareceu,
    Estudei manual, me guiei
    Desejei uma vida inteira pela frente...
    Nem começou
    Por via das dúvidas,
    Fórmula, bula, mapa de cor...
    Desejei ancorar e navegar
    Buscando o que se sonhou
    Fui além de mim
    fui capaz de enxergar o invisível!
    Mas ainda assim, inventei você

    Hoje não sei dizer
    Quanto de mim restou
    Daquele que um dia desejou
    E o tempo transformou,
    Tanto modificou
    Que segue outro caminho
    (sigo o meu caminho)

  • 08 - Breve Conto do Velho Babão


    Quis parar o tempo
    Não sabia envelhecer
    O velho babão
    Tinta no cabelo
    Farreava pra valer
    Tinta no cartão
    E quanta mentira usava pra fugir
    Do que desejava?
    Encontrar alguma explicação
    Pra "crise existencial"
    Que tratava seduzindo
    As amiguinhas de sua filha adolecente

    Sindrome do pânico,
    Medo de morrer
    Mijava no chão
    Enquanto bebia e tentava não sofrer
    Com a solidão
    E quanta a verdade guardava pra fingir
    Que não cobiçava
    Outra chance, outra encarnação?
    E a "crise existencial"
    Escondida num sorriso
    De verdadeiro nem os dentes da frente

    Chorava o leite derramado
    Tudo que havia conquistado
    Bens patrimoniais, relações profissionais
    Agora nem sabia muito bem pra quê...
    E no discurso decorado
    Tinha orgulho do passado
    Um passado que esquecia, toda vez que enlouquecia
    Se esfregando pelas raves, doido de "E"

    Até que um dia agonizou
    Ajoelhado, com a boca roxa, enfartando na balada
    E a molecada achando o lance engraçado, comentando:
    "Olha a dança do coroa, que piada!"

    (pagou pra ver, não viu
    durmiu garoto, acordou senil
    pagou pra ver e viu
    que o planejado nunca existiu)

    Quis parar o tempo
    E seu tempo acabou!

  • 09 - Alguém em seu Lugar


    Medo, era medo de errar
    Tarde, muito tarde
    Pra consertar...

    Sem você, deixo de ser o que desejo
    Eu não sei reconhecer o que não vejo
    Não vou fabricar alguém pro seu lugar

    Cedo, muito cedo
    Pra provar
    Outras cores, novos planos
    Sonhos, dores, desenganos

    Sem você, perco meu prumo, rumo, norte
    Sim, eu sei, devo contar com a minha sorte
    E não procurar alguém pro seu lugar

    Explode em silêncio a frase pronta que você lançou:
    "O tempo sempre cura toda e qualquer dor de amor"

    Sem você, perco meu ponto de partida
    Sim, eu sei, resta tentar tocar a vida
    Mas não haverá alguém em seu lugar

  • 10 - A Propósito


    Não sou seu prêmio ou recompensa
    Sua sentença ou punição
    Não sou seu grêmio, sua crença
    Indiferença ou solução

    Mas sou aquilo que me der na telha
    E que se assemelha
    Ao que você bem entender

    Não sou relíquia ou raridade
    A novidade da estação
    Nem sua força de vontade
    Seu bicho de estimação
    Não sou a mosca na sua sopa
    Nem a sujeira no seu chão
    Ferida, mancha na sua roupa
    Clube, parque de diversão

    Mas sou aquilo que me der na telha
    E que se assemelha
    Ao que você bem entender

    Se me reconheço naquilo que não quero
    E me fortaleço num abraço sincero
    Se me compadeço do que menos espero
    E já não esqueço que o preço do meu apreço é arriscar

  • 11 - Por um Pouco de Paz (Crime do Desassossego)


    Cumpro a sentença,
    E compenso o que a cela limita
    Peço licença de meu senso
    E me faço visita
    Me conto como está um antigo amigo inventado
    Confesso a saudade de estar comigo ao meu lado
    E tento cavar um túnel
    Que me leve de volta
    A tudo que me prendeu
    Sem saber ao certo se era eu

    Naquele instante
    Diante da chance
    De roubar um pouco de paz
    Roubar um pouco de paz

    Preso por não ter sossego

    Sem recompensa
    Um clima tenso e a pena me irrita
    Mas não faz diferença
    Me convenço e cancelo a visita
    Me dou um bolo sem nenhum sabor
    Bolo um plano de fuga à prova de dor
    E tento cavar um túnel
    Que me leve de volta
    Ao mundo que me prendeu
    Sem saber ao certo se era eu

    Naquele instante
    Diante da chance
    De roubar um pouco de paz
    Roubar um pouco de paz

    Brigo pelo estopim de um motim, de uma fuga em massa
    Uma rebelião qualquer que me devolva a graça
    E um sol quadrado não me aquece, já não amanhece
    O brilho que existia em meus olhos

    Naquele instante
    Diante da chance
    De roubar um pouco de paz
    Roubar um pouco de paz

    Preso por não ter sossego

  • 12 - Nera


    Incendiando tudo ao meu redor
    Incendiando minha vida
    Eu só observando a natureza dessa chama
    Que inflama, se alimenta com seu ar
    Ar que me falta, que me esgota
    Toda vez que você chega
    Mas não chega
    E me trata com desdém
    Também nem bem me conheceu
    (me falta, esgota, você não chega)

    Me esforço, me lanço
    Me queimo no fogo
    Insisto, resisto
    Invisto no jogo
    Sem cartas na mesa
    Certeza nenhuma

    Nera, Nera

Você Não Me Conhece

2005

  • 01 - A Falta que a Falta Faz


    Outra vez, as coisas ficam fora do lugar
    Quando então, começo a me sentir em casa...

    E se o desejo é uma desordem
    Um "mãos ao alto, fique onde está!"
    sem alarde me recolho,
    Escolho me calar

    E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
    Toda certeza que supomos
    Mas a vida lá fora
    Tá chamando agora
    E não demora!
    Quem dá mais?
    Na falta que a falta faz

    Outra vez, meus olhos devem me denunciar
    como não reparo no que me atrasa?

    E se o desejo é uma desordem
    Um "mãos ao alto, fique onde está!"
    sem alarde me recolho,
    Escolho me calar

    E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
    Toda certeza que supomos
    Mas a vida lá fora
    Tá chamando agora
    E não demora!
    Quem dá mais?
    Na falta que a falta faz

    E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
    Toda certeza que supomos
    É que vida lá fora
    Tá chamando agora
    Não demora!
    Quem dá mais?
    Na falta que a falta faz

  • 02 - Tal do Amor (8 e 80)


    Às vezes me sinto a peça faltando em você
    Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter
    Ás vezes me sinto um castigo, uma praga, sua maldição
    Às vezes me sinto um abrigo, uma graça, sua salvação

    Mas se me desmantelo ao acaso
    Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
    8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
    De todo bom jogador

    Às vezes me sinto um ódio sobrando em você
    Às vezes me sinto um país que você nunca vai conhecer
    Às vezes me sinto arriado nos quatro pneus
    Às vezes me sinto nomeado interino de Deus

    Mas se me desmantelo ao acaso
    Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
    8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
    De todo bom jogador

    E se a gente perder
    Que seja derrota suada, sofrida, roubada...
    De mão beijada nem a pau!
    E se a gente ganhar
    Que seja vitória disputada, merecida, conquistada...
    Vou pro pau!
    Apostar na parte bacana do tal do amor
    Do tal do amor

    Às vezes me sinto a peça faltando em você
    Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter

  • 03 - Cotidiano de um Casal Feliz


    Alguém sabe dizer o que é normal?
    Pode parecer tão natural

    Ele manda em tudo, em todos
    Curte seu poder
    E deixa a esposa em casa
    Pra brincar no treco
    De qualquer traveco
    Em troca de prazer
    Vai saber porque...
    E a esposa anda malhada
    Fez lipoescultura
    E a falta de cultura
    Nunca foi problema
    Ela tem dinheiro
    Pra dar e vender
    Lê Paulo Coelho e seicho-no-iê
    Vai saber porqUê... iê

    E eles têm escravos
    Disfarçados de assalariados
    Diariamente humilhados
    Se levantam cedo, se arrumam apressados
    Têm hora marcada pra falar com Deus

    Alguém sabe dizer o que é normal?
    Pode parecer tão natural

    Ele guarda no H.D.
    Fotos de crianças nuas, pra tirar um lazer
    Curte ver aquilo quando fica só
    Ela conta os passos que dá no trajeto
    Entre a terapia e a boca do pó
    E até pensa em adotar alguma criatura,
    Pode ser uma criança ou um labrador
    Só depende da raça, depende é da cor
    Quem pintar primeiro...
    Ele faz como ninguém a cara de quem não sabe mentir
    Pode admitir pra ocupar o vazio da relação
    Mas com uma condição
    Não quer dar banho, nem limpar merda o dia inteiro

    Eles foram ver o show da Diana Krall
    Que alguém falou que era genial
    Gritaram uhuuu do camarote
    Enchendo a cara de scotch

    E eles têm escravos
    Disfarçados de assalariados
    Diariamente humilhados
    Se levantam cedo, se arrumam apressados
    Têm hora marcada pra falar com Deus

    Alguém sabe dizer o que é normal?
    Pode parecer tão natural

  • 04 - Toda Distância


    Toda distância nessa vida
    Percorro pra te alcançar
    Toda palavra quase dita,
    Sentida, existirá

    Não tem mistério, não tem segredo
    Deixe o tempo revelar
    Não leve a sério, se existe medo
    Deixe o coração mandar

    Toda distância desse mundo
    É nada quando chegar
    Em seu universo, num segundo
    Eterno pra se guardar

    Não tem mistério, não tem segredo
    Deixe o tempo revelar
    Não leve a sério, se existe medo
    Deixe o coração falar

    Toda distância nessa vida
    Percorro pra te alcançar

  • 05 - Você Não me Conhece


    Você me quer bem
    Quando eu tô legal
    Te incomoda por quê?
    Me faz bem
    Pra jogar na cara
    O que acabou de fazer

    Me deprime, me derruba
    E depois reza por mim
    E o meu crime, apagar as velas antes do fim

    Você começa esse jogo chato e eu acabo
    Manda seu Boeing na torre, não desabo
    Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
    Com o diabo...

    Na sua ironia burra, dou cabo
    Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
    Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
    Com o diabo

    Você não me conhece
    Mas me ama pra sempre porque te convém
    Desaparece
    Se pinta outro atalho
    Não sou mais ninguém

    Me deprime, me derruba
    E depois reza por mim
    E o meu crime, apagar as velas antes do fim

    Você começa esse jogo chato e eu acabo
    Manda seu Boeing na torre, não desabo
    Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
    Com o diabo...

    Na sua ironia burra, dou cabo
    Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
    Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
    Com o diabo

    Quem nunca confere o que pode estar além:
    Quem com o ferro não fere, será ferido também!

    Você não me conhece

  • 06 - Campo Minado


    Não me olhe com essa cara de interrogação
    Dando murro em ponta de faca pra chatear
    Sem cuidado com as palavras lançadas no ar
    Como paralelepípedos
    Jogados do oitavo andar

    Não quero
    Nem vou debandar
    Se posso esperar
    Pra te encontrar
    No lugar certo
    Perto da hora errada

    Outro sentimento
    Que deve ter razão de ser
    Nesse momento
    Mesmo sem querer
    O divertimento
    É não parecer com você

    Outro sentimento
    Que deve ter razão de ser
    E nesse momento
    Posso esclarecer
    Que já não agüento
    O trailer do filme que me nego a ver

    Não me diga que não tenho consideração
    Se até me esforço na tentativa de escutar
    Suas frases bestas soltas pra "impactar"
    Num estilo Caetano-de-saia que tem o dom
    De alugar

    Não quero
    Nem vou debandar
    Se posso esperar
    Pra te encontrar
    No lugar certo
    Perto da hora errada

    Outro sentimento
    Que deve ter razão de ser
    Nesse momento
    Mesmo sem querer
    O divertimento
    É não parecer com você

    E fico fora de cogitação
    Fora de seus planos mais secretos
    Livre de andar pelos desertos
    À procura de algum oásis escondido aí

  • 07 - Mondo Muderno (d mierda)


    Tudo que faço é pra mim
    Até a bondade que ofereço
    Fui evoluindo assim
    Pra conseguir o que mereço

    Questão de sobrevivência
    Quem falou em decência?
    Passo por cima pra ninguém me atropelar
    O que é que há? Sai pra lá!
    O seu vem depois, muito natural
    Depois, se sobrar tempo, meu caro
    Vou ser a pessoa mais legal
    Se restar alguma migalha, fui claro?

    Depois, se sobrar espaço
    Ninguém é de ferro
    Ninguém é de aço
    E é no berro que faço
    O diacho pra garantir o meu
    Compreendeu?
    Com certeza
    A seleção natural é da natureza
    Então por gentileza
    Vê se não cansa a beleza
    E responda a seguinte questão:

    Você é diferente?
    Não é assim?
    A gente logo sente
    Quem é ruim
    Você, Madre Teresa
    Uma bondade só
    Vai ensinar ao mundo
    Um amor maior

    No Mondo Muderno
    No Mondo Muderno

  • 08 - Quando Fui Fred Astaire


    Começou a faltar a gravidade naquele dia
    E o que não se amarrava,
    Voava até se perder
    Declarado estado de calamidade
    E o que se temia
    Ninguém explicava
    E eu ficava sem entender

    Ouvi dizer que tinha a ver
    com a grande mudança no universo
    Uma alteração na dimensão de um outro espaço qualquer
    Coisa muito difícil pra macaco sabido compreender
    E eu que sempre sonhei em voar
    Só queria sobreviver
    Mas como não sabia o que ia acontecer
    Aproveitava e dançava no teto
    Feito Fred Astaire

    E o mundo fazia sentido
    De pernas pro ar
    E o mundo visto ao contrário
    Parecia no lugar

    Começou a faltar gravidade naquele dia...

  • 09 - Os Dias Lembram Alguém


    Os dias lembram alguém
    Que nunca sai da mente
    As horas vão mentir (seguir)
    desnecessariamente

    Num tempo tão exato
    Tropeço em solidão
    Eu finjo desespero
    Me recupero então

    Minha alegria compro em cápsulas, eu sei
    Na teoria, adio toda dor

    Sem condição de saber
    O pouco que se deve
    Pra conseguir perceber
    Quando é bom partir

    Os dias lembram alguém
    Que nunca sai da mente

  • 10 - Na Próxima Vez


    Vejo o tempo que fiquei perdido
    Nosso plano que ficou pra ontem
    Você tava onde eu não podia
    E te invadindo dei com o pé na porta

    Não me diga que foi merecido
    Vejo a festa que os outros fazem
    No intervalo da monotonia
    Minha paciência não comporta

    Eu acho tudo tão claro pra qualquer um
    Eu sei que me custa caro pensar demais
    Eu sofro sem você aqui
    Mas tem que ser assim
    Espero não cair
    Na próxima vez

    Era mais ou menos parecido
    Nosso plano que ficou pra ontem
    Tinha muito do que eu não queria
    Mais ainda do que não importa

  • 11 - Paredes


    Falo pras paredes
    E elas me escutam
    E me irritam
    Em silêncio
    E algumas rachaduras

    Grito pras paredes
    E elas me fitam
    E sufocam
    Entre tintas descascadas
    E sujeiras

    Mais que a garganta que não cansa
    A voz alcança um tempo sem fim
    E as folhas mortas pelo chão
    - da outra estação -
    Ainda são bonitas
    Ainda são perfeitas
    Ainda são (pra sempre)

    Falo pras pessoas
    E elas me evitam
    E me cansam
    Com manias e algumas implicâncias

    Grito pras pessoas
    E elas me esnobam
    E bajulam
    Entre interesses
    E paixões

Vendo a Mim Mesmo

2004

  • 01 - Me Tira Daquiii (vendo, vendo, vendo)


    me tira daqui
    me deixa fugir
    fugir de você
    de tudo que não foi acertado
    me esquece, morri
    eu nunca existi
    passei por aqui tão rápido
    nem fui reparado
    quando foi que te vi
    quando admiti
    alguém que me fizesse esse mal danado
    me solta, fingi
    que nunca esqueci
    que já perdi um tempo ao seu lado

    vendo as certezas mais insistentes
    vendo as mentiras mais convincentes
    um pouco beijo de despedida
    e chegada na estação

    não sei se quero ver, vender ou vendar

    vendo as certezas mais evidentes
    vendo as mentiras mais indecentes
    enfeitadas com cuidado
    numa vitrine em promoção

    não sei se quero ver, vender ou vendar

  • 02 - Pode Agradecer (Relationshit)


    Sufoquei, não deixei você sair sem mim
    Vigiei só pra garantir
    Infernizei, controlei cada segundo ...
    Liguei só pra verificar

    Te cerquei, coloquei escuta, grampeei o telefone
    Afastei amigos
    Ameacei violência, apaguei o seu passado
    Odiei não estar lá

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Quebrei presentes sabe-se lá de quem
    Rasguei fotos sei muito bem de quem
    Queimei cartas que não escrevi...não
    Não deixei, proibi, não permiti
    Roupas, gestos, sorrisos que não consenti
    Evitei que seu brilho ofuscasse o meu

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Chantageei até chorei
    Pena e medo sempre boas coleiras
    Enrolei, explorei e até chifrei
    Pequenas besteiras

    Te marquei feito um gado, fui seu dono
    E tranquei, castiguei, vampirizei
    Fiquei puto por não conseguir controlar o seu pensamento

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Mas amei você, amei você ...
    Mas amei você, yeah yeah...
    Mas amei você, amei você ...
    Mas amei você, pode agradecer!

  • 03 - Preciso Dizer que te Amo


    Quando a gente conversa
    contando casos, besteiras
    Tanta coisa em comum
    deixando escapar segredos
    Eu não sei em que hora dizer
    me dá um medo
    é que eu preciso dizer que te amo,
    te ganhar ou perder sem engano
    eu preciso dizer que te amo.

    Até o tempo passa arrastado
    só pra eu ficar do teu lado
    Você me chora dores de outro amor
    se abre e acaba comigo.
    E nessa novela eu não quero ser seu amigo
    É que eu preciso dizer que te amo
    te ganhar ou perder sem engano
    eu preciso dizer que te amo tanto!
    Eu preciso dizer...

    Eu já não sei se tô misturando
    eu perco o sono lembrando de cada gesto seu
    qualquer brincadeira
    fechando e abrindo a geladeira a noite

    Eu preciso dizer que te amo
    te ganhar ou te perder sem engano
    Eu preciso dizer que te amo tanto....

  • 04 - Mais um Dia


    Longe de você, não consigo ir em frente..
    "sem olhar pra trás",
    o combinado era tão diferente
    que a gente nem se lembra mais...
    Mas eu dizia que era interessante
    ficar perto de onde não
    sabemos andar
    Você dizia que não era o bastante
    Cada gesto, cada instante, cada palavra, cada olhar

    [refrão]
    Era mais um dia, único e desperdiçado
    O tempo voando
    pra sempre e nunca ao meu lado.
    Era mais um dia que sobrava do passado
    Você me culpando...
    mas quem é que estava errado?

    Ficava mal, o sorriso não vinha
    barco à deriva à mercê do seu mar
    Não era o tal e vacilava quando não podia
    Todo gesto, todo instante, cada palavra, cada olhar

    [refrão]

    Tudo que a gente não tenta... por medo
    Pra quem se contenta em apenas "querer",
    quis gritar... Quando você dormiu

    [refrão]

    Era mais um dia, Era mais um dia...
    Era mais um dia, Era mais um dia...

  • 05 - Sa-Ma-Ra - Samadhi (Quiçá Jabaless Radio Edit)


    Bem nos meus olhos a visão
    Vem pra destinguir direito
    Fica na nossa ficção
    A lembrança do que foi perfeito
    Justo quando era mais autêntico
    Praticamente idêntico
    A tudo que eu já fui capaz de inventar

    Leve impressao
    De que tudo entao
    Faz mais sentido
    Quiçá amar em seu nome
    Vou na contra-mão
    De quem diz que não
    É permitido
    Desejar alguém assim

    Sigo seus passos
    Falta o chao e o caminho cercado
    Sobras da nossa encenação
    E o certo do que não foi provado
    Justo quando era mais autêntico
    Praticametne idêntico
    A tudo que eu já fui capaz de inventar

  • 06 - Idade Se Eu Quiser (Neverland's Mix)


    Tenho a idade que eu bem entender
    o suficiente pra mim e o bastante pra você
    e você quer meu R.G.
    é que não sigo um manual, nem guia do que deve acontecer
    do que se deve fazer

    Se já tá tarde
    se ainda é cedo
    se tenho saco
    se tenho medo

    O que você aínda quer saber
    como devo pensar
    o quanto devo durar
    ou se preciso casar

    Tenho a idade que eu quiser
    tenho o tempo que vier
    tenho até a cara que você me der
    perfeito
    bom proveito
    escolha meu defeito e me dê


    Quantas frunstrações acumuladas
    doenças
    quantas porradas
    namoradas

    Se tou acabado
    Bem conservado
    Irresponsável
    um fracassado

    Tenho a idade que eu quiser
    tenho o tempo que vier
    tenho até a cara que você me der
    perfeito
    bom proveito
    escolha meu defeito e me dê


    Se a idade é que decide
    Se resolve e proibe
    Se é culpa do tempo
    Lamento

    Se a idade é que decide
    se resolve e proibe
    se é culpa do tempo
    Ha ahhhhhhhhh

    Tenho a idade que eu quiser
    tenho o tempo que vier
    tenho até a cara que você me der
    perfeito
    bom proveito
    escolha meu defeito e me dê


    (Tenho a idade que eu quiser)
    (Tenho o tempo que vier)
    (Ha ahhhhhhhhh)

    (Tenho a idade que eu quiser)
    (Tenho o tempo que vier)
    (Ha ahhhhhhhhh)

  • 07 - Aquela Música


    Tocava aquela música que era a nossa cara
    Quis saber como você estava
    Senti a sua falta...
    Bem que você podia me ligar

    Como vai? O que tem feito?
    Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
    Pra fingir que "tá"tudo certo
    Que a minha vida continua da mesma maneira
    Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
    E agora um deserto
    Já sei que as flores de plástico não vivem

    Deixava aquela música invadir a sala
    Pra preencher o espaço que você deixou
    Quem sabe você volta... até a música parar

    Como vai? O que tem feito?
    Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
    Pra fingir que "tá" tudo certo
    Que a minha vida continua da mesma maneira
    Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
    E agora um deserto
    Já sei que as flores de plástico não vivem

  • 08 - Foi no Mês que Vem

    Vou te vi
    Ali deserta de qualquer alguém
    Penso, logo irei
    Que sejas antes minha
    Que de outrem
    Quando o vento fez
    Do teu vestido um dom que Deus te deu
    Claro que eu rirei
    Ao vendo o que outro alguém não viu

    Vou andei
    E me chegando assim te cercarei
    Digo, aqui tô eu, que te amo
    E as tuas pernas quero bem
    Já que estamos nós,
    Te sugeri-me então o que fazer?
    Claro que eu beijei
    Ao tendo o que outro alguém não quis

    E tudo isso foi no mês que vem
    Foi quando eu chegar
    Foi na hora em que eu te vi
    E mais que tudo, foi no mês que vem
    Foi quando eu chegar
    Na hora em que eu te quis

    Vou fiquei
    No teu chegado e tu chegada ao meu
    Penso: grande é Deus!
    Um paraíso pr'um sujeito ateu
    E pensando assim
    Farei aquilo que o teu gosto quis
    Claro, eu já ganhei
    De volta tudo que eu quiser

    E tudo isso foi no mês que vem
    Foi quando eu chegar
    Foi na hora em que eu te vi
    E mais que tudo, foi no mês que vem
    Foi quando eu chegar
    Na hora em que eu te quis

  • 09 - Condição


    Eu não sou diferente de ninguém
    quase todo mundo faz assim
    eu me viro bem melhor
    quando tá mais pra bom que pra ruim
    não quero causar impacto
    nem tão pouco sensação
    o que digo é muito exato
    é o que cabe na canção (aqui)

    Qualquer um que ouve entende,
    não precisa explicação
    e se for pensar um pouco
    vai me dar toda a razão
    oh senhora, senhorita
    e também o cidadão
    todo mundo que se preza, nega fogo não!

    Eu não sei viver sem ter carinho
    é a minha condição
    Eu não sei viver triste sozinho
    é a minha condição
    Eu não sei viver preso ou fugindo
    é a minha condição

  • 10 - Por Nada e Por Ninguém


    Á primeira vista
    há de me deixar confuso
    esse seu olhar difuso
    de quem não presta atenção

    Á primeira vista
    todo risco é ameaça
    e o medo que agente passa
    cimenta os pés no chão

    Á primeira vista
    dois joelhos machucados
    te redimem nos pecados
    se usados pra rezar

    Á primeira vista
    tudo está no lugar certo
    mas a praia é um deserto
    cravado na beira-mar

    Á primeira vista
    eram só coincidências
    uns amigos em comum
    e uma vibração do bem

    Se ontem não te dei valor nenhum
    hoje eu não te troco por ninguem
    Se ontem não te dei valor nenhum
    hoje eu não te troco por ninguem

    Á primeira vista
    cada linha do poema
    é a verdade suprema
    só porque está no papel

    Á primeira vista
    deve haver uma saída
    e que seja nessa vida
    sei lá se há vida é no céu

    Á primeira vista
    ela é moça direita
    nunca levantou suspeita
    mas á mim não enganou

    Á primeira vista
    a noite é o fim do dia
    eu acho que eu deveria
    dormir mas eu nem vou

    Á primeira vista
    eram só coincidências
    uns amigos em comum
    e uma vibração do bem

    Se ontem não te dei valor nenhum
    Hoje eu não te troco por ninguem
    Se ontem não te dei valor nenhum
    Hoje eu não te troco por ninguem

    Por nada e por ninguem (8×)

  • 11 - Assim, de Repente ("Unbewithable Ya"...Acoustic Version)


    Cuspiu no prato que raspou
    Duvidou que um dia fosse mudar de idéia
    Não preparou, se mandou, evaporou
    Espatifou o prato na parede
    E eu catando os cacos pra tentar colar depois
    Mas depois não vou que não tem
    Não vou que não tem, nem vai que não tô
    Como quisesse pisar...
    Só por maldade ignorou
    Seria realmente assim
    E se pudesse levava até a saudade
    Mas deixou...
    Impregnada em cada fração de mim

    Da noite pro dia
    Nem sabia que aquela seria
    A última vez que a via
    Da noite pro dia
    Ela sorria e me garantia
    Estar na maior alegria
    Da noite pro dia
    A ironia é serventia...
    Por conta da casa vazia
    Da noite pro dia

    Você meu remédio tarja preta
    Só com prescrição
    Onipresente feito o ar

  • 12 - Abismo (Under Doses)


    Quando lava não seca
    É que não vira pedra o que vem de seu vulcão
    Rastro que fica, apaga
    O que já estava espalhado pelo chão
    Seu segundo é mais longo
    Cabe nos traços da palma de minha mão
    Suas frases de efeito
    Que não revelam a verdadeira intenção

    Você me jura que não vai prometer
    E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser

    Antes de ir embora
    De sair pra rua
    De tirar qualquer conclusão
    Mesmo que demore
    E ninguém nos salve
    Heróis nascem em overdose na televisão

    Nada perto da arrebentação
    Nada perto de mim
    Se afogando no próprio veneno
    E não é que o mundo é mesmo pequeno
    Passos em falso na beira do abismo que há entre nós
    E a impressão que fica da solidão é tão menor...
    Quando estamos sós

    Você me jura que não vai prometer
    E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser

    Antes de ir embora
    De sair pra rua
    De tirar qualquer conclusão
    Mesmo que demore
    E ninguém nos salve
    Heróis nascem em overdose na televisão

  • 13 - Todos os Fracos (Ode aos fortes)


    Todos os fracos juntos são mais fracos
    fadados à confortável derrota coletiva
    todos os fracos são opacos
    conformados na inevitável tristeza cativa
    Todos os fracos com a chance de perder por pouco
    acenando pro futuro que não veio
    todos os fracos num lance de sofrer feito louco
    andando no escuro com receio
    todos os fracos pedem proteção
    o desejo secreto de estar completo quanto possível
    todos os fracos perdem a direção
    e o segredo repleto de sonhos frustrados pelo incrível
    Todos os fracos desistiram reprimidos pelo medo de não ser
    entregando os pontos onde os tontos são tantos
    todos os fracos tomaram comprimidos tentaram esquecer
    duvidando dos santos quando os prantos são tantos

    Todos os fracos num espelho trincado
    pra sete anos de azar
    todos os fracos meu espelho evitado
    como se pudesse evitar

Nem Tão São

2000

  • 01 - A Miragem


    Um flash Sem eira nem beira
    Não diga besteira...
    É bom você saber
    ...Merece...
    Respeito é bom e eu gosto
    Aposto que o seu gosto é duvidoso

    E é tão claro que o que foi
    Já não é mais vantagem
    Vai pela sombra
    e o que sobra é miragem
    E é tão fácil separar o que foi
    do que não foi bobagem
    Vá pela sombra
    e o que sobra é a miragem

    Esquece que o jogo é jogado
    Me deixa de lado o resultado
    Não vale nada
    Conhece de trás, pra frente
    o verso todo
    Rimando com a situação

    E é tão claro que o que foi
    Já não é mais vantagem
    Vai pela sombra
    e o que sobra é a miragem
    E é tão fácil separar o que foi
    do que não foi bobagem
    Vá pela sombra
    e o que sobra é a miragem

    Parceria só com quem convém
    não tem o menor cabimento
    Já não vale um vintém
    E nem terá o meu consentimento

    E é tão claro que o que foi
    Já não é mais vantagem
    Vai pela sombra
    e o que sobra é a miragem
    E é tão fácil separar o que foi
    do que não foi bobagem
    Vá pela sombra
    e o que sobra é a miragem

  • 02 - Quase um Segundo


    Eu queria ver no escuro do mundo
    onde está tudo que você quer
    Prá me transformar no que te agrada
    no que me faça ver

    Quais são as cores
    e as coisas pra te prender
    Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
    por isso eu te liguei...

    Será que você ainda pensa em mim
    Será que você ainda pensa

    Às vezes te odeio por quase um segundo
    depois te amo mais
    Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
    que não me deixa em paz

    Será só imaginação...
    Será que é tudo isso em vão...

  • 03 - Aponta de um Iceberg


    Compromisso poderia ser
    Alternativa do que é vivaz
    Mas não é o caso, se foi descaso,
    Quem mentiu?

    Não fazer o suficiente
    ou por fazer demais...
    Afinal, qual é a medida, me diga
    Quem mediu?

    Vil essa dor, que ninguém vê
    Anil era a cor que mudou
    de acordo com o que você sentiu
    Indicador,
    a ponta de um iceberg liquefativo o fato:
    Você existiu...
    Em qualquer conjugação do verbo existir...

    Na falta que você me faz
    do tempo que não volta atrás
    No tempo que não volta atrás
    Da falta que você me faz

  • 04 - Ilha Eu


    E apenas o céu olhou pra mim
    Quando eu perdi a trilha
    No meio de tanta água
    Eu fui minha própria ilha

    O céu e o infinito na frente
    Não hesitei e zarpei ao mar
    Abandonei a respiração
    Sem olhar pra trás
    Eu jamais, jamais pensei em voltar

    Quanto maior o vôo
    Maior a queda
    Eu moldei meu sonho
    Como a água molda a pedra

    Você foi de cabeça pra tentar se convencer
    E eu até pensei que ia conseguir
    Você se informou tanto
    Sobre quem amou de verdade
    Nem pensou um só instante
    Que podia me destruir

    E apenas o céu olhou pra mim
    Quando eu perdi a trilha
    No meio de tanta água
    Eu fui minha própria ilha

    O céu olhou pra mim
    E eu perdi a trilha
    No meio de tanta água
    Eu fui minha própria ilha

  • 05 - Pêndulo


    Entre a dor e o gosto, resta um breve tempo
    onde moro imune feito o entardecer
    Entre, a cor do rosto desta tarde à toa
    quando a noite insiste em aparecer
    Vão dizer...
    Entre o certo e o medo, um muro
    construído com a imaginação, ou não

    Entre o nobre e o lixo um lugar tão perto
    nem a tolerância fará suportar
    Entre o feio e o falso
    a arrogância momentânea não deve acabar
    Vão-dizer...
    Entre o certo e o medo, o muro
    construído com a imaginação, ou não

    Quantas vezes tentei parar
    Quantas vezes pude encarar
    Um dia muda, o dia passa
    Um dia rasga, o dia acaba
    E segue firme o movimento deste pêndulo
    deste pêndulo...

  • 06 - Divã


    O que me consome
    Consumo e some também
    O que me consola
    Esmola não me faz bem
    O que me atola
    É lama que não sai, Dalai
    O que me atura
    Não dura, nem fica, nem vai
    O que me chateia
    Passeia numa tarde nublada
    O que me incendeia
    Derruba essa porta fechada
    O que me apaga
    Alaga até pensamento
    O que me assola
    Decola no sopro do vento...

    O que me persegue
    Não consegue ficar pra trás
    O que me assusta
    Se nada é um pouco mais
    O que me domina
    Controle não é paz
    O que me fascina
    Repele e tanto faz

    O que me consome
    Não dura, nem fica, nem vai
    O que me consola
    É lama que não sai, Dalai
    O que me atola
    Esmola não me faz bem
    O que me atura
    Consumo e some também
    O que me chateia
    Decola no sopro do vento
    O que me incendeia
    Alaga até pensamento
    O que me apaga
    Derruba essa porta fechada
    O que me assola
    Passeia numa tarde nublada...

  • 07 - Tão São


    Perplexo
    suando um frio polar pelos poros
    ...efeitos sonoros...
    Um trepidar que vem de fora

    Reflexo
    soando um Rio solar em carnaval
    festa, coisa e tal
    quando acaba, vou embora
    Me acabo, caio fora

    Nem Tão São
    É tão, então posso dizer
    exceção à regra, só
    Tão são que não deveria ser
    O chão que você pisa é o mesmo que te apóia
    (que te apóia...)

  • 08 - Impressões


    Fecho as portas
    Olhos e sentidos se perderam
    Espelho que reflete pouco
    vem você e
    na boca o gosto do dizer
    da janela ficam espiando
    e é só sufocar um pouco
    dão valor pro ar

    e disse como vai você
    se disse, lembro de você...

    Talvez seja o início de um fase
    que ainda não aconteceu
    Um sopro no vazio da vida
    Quem ainda não vive
    como queria, como teria?
    O que dirá divagando "devagar e sempre"
    Indo pr'algum lugar...

    Talvez seja o início de uma fila
    caso eu canse, guarde o meu lugar
    a sonora presença debochada de
    seu jeito me move
    como sentia, cometeria
    O absurdo abstrato tá na sua mente
    Justo onde deve estar

  • 09 - Boa Noite


    Meu ar de dominador
    dizia que eu ia ser seu dono
    e nessa eu dancei
    Hoje no universo
    nada que brilha cega mais que seu nome

    Fiquei mudo ao lhe conhecer
    o que vi foi demais, vazou
    por toda selva do meu ser
    nada ficou intacto
    Na fronteira de oásis
    meu coração em paz se abalou
    é surpresas demais que trazes
    inda bem que eu sou Flamengo

    Mesmo quando ele não vai bem
    algo me diz é rubro-negro
    que o sofrimento leva além
    não existe amor sem medo
    Boa noite...

    Quem não tem pra quem se dar
    o dia é igual a noite
    Tempo parado no ar há dias
    Calor, insônia, oh... noite
    Quem ama vive a sonhar de dia
    voar é do homem
    vida foi feita pra estar em dia
    com a fome, com a fome, com a fome
    Se vens lá das alturas
    com agruras ou paz
    Oh... meu bem
    serei seu guia na terra
    Na guerra ou no sossego
    tua beleza é o cais
    e eu sou o homem
    que pode lhe dar além de calor
    fidelidade
    minha vida por inteiro lhe dou
    minha vida por inteiro lhe dou
    minha vida por inteiro lhe dou...

  • 10 - Outra Paisagem (Pb)


    No céu nublado pode ser que fique muito diferente
    Hora errada, o lugar é outro
    Outra paisagem

    Quando esqueço, já não ouço você
    Não é muito pra tentar entender
    No instante em que bastava não perder

    É quando penso no que posso fazer
    E se não era, até pode ser
    Que eu esteja muito enganado

    Se agora vem dizer
    Como se não fosse tanto
    E no entanto, sente o tempo correr
    E a falta do encanto

    Quando esqueço, já não lembra você
    Não é muito pra tentar entender
    No instante em que bastava não perder

    Quando penso no que posso fazer
    E, se não era, até pode ser
    Que eu esteja muito enganado

    Fosse tarde pra dizer
    Ainda assim diria
    Fosse um nada
    Jogo tudo pro alto
    E do fim vem um começo
    Vem um começo

  • 11 - Ninguém


    É que ninguém falou
    o que não era sabido
    É que ninguém notou
    e tanto havia sentido

    Não poderia dizer
    o que não tinha vivido
    Nem deveria dizer
    quando já tinha esquecido
    Já não queria saber
    Não saberia dizer o quanto tinha fingido...

    E se eu encontrasse o "dono da verdade"
    e inventasse outra realidade
    (se eu encontrasse, inventasse, me livrasse...)

    Só que ninguém chorou
    pela descrença no infinito
    Só que ninguém levou
    a culpa pelo que foi dito
    Só que ninguém falou...
    É que ninguém levou a culpa
    pelo que foi dito...

  • 12 - Divã (Jungian Trip)


    O que me consome
    Consumo e some também
    O que me consola
    Esmola não me faz bem
    O que me atola
    É lama que não sai, Dalai
    O que me atura
    Não dura, nem fica, nem vai
    O que me chateia
    Passeia numa tarde nublada
    O que me incendeia
    Derruba essa porta fechada
    O que me apaga
    Alaga até pensamento
    O que me assola
    Decola no sopro do vento...

    O que me persegue
    Não consegue ficar pra trás
    O que me assusta
    Se nada é um pouco mais
    O que me domina
    Controle não é paz
    O que me fascina
    Repele e tanto faz

    O que me consome
    Não dura, nem fica, nem vai
    O que me consola
    É lama que não sai, Dalai
    O que me atola
    Esmola não me faz bem
    O que me atura
    Consumo e some também
    O que me chateia
    Decola no sopro do vento
    O que me incendeia
    Alaga até pensamento
    O que me apaga
    Derruba essa porta fechada
    O que me assola
    Passeia numa tarde nublada...

    O que me persegue
    Não consegue ficar pra trás
    O que me assusta
    Se nada é um pouco mais
    O que me domina
    Controle não é paz
    O que me fascina
    Repele e tanto faz

    "É tempo de NADA,
    que nada fosse pra esquecer de vez,
    do que disse, 'ou que não soube dizer
    Do dia que te conheci
    e lembrei do tanto que deixei de fazer...
    guardei pra depois e 'depois' virou agora,
    só que agora é outro papo pro ar,
    diferente do que imaginei...
    Só sei que descobri e tá bom.
    A solidão tem som!"

    O que me persegue
    Não consegue ficar pra trás
    O que me assusta
    Se nada é um pouco mais
    O que me domina
    Controle não é paz
    O que me fascina
    Repele e tanto faz

  • 13 - Pra Começar


    Pra começar
    Quem vai colar
    Os tais caquinhos
    Do velho mundo

    Pátrias, famílias, religiões
    E preconceitos, quebrou não tem mais jeito

    Agora descubra de verdade o que você ama,
    Que tudo pode ser seu

    Se tudo caiu, que tudo caia, pois tudo raia,
    E o mundo pode ser seu...

    Pra terminar...

DVD

Alive In Brazil

2009

  • 01 - Me Tira Daquiii (vendo, vendo, vendo)


    Me tira daqui
    Me deixa fugir
    Fugir de você
    De tudo que não foi acertado
    Me esquece, morri
    Eu nunca existi
    Passei por aqui tão rápido
    Nem fui reparado
    Quando foi que te vi
    Quando admiti
    Alguém que me fizesse esse mal danado
    Me solta, fingi
    Que nunca esqueci
    Que já perdi um tempo ao seu lado

    Vendo as certezas mais insistentes
    Vendo as mentiras mais convincentes
    Um pouco beijo de despedida
    E chegada na estação

    Não sei se quero ver, vender ou vendar

    Vendo as certezas mais evidentes
    Vendo as mentiras mais indecentes
    Enfeitadas com cuidado
    Numa vitrine em promoção

    Não sei se quero ver, vender ou vendar

  • 02 - Longe Aqui


    Os pais de sua namorada exigiram o fim daquela relação
    que já durava cinco meses de muito carinho e reprovação

    Sempre que se chateava cortava os braços com gilete pra chamar atenção
    Tinha carência afetiva, achava que seus pais gostavam mais do irmão...

    Um dia olhou pela janela, imaginou como seria o seu vôo até o chão
    Mas quando pensou na sujeira que ela causaria..
    desistiu, foi ver televisão

    Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer... Como todos esperavam!
    Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer... Como todos desejavam!

    Até que ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Pra distante o bastante pra suportar

    Ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Tão distante parada no mesmo lugar

    Ela partiu...
    Ela partiu ao meio

    Ensaiou o que diria se um dia fosse artista homenageada no Faustão
    Enxugaria as lágrimas, abraçaria amigos e a mãe teria o seu perdão
    Voltando a realidade, ela encontrava um quadro que não tinha muita solução
    Se achava velha, muito nova, gorda ou muito feia
    Sempre inadequada pra situação...

    Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer... Como todos esperavam!
    Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer... Como todos desejavam!

    Até que ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Pra distante o bastante pra suportar

    Ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Tão distante parada no mesmo lugar

    Ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Pra distante o bastante pra suportar

    Ela partiu, ela partiu pra bem longe
    Tão distante, onde nunca deixou de estar

    Ela partiu... Ela partiu ao meio.

  • 03 - Mondo Muderno (d mierda)


    Tudo que faço é pra mim
    Até a bondade que ofereço
    Fui evoluindo assim
    Pra conseguir o que mereço

    Questão de sobrevivência
    Quem falou em decência?
    Passo por cima pra ninguém me atropelar
    O que é que há?sai pra lá!
    O seu vem depois, muito natural
    Depois, se sobrar tempo, meu caro
    Vou ser a pessoa mais legal
    Se restar alguma migalha, fui claro?

    Depois, se sobrar espaço
    Ninguém é de ferro
    Ninguém é de aço
    E é no berro que faço
    O diacho pra garantir o meu
    Compreendeu?
    Com certeza
    A seleção natural é da natureza
    Então por gentileza
    Vê se não cansa a beleza
    E responda a seguinte questão:

    Você é diferente?
    Não é assim?
    A gente logo sente
    Quem é ruim
    Você, Madre Teresa
    Uma bondade só
    Vai ensinar ao mundo
    Um amor maior
    No mondo muderno
    No mondo muderno

  • 04 - Você não me Conhece nem Fodendo


    Você me quer bem
    Quando eu tô legal
    Te incomoda porque
    Me faz bem
    Pra jogar na cara
    O que acabou de fazer

    Me deprime, me derruba
    E depois reza por mim
    E o meu crime, apagar as velas antes do fim

    Você começa esse jogo chato e eu acabo
    Manda seu Boeing na torre, não desabo
    Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
    com o diabo...

    Na sua ironia burra, dou cabo
    Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
    Enfia sua vida cor de rosa no rabo do diabo...

    Você não me conhece
    Mas me ama pra sempre porque te convém
    Desaparece
    Se pinta outro atalho
    Não sou mais ninguém

    Me deprime, me derruba
    E depois reza por mim
    E o meu crime, apagar as velas antes do fim

    Você começa esse jogo chato e eu acabo
    Manda seu Boeing na torre, não desabo
    Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
    com o diabo...

    Na sua ironia burra, dou cabo
    Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
    Enfia sua vida cor de rosa no rabo do diabo...

    Quem nunca confere o que pode estar além...
    Quem com o ferro não fere,
    será ferido também!

    Você não me conhece (4x)

  • 05 - Cotidiano de um Casal Feliz


    Alguém sabe dizer o que é normal?
    Pode parecer tão natural(2x)

    Ele manda em tudo, em todos
    Curte seu poder
    E deixa a esposa em casa
    Pra brincar no treco
    De qualquer traveco
    Em troca de prazer
    Vai saber porque...ieiê
    E a esposa anda malhada
    Fez lipoescultura
    E a falta de cultura
    Nunca foi problema
    Ela tem dinheiro
    Pra dar e vender Lê Paulo Coelho e seicho-no-ie
    Vai saber porque...iê

    E eles têm escravos
    Disfarçados de assalariados
    Diariamente humilhados
    Se levantam cedo, se arrumam apressados
    Têm hora marcada pra falar com Deus

    Alguém sabe dizer o que é normal?
    Pode parecer tão natural (2x)

    Ele guarda no HD
    Fotos de crianças nuas, pra tirar um lazer
    Curte ver aquilo quando fica só
    Ela conta os passos que dá no trajeto
    Entre a terapia e a boca do pó

    E até pensa em adotar alguma criatura,
    Pode ser uma criança ou um labrador
    Só depende da raça, depende é da cor
    Que pintar primeiro..
    Ele faz como ninguém a cara de quem não sabe mentir
    Pode admitir, pra ocupar o vazio da relação
    Mas com uma condição:
    Não quer dar banho,
    Nem limpar merda o dia inteiro

    Eles foram ver o show da Diana Krall
    Que alguém falou que era genial
    Gritaram "uhuul" do camarote
    Enchendo a cara de Scotch

    E eles têm escravos
    Disfarçados de assalariados
    Diariamente humilhados
    Se levantam cedo, se arrumam apressados
    Têm hora marcada pra falar com Deeeeeeuss! ououôô

    Alguém sabe dizer o que é normal?
    Pode parecer tão natural (2x)

  • 06 - A Miragem


    Um flash
    Sem eira nem beira
    Não diga besteira...
    É bom você saber
    ...Merece...
    Respeito é bom e eu gosto
    Aposto que o seu gosto é duvidoso

    E é tão claro que o que foi
    Já não é mais vantagem
    Vai pela sombra
    e o que sobra é miragem
    E é tão fácil separar o que foi
    do que não foi bobagem
    Vá pela sombra
    e o que sobra é a miragem

    Esquece que o jogo é jogado
    Me deixa de lado o resultado
    Não vale nada
    Conhece de trás, pra frente
    o verso todo
    Rimando com a situação

    E é tão claro que o que foi
    Já não é mais vantagem
    Vai pela sombra
    e o que sobra é a miragem
    E é tão fácil separar o que foi
    do que não foi bobagem
    Vá pela sombra
    e o que sobra é a miragem

    Parceria só com quem convém
    não tem o menor cabimento
    Já não vale um vintém
    E nem terá o meu consentimento

    E é tão claro que o que foi
    Já não é mais vantagem
    Vai pela sombra
    e o que sobra é a miragem
    E é tão fácil separar o que foi
    do que não foi bobagem
    Vá pela sombra
    e o que sobra é a miragem

  • 07 - Aquela Música


    Tocava aquela música que era a nossa cara
    Quis saber como você estava
    Senti a sua falta...
    Bem que você podia me ligar

    Como vai? O que tem feito?
    Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
    Pra fingir que "tá"tudo certo
    Que a minha vida continua da mesma maneira
    Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
    E agora um deserto
    Já sei que as flores de plástico não vivem

    Deixava aquela música invadir a sala
    Pra preencher o espaço que você deixou
    Quem sabe você volta... até a música parar

    Como vai? O que tem feito?
    Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
    Pra fingir que "tá" tudo certo
    Que a minha vida continua da mesma maneira
    Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
    E agora um deserto
    Já sei que as flores de plástico não vivem

  • 08 - Nera


    Incendiando tudo ao meu redor
    Incendiando minha vida
    Eu só observando a natureza dessa chama
    Que inflama, se alimenta com seu ar
    Ar que me falta, que me esgota
    Toda vez que você chega
    Mas não chega
    E me trata com desdém
    Também nem bem me conheceu
    (me falta, esgota, você não chega)

    Me esforço, me lanço
    Me queimo no fogo
    Insisto, resisto
    Invisto no jogo
    Sem cartas na mesa
    Certeza nenhuma

    Nera, Nera

  • 09 - A Falta que a Falta Faz


    Outra vez, as coisas ficam fora do lugar
    Quando então, começo a me sentir em casa...

    E se o desejo é uma desordem
    Um "mãos ao alto, fique onde está!"
    sem alarde me recolho,
    Escolho me calar

    E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
    Toda certeza que supomos
    Mas a vida lá fora
    Tá chamando agora
    E não demora!
    Quem dá mais?
    Na falta que a falta faz

    Outra vez, meus olhos devem me denunciar
    como não reparo no que me atrasa?

    E se o desejo é uma desordem
    Um "mãos ao alto, fique onde está!"
    sem alarde me recolho,
    Escolho me calar

    E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
    Toda certeza que supomos
    Mas a vida lá fora
    Tá chamando agora
    E não demora!
    Quem dá mais?
    Na falta que a falta faz

    E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
    Toda certeza que supomos
    É que vida lá fora
    Tá chamando agora
    Não demora!
    Quem dá mais?
    Na falta que a falta faz

  • 10 - Quando fui Fred Astaire


    Começou a faltar a gravidade naquele dia
    E o que não se amarrava,
    Voava até se perder
    Declarado estado de calamidade
    E o que se temia
    Ninguém explicava
    E eu ficava sem entender

    Ouvi dizer que tinha a ver
    com a grande mudança no universo
    Uma alteração na dimensão de um outro espaço qualquer
    Coisa muito difícil pra macaco sabido compreender
    E eu que sempre sonhei em voar
    Só queria sobreviver
    Mas como não sabia o que ia acontecer
    Aproveitava e dançava no teto
    Feito Fred Astaire

    E o mundo fazia sentido
    De pernas pro ar
    E o mundo visto ao contrário
    Parecia no lugar

    Começou a faltar gravidade naquele dia...

  • 11 - Por um Pouco de Paz (Crime do Desassossego)


    Cumpro a sentença,
    E compenso o que a cela limita
    Peço licença de meu senso
    E me faço visita
    Me conto como está um antigo amigo inventado
    Confesso a saudade de estar comigo ao meu lado
    E tento cavar um túnel
    Que me leve de volta
    A tudo que me prendeu
    Sem saber ao certo se era eu

    Naquele instante
    Diante da chance
    De roubar um pouco de paz
    Roubar um pouco de paz

    Preso por não ter sossego

    Sem recompensa
    Um clima tenso e a pena me irrita
    Mas não faz diferença
    Me convenço e cancelo a visita
    Me dou um bolo sem nenhum sabor
    Bolo um plano de fuga à prova de dor
    E tento cavar um túnel
    Que me leve de volta
    Ao mundo que me prendeu
    Sem saber ao certo se era eu

    Naquele instante
    Diante da chance
    De roubar um pouco de paz
    Roubar um pouco de paz

    Brigo pelo estopim de um motim, de uma fuga em massa
    Uma rebelião qualquer que me devolva a graça
    E um sol quadrado não me aquece, já não amanhece
    O brilho que existia em meus olhos

    Naquele instante
    Diante da chance
    De roubar um pouco de paz
    Roubar um pouco de paz

    Preso por não ter sossego

  • 12 - Assim, de Repente


    Cuspiu no prato que raspou
    Duvidou que um dia fosse mudar de idéia
    Não preparou, se mandou, evaporou
    Espatifou o prato na parede
    E eu catando os cacos pra tentar colar depois
    Mas depois não vou que não tem
    Não vou que não tem, nem vai que não tô
    Como quisesse pisar...
    Só por maldade ignorou
    Seria realmente assim
    E se pudesse levava até a saudade
    Mas deixou...
    Impregnada em cada fração de mim

    Da noite pro dia
    Nem sabia que aquela seria
    A última vez que a via
    Da noite pro dia
    Ela sorria e me garantia
    Estar na maior alegria
    Da noite pro dia
    A ironia é serventia...
    Por conta da casa vazia
    Da noite pro dia

    Você meu remédio tarja preta
    Só com prescrição
    Onipresente feito o ar

  • 13 - Preciso Poder


    Preciso poder contar com você
    Ter outras eternidades ao seu lado
    E me divertir com os caprichos da nossa vontade
    Preciso poder explodir nosso big bang
    Sempre que for necessário um novo começo
    Ou até mesmo pelo prazer da novidade

    Poder te olhar e já entender
    Sem ser preciso desdizer
    Nem dizer toda verdade
    Poder errar e não me esconder
    Não ter que ter nenhum poder
    E poder não ter

    Será querer demais?
    Será pedir demais?
    Será poder demais?

    Preciso poder gritar com você
    E preservar o respeito em potes transparentes
    Etiquetados com o prazo de validade
    Preciso poder me satisfazer
    Por estar por perto, mesmo afastado
    E confiar, na certeza da cumplicidade

    Poder te olhar e já entender
    Sem ser preciso desdizer
    Nem dizer toda verdade
    Poder errar e não me esconder
    Não ter que ter nenhum poder
    E poder não ter

    Será querer demais?
    Será pedir demais?
    Será poder demais?

    Preciso poder ser impreciso
    Preciso poder

  • 14 - Num Labirinto


    Nunca soube exatamente como vencer
    Fui deixando arrumada a mala
    Sentia o cheiro forte de éter no ar

    Todo um circo armado, querendo agradar
    E a burrice no erro de deixar passar
    Pois por passar por mim, o fim deixava de ser

    Eu me joguei num labirinto
    Deixei de lado o que eu sinto
    Tão cego que ficava impossível
    Ir além do raso

    Eu me afoguei num mar de rosas
    Me enganei em verso e prosa
    Tão certo que já tava perto
    Me afastei, perdido

    Sempre soube exatamente como perder
    E fui deixando desarrumada a sala
    Na bagunça não podia mais me encontrar

    Todo um circo armado querendo enrolar
    E a burrice estampada por deixar pra lá
    Mas por passar por mim, o fim deixava de ser

    Eu me joguei num labirinto
    Deixei de lado o que eu sinto
    Tão cego que ficava impossível
    Ir além do raso

    Eu me afoguei num mar de rosas
    Me enganei em verso e prosa
    Tão certo que já tava perto
    Me afastei, perdido

    Eu me joguei num labirinto
    Deixei de lado o que eu sinto

  • 15 - Aponta de um Iceberg


    Compromisso poderia ser
    Alternativa do que é vivaz
    Mas não é o caso, se foi descaso,
    Quem mentiu?

    Não fazer o suficiente
    ou por fazer demais...
    Afinal, qual é a medida, me diga
    Quem mediu?

    Vil essa dor, que ninguém vê
    Anil era a cor que mudou
    de acordo com o que você sentiu
    Indicador,
    a ponta de um iceberg liquefativo o fato:
    Você existiu...
    Em qualquer conjugação do verbo existir...

    Na falta que você me faz
    do tempo que não volta atrás
    No tempo que não volta atrás
    Da falta que você me faz

  • 16 - Abismo (Under Doses)


    Quando lava não seca
    É que não vira pedra o que vem de seu vulcão
    Rastro que fica, apaga
    O que já estava espalhado pelo chão
    Seu segundo é mais longo
    Cabe nos traços da palma de minha mão
    Suas frases de efeito
    Que não revelam a verdadeira intenção

    Você me jura que não vai prometer
    E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser

    Antes de ir embora
    De sair pra rua
    De tirar qualquer conclusão
    Mesmo que demore
    E ninguém nos salve
    Heróis nascem em overdose na televisão

    Nada perto da arrebentação
    Nada perto de mim
    Se afogando no próprio veneno
    E não é que o mundo é mesmo pequeno
    Passos em falso na beira do abismo que há entre nós
    E a impressão que fica da solidão é tão menor...
    Quando estamos sós

    Você me jura que não vai prometer
    E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser

    Antes de ir embora
    De sair pra rua
    De tirar qualquer conclusão
    Mesmo que demore
    E ninguém nos salve
    Heróis nascem em overdose na televisão

  • 17 - Estrela de um Céu Nublado


    Decidiu que precisava ser alguém no mundo
    e não "mais um na multidão"
    Resolveu investir fundo nas aulas de interpretação
    Foi morar no Rio de Janeiro, tiro certeiro pra tentar a sorte em Projacland...
    Alugou um conjugado no Catete
    Arrumou uma vaga de barman num bar descolado pra cacete
    atores, modeletes, formadores de opinião,
    wannabes de plantão
    Foi lá no balcão
    que um assistente de direção da novela das 6 (6,6)
    lhe prometeu uma figuração talvez...
    aí ele se animou, se empolgou, nem dormia mais
    - pobre rapaz -
    logo descobriu que o sujeito não era quem dizia ser
    mas na verdade um ator desempregado, frustrado,
    que tinha um blog pouco freqüentado
    e se sentia só e mal acompanhado

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Conheceu Dora enquanto trabalhava no bar
    Servindo bebidas, ela soltando fumaça no ar
    Perua desquitada que vivia da pensão do ex-marido
    Empresário falido que sofria de síndrome de Dow Jones...
    E não é que a madame realmente tinha bons contatos em Projacland...
    Isso foi levado em consideração!
    Encarar a "vovó" podia ser a solução
    resolveu segurar o rojão
    investiu naquela estranha relação
    na tentação de ser famoso...

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Dora resolveu que iria ajudar o garotão
    Mais um que queria ser artista de televisão... ok então...
    numa tarde no salão, enquanto jogava sudoku
    e depilava a virilha, ligou do celular da filha
    pra um amigo diretor picudo e lhe solicitou:
    "Receba o garoto. Quando é quem tem teste? Enfia ele no teste!"
    O picudo respondeu:
    "Agora não tem teste, mas uma festa com show do Jota Quest.
    Leva seu bonitinho, Dora. Confio no seu faro.
    Conheço o rapaz lá na hora,
    e se eu for com a cara dele, enfio num teste,
    eu enfio... enfio, é claro!"

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Na festa badalada, foi cantado pelo poderoso diretor
    que lhe ofereceu trabalho e amor
    lhe deu dicas de comportamento e recomendou:
    "saia logo do armario!"
    Ele respondeu que não estava em nenhum armário,
    muito pelo contrário
    Não tinha nada contra gays, só não era um
    O coitado perdeu a vez
    Depois de tal afirmação, foi excluído,
    rejeitado, difamado...

    Nasceu pra ser uma estrela
    Era tudo que ele mais queria
    mas o céu tava sempre nublado
    Estrela que ninguém via
    e quando o dia amanhecia
    o seu tempo já tinha passado

    Passou a beber até cair, sacou que não teria uma chance
    Seu desejo distante de seu alcance
    Na deprê, engordou mais de 20 quilos em um ano
    Seu maior erro foi nunca perceber o engano...
    Jogou a toalha na vida
    entregou os pontos e aos prantos/chorando pelos cantos,
    escreveu uma carta de despedida:
    "Dora, querida. Quero meu corpo cremado, para que ele seja
    espalhado por toda cidade cenográfica em Projacland."

  • 18 - Pode Agradecer (Relationshit)


    Sufoquei, não deixei você sair sem mim
    Vigiei só pra garantir
    Infernizei, controlei cada segundo ...
    Liguei só pra verificar

    Te cerquei, coloquei escuta, grampeei o telefone
    Afastei amigos
    Ameacei violência, apaguei o seu passado
    Odiei não estar lá

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Quebrei presentes sabe-se lá de quem
    Rasguei fotos sei muito bem de quem
    Queimei cartas que não escrevi...não
    Não deixei, proibi, não permiti
    Roupas, gestos, sorrisos que não consenti
    Evitei que seu brilho ofuscasse o meu

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Chantageei até chorei
    Pena e medo sempre boas coleiras
    Enrolei, explorei e até chifrei
    Pequenas besteiras

    Te marquei feito um gado, fui seu dono
    E tranquei, castiguei, vampirizei
    Fiquei puto por não conseguir controlar o seu pensamento

    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, yeah yeah
    Mas amei você, amei você
    Mas amei você, pode agradecer

    Mas amei você, amei você ...
    Mas amei você, yeah yeah...
    Mas amei você, amei você ...
    Mas amei você, pode agradecer!

  • 19 - Breve Conto do Velho Babão


    Quis parar o tempo
    Não sabia envelhecer
    O velho babão
    Tinta no cabelo
    Farreava pra valer
    Tinta no cartão
    E quanta mentira usava pra fugir
    Do que desejava?
    Encontrar alguma explicação
    Pra "crise existencial"
    Que tratava seduzindo
    As amiguinhas de sua filha adolecente

    Sindrome do pânico,
    Medo de morrer
    Mijava no chão
    Enquanto bebia e tentava não sofrer
    Com a solidão
    E quanta a verdade guardava pra fingir
    Que não cobiçava
    Outra chance, outra encarnação?
    E a "crise existencial"
    Escondida num sorriso
    De verdadeiro nem os dentes da frente

    Chorava o leite derramado
    Tudo que havia conquistado
    Bens patrimoniais, relações profissionais
    Agora nem sabia muito bem pra quê...
    E no discurso decorado
    Tinha orgulho do passado
    Um passado que esquecia, toda vez que enlouquecia
    Se esfregando pelas raves, doido de "E"

    Até que um dia agonizou
    Ajoelhado, com a boca roxa, enfartando na balada
    E a molecada achando o lance engraçado, comentando:
    "Olha a dança do coroa, que piada!"

    (pagou pra ver, não viu
    durmiu garoto, acordou senil
    pagou pra ver e viu
    que o planejado nunca existiu)

    Quis parar o tempo
    E seu tempo acabou!

  • 20 - Formidável Mundo Cão


    O Cara se cansou de andar no mundo cão
    na janta com a família veio a solução:
    deu dois tiros no pai, depois três tiros na mãe
    sobrou uma bala pra cabeça do irmão
    No tribunal falou que tava bem doidão
    O advogado defendeu com o coração
    que ele era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
    Em 4 anos tava fora da prisão

    E foi curtir a vida em todo esplendor
    escreveu um livro que ensina ser um vencedor

    Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
    Tirar das costas esse peso
    No corre-corre de doidos e animais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
    Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
    Tirar das costas esse peso
    No empurra-empurra de freiras e marginais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso

    Tão logo concluiu: "com grana, sem prisão,
    ladrão que é malandro tem mil anos de perdão!"
    Favoreceu pra cá, mandou propina pra lá
    Então comprou uma rede de televisão
    Agora ele adorava aquele mundo cão
    podia saciar a sua ambição
    já que era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
    a paz de ter o amor na mira do canhão
    E foi eleito deputado, abriu contas no exterior
    virou dono da igreja "novos apóstolos do senhor"

    Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
    Tirar das costas esse peso
    No corre-corre de doidos e animais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
    Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
    Tirar das costas esse peso
    No empurra-empurra de freiras e marginais
    Ninguém será capaz de apontar quem tava preso

  • 21 - Tal do Amor (8 e 80)


    Às vezes me sinto a peça faltando em você
    Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter
    Ás vezes me sinto um castigo, uma praga, sua maldição
    Às vezes me sinto um abrigo, uma graça, sua salvação

    Mas se me desmantelo ao acaso
    Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
    8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
    De todo bom jogador

    Às vezes me sinto um ódio sobrando em você
    Às vezes me sinto um país que você nunca vai conhecer
    Às vezes me sinto arriado nos quatro pneus
    Às vezes me sinto nomeado interino de Deus

    Mas se me desmantelo ao acaso
    Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
    8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
    De todo bom jogador

    E se a gente perder
    Que seja derrota suada, sofrida, roubada...
    De mão beijada nem a pau!
    E se a gente ganhar
    Que seja vitória disputada, merecida, conquistada...
    Vou pro pau!
    Apostar na parte bacana do tal do amor
    Do tal do amor

    Às vezes me sinto a peça faltando em você
    Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter