DISCOGRAFIA
CD
Umbigobunker!?
2011
01 - Meu Melhor Inimigo
Enquanto não passar a "tempestade"
Nesse copo d'água de benzer ateu
Se o dilúvio vem do conta-gotas
Perco a conta e o prazer é seu...
Meu melhor inimigo quer me ajudar
Quando chega chegando sem avisar
Esfregando na cara que haverá
Quem me pague a recompensa
Meu melhor inimigo, onde quer chegar?
Na fronteira sem visto pra viajar
Me avisando que sempre estará
Exilado na cabeça
Vai demonstrar "sutileza de manada"
Ao festejar tanta babaquice
Enquanto perdurar
A eternidade dessa espera
Nosso tempo se perdeu
Quem pode bancar o prejuízo?
Peço a conta
E o prazer é seu...
Meu melhor inimigo quer me ajudar
Quando chega chegando sem avisar
Esfregando na cara que haverá
Quem me pague a recompensa
Meu melhor inimigo, onde quer chegar?
Na fronteira sem visto pra viajar
Me avisando que sempre estará
Exilado na cabeça
Vai divulgar a beleza perfumada
Ao rastejar pela imundície
Vai demonstrar "sutileza de manada"
Ao festejar tanta babaquice
Enquanto não murchar
A flor da idade,
Faz de conta
Que o prazer é meu
02 - Dia Desses
Dia desses
E era você perguntando o meu nome
Feito quem pergunta as horas
Com o relógio no pulso
De repente um medo de ficar só
Sei que amava essa ideia de estar com alguém
Embora não amasse além do espelho
Dia desses
E era você tatuando o meu nome
Feito quem devora sobras
Num presságio avulso
Me tratando a bolor nesse pão de ló
À queima roupa, errou seu disparo
E transformou em alvo o próprio pé
Bom saber
Mas qual foi a parte que ficou incompreendida?
Quer fazer
Um estardalhaço na janela da minha vida
Sublime onde o silêncio está
Num total descompasso
Com a educação
Foi querendo o meu braço
Nem reparou
No dedo médio dessa mão...
Bom saber
Mas qual foi a parte que ficou incompreendida?
Quer fazer
Um estardalhaço na janela da minha vida
Sublime onde o silêncio está
Dia desses
E era você maldizendo o meu nome
Justo quem defende as regras
Se o juiz for expulso
Dia desses
Um "dia-outro", um "dia-ontem" e um "dia-nunca-mais"
Dia desses
03 - Ah, Mas Bem que Você Gosta (Coprófaga)
Muito além do amasso
Era um chute nos bagos, era um soco no baço
Pelo maior pedaço de meu coração
Muito além do cansaço
Era um "tiro nos córneos", era o maior sanhaço
Era um erro crasso, qualquer condição
Então passou a odiar
Até a minha quinta geração
E perdeu as estribeiras
Então passou a comentar
Que eu era o professor do Gramunhão
Quis me empurrar da ribanceira
Agora não passo de um bosta
Ah, mas bem que você gosta
De deixar a mesa posta
Pra cair matando, chafurdando
Lambuzando a cara toda
Coprófaga
Coprófaga
Agora não passo de um bosta...
04 - Personal Saturno, Jupiter Privé
Quis encontrar
Algum sinal de vida
Em Personal Saturno
Quis respirar
vestígio de oxigênio
Em Jupiter Privé
Fosse qual fosse o nome do planeta hostil
Que você recriava pra brincar de Deus
Se era minha essa missão
"viajar por si só"
Orbitar em torno de lembranças
Do quanto sonhei
Enquanto busquei
Coisa de outro mundo
Coisa desse mundo meu
Queria o céu
Nem alcançava o chão
Em Personal Saturno
E habitei nesse singular planeta hostil
Gravitando memórias do que foi melhor
Se era minha essa missão
"viajar por si só"
Orbitar em torno de lembranças
Do quanto sonhei
E quanto desejei
Coisa de outro mundo
Coisa desse mundo meu
Por lá, tantas luas, nenhum céu, e os "luares das luas" não tinham um mar
Mas ainda procuravam por seus olhos...
Não enxerguei
Na imensidão do breu
Se o sol era você
Em Personal Saturno
Em Jupiter Privé
05 - Umbigobunker!?
O pretérito, mais que imperfeito,
Não leva em conta os meus planos pra seguir
Deita e borda, a torto e a direito
Meus cumprimentos pra quem não desistir
Hora dessas encontro um jeito
De ficar livre de tanto mal
Se alimenta em cada defeito
Um tempo inútil contemplando o próprio umbigo
Funcionando feito um bunker
Bem no meio desse campo de batalha
Entre aparentar alguém melhor
Ou simplesmente ser o que se pode ser
Simplesmente ser o que se pode ser
Com as fraturas expostas
Dispostas a nos expor
Fraturas expostas
Dispostas a nos expor
O "pretérito mais-que-imperfeito"
Não leva em conta os meus planos pra seguir
06 - Do Nada, Me Jogaram aos Leões
Do nada, me jogaram aos leões
Tive que rugir em alto e bom tom
Feito quem prefere rir daquelas jubas:
"mas que prazer
Em rever vocês,
Meus amigos
Amestrados!
Já pensaram em ver
Esses dentes cariados?"
O leão mais forte ordenou:
"nem pense em fugir, vamos por partes
Começando pela parte que interessa:
Quando você
Quer conhecer
Seus amigos
Mastigados
Pra satisfazer
Nossos dentes afiados?"
No sinal
O espetáculo vai começar
Garantindo sua diversão
A cobertura dos abutres já no ar!
Por sinal
O espetáculo já terminou
Pra recomeçar noutra versão
Dura até que o sangue pare de jorrar...
Mas pra poder convalescer,
Os amigos derrotados
Vão esmorecer
No "sopão dos desdentados"
No sinal
O espetáculo vai começar
Garantindo sua diversão
A cobertura dos abutres já no ar!
Por sinal
O espetáculo já terminou
Pra recomeçar noutra versão
Dura até que o sangue pare de jorrar...
E a plateia faz ideia
De também ter a sua plateia
Nessa alcateia de cordeiros
Um estranho sem tamanho
Nada ganho, tão tacanho
O curioso rebanho de lobos
E a plateia faz ideia
De não ter a panaceia
Nessa alcateia de cordeiros
Um estranho sem tamanho
Acompanho que arreganho
O curioso rebanho de lobos
Rugidos ouvidos
Por surdos e mudos
Urrando de fome por beleza
A versão dos fatos: aversão aos fatos!
Na riqueza e na pobreza
Até que a sorte lhes repare...
07 - Se é que Sonhei (Aquele Sonho "Esquizo")
Sonhei de novo aquele sonho "esquizo"
Dessa vez, me lembro de vários detalhes...
Conversei com o próprio Tempo
Que passava tão depressa,
Mas sem pressa alguma
convidou para dar uma volta
Cheguei ao infinito-exíguo-espaço
Sem chegar, se o Tempo nunca chega pois já está
Foi lá então que reparei que ao tentar
Tocar onde ele estava,
Me escapava por entre os dedos
Não quis o Tempo permitir
Pular a parte em que você ainda não está
Dei por mim e assim, me vi cercado
De especulações sobre os "porquês
mais sem quês" que ninguém entende
Não fiz o Tempo permitir
Pular a parte sem você aqui
Não quis o Tempo desistir
De seguir seguindo em frente
Por fim, quase me convenci
Que só por W.O.
Deus sabe o que faz
Até quando é cagada
Não sei se o sonho
Ou quem sonha é o "esquizo"
Nem sei se apenas estão me sonhando…
08 - Fabulosa Santa que Pariu
Onde absolveu
Culpados demais,
A carapuça sempre lhe serviu
Alimentou o desejo
De abraçar o "inebriante desamor"
Se faz questão de ter mais
Tempo pra confabular, me diz
Não vi nessa fábula
O meu papel
Onde absorveu
Sorrisos demais,
O "suco-de-linhaça-e-Rivotril"
Alimentei o desejo
De enterrar o "aliciante dissabor"
Se faz questão de ter mais
Tempo pra confabular, me diz
Não vi nessa fábula
Qual o seu papel
Se transpareceu
Perfeita demais,
Pode ser a santa que pariu...
09 - Presença Hecatombe
Quando você vem
Extrapolando a minha escala Richter
E o tremor também vai
Soterrando meu discernimento
Quando mais ninguém
Procura nas fissuras de um passado
E a rotina tem
Que lidar com ferros retorcidos
Quando você vem
Desmoronando minhas estruturas
Pra dançar tão bem
Nos entulhos das lembranças vagas
Procurando alguém
Pelos resquícios do que foi vontade
Indo mais além
Nos escombros do que desejamos ser
Haverá
Quem queira gastar a saliva
Pra destruir haverá
Cismo aguardar outro sismo
Presença hecatombe
Quando você vem
Extrapolando a minha escala Richter
E o tremor também vai
Soterrando meu discernimento
Quando mais ninguém
Celebra nas ruínas daquele futuro
E a rotina tem
Que dizer amém
Quando você vem
Desmoronando minhas estruturas
Pra brindar com quem esquece
Das lembranças boas
Procurando alguém
Pelos resquícios do que foi covarde
Ficando aquém
Nos escombros do que evitamos ter
Haverá
Quem queira lamber as feridas
Pra distrair haverá
Cismo aguardar outro sismo
Presença hecatombe
10 - Ritual da Chuva Seca
Quase não se contém
A ponto de comprometer
Custa encarar escadarias íngremes
Das relações
Fardo que lhe cai bem
Um alívio por também "sofrer"
Tenta enxergar a infância
Nas crianças das recordações
Até consegue escutar
Fantasmas gargalhando em seu porão
Pra garantir seu lugar
Vai se apoiar
Em mais de mil desculpas
Não tem culpa
Correu por fora
Comprou um milagre em oferta
Quem sabe ainda consiga revender...
Quase não se mantém
Nos trilhos de um alvorecer
Vai precisar de estômago, vontade
E certas restrições
Tentando abandonar
Fantasmas mendigando em seu portão
Reinventou seu lugar
Pra se apoiar
Em mais de mil desculpas
Não tem culpa
Nem se preocupa
Comprou um milagre na oferta
Quem sabe ainda consiga reverter...
Numa fome de Santa Ceia
Coliformes da mesma areia
Dançam índios da mesma aldeia
Celebrando o ritual da chuva seca
Numa fome de Santa Ceia
Insetos presos na mesma teia
Dançam índios da mesma aldeia
Celebrando o ritual da chuva seca
11 - E Assim, Saltar
De que jeito ficará?
Por onde foi cambalear
Quem deixou sem muro, grade ou portão
A nossa solidão
Que nunca foi de passear
Desatina numa usina
Fabricando amor
E se faz de morta
Por supor
Que é só um ensaio
Sendo assim,
Me resta então aproveitar
delícias nesse caos
Seguir enfim
Nas curvas dessa espiral
Os improvisos
Que interessam mais
Enquanto eu for capaz
De me surpreender...
De que forma ficará?
Será que vai "amarelar"
Se perder cantigas-no-colo-da-mãe?
A quem recorrerá?
A mais completa solidão
Amiúde um açude
Transbordando em dor
E se faz de doida
Por favor...
"maluca de pedra"
Sendo assim,
Me resta então aproveitar
Delícias nesse caos
Pra poder seguir enfim
Nas curvas dessa espiral
Os improvisos
Que interessam mais
Enquanto eu for capaz
De me surpreender
E assim, saltar
Sem saber se a rede está por lá
-Se é que um dia já esteve-
E se não estiver, invento...
Sendo assim,
Me resta então aproveitar
Delícias nesse caos
Seguir enfim
Nas curvas dessa espiral
Os improvisos
Que interessam mais
Enquanto eu for capaz
De me surpreender
12 - Quase Linda História de Amor
De onde vens
Leva o que eu nem sou
E fui muito mais
Da boca pra dentro
Foi por um triz
Noutra condição,
"Muito prazer, sejamos felizes!"
Se a obra do acaso acabou
Na quase linda história de amor
Vou guardar lembranças do que não viveremos
Tão bom enquanto não durou
Tanta perfeição
Por onde vais
Traz o que eu já fui
E falta-me a vez de uma vez por todas
O que não fiz
Quem me dera ter
Como voltar naquele momento
Se a obra do acaso teimou
Na quase linda história de amor
Vou guardar lembranças do que não viveremos
Tão bom enquanto não durou
Tanta perfeição
Sai pela rua sem saída
Que você não escolheu
Segue a nossa procissão
Levando imagens carregadas cores
Que nunca existiram
Nesse mundo de se sonhar
Um sonho a dois
Lá onde estás
Faço uma oração
E a sensação de paz e conforto
Alive In Brazil
2009
01 - Longe Aqui
Os pais de sua namorada exigiram o fim daquela relação
que já durava cinco meses de muito carinho e reprovação
Sempre que se chateava cortava os braços com gilete pra chamar atenção
Tinha carência afetiva, achava que seus pais gostavam mais do irmão...
Um dia olhou pela janela, imaginou como seria o seu vôo até o chão
Mas quando pensou na sujeira que ela causaria..
desistiu, foi ver televisão
Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer... Como todos esperavam!
Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer... Como todos desejavam!
Até que ela partiu, ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu, ela partiu pra bem longe
Tão distante parada no mesmo lugar
Ela partiu...
Ela partiu ao meio
Ensaiou o que diria se um dia fosse artista homenageada no Faustão
Enxugaria as lágrimas, abraçaria amigos e a mãe teria o seu perdão
Voltando a realidade, ela encontrava um quadro que não tinha muita solução
Se achava velha, muito nova, gorda ou muito feia
Sempre inadequada pra situação...
Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer... Como todos esperavam!
Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer... Como todos desejavam!
Até que ela partiu, ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu, ela partiu pra bem longe
Tão distante parada no mesmo lugar
Ela partiu, ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu, ela partiu pra bem longe
Tão distante, onde nunca deixou de estar
Ela partiu... Ela partiu ao meio.
02 - Mondo Muderno (d mierda)
Tudo que faço é pra mim
Até a bondade que ofereço
Fui evoluindo assim
Pra conseguir o que mereço
Questão de sobrevivência
Quem falou em decência?
Passo por cima pra ninguém me atropelar
O que é que há?sai pra lá!
O seu vem depois, muito natural
Depois, se sobrar tempo, meu caro
Vou ser a pessoa mais legal
Se restar alguma migalha, fui claro?
Depois, se sobrar espaço
Ninguém é de ferro
Ninguém é de aço
E é no berro que faço
O diacho pra garantir o meu
Compreendeu?
Com certeza
A seleção natural é da natureza
Então por gentileza
Vê se não cansa a beleza
E responda a seguinte questão:
Você é diferente?
Não é assim?
A gente logo sente
Quem é ruim
Você, Madre Teresa
Uma bondade só
Vai ensinar ao mundo
Um amor maior
No mondo muderno
No mondo muderno
03 - Você não me Conhece nem Fodendo
Você me quer bem
Quando eu tô legal
Te incomoda porque
Me faz bem
Pra jogar na cara
O que acabou de fazer
Me deprime, me derruba
E depois reza por mim
E o meu crime, apagar as velas antes do fim
Você começa esse jogo chato e eu acabo
Manda seu Boeing na torre, não desabo
Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
com o diabo...
Na sua ironia burra, dou cabo
Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
Enfia sua vida cor de rosa no rabo do diabo...
Você não me conhece
Mas me ama pra sempre porque te convém
Desaparece
Se pinta outro atalho
Não sou mais ninguém
Me deprime, me derruba
E depois reza por mim
E o meu crime, apagar as velas antes do fim
Você começa esse jogo chato e eu acabo
Manda seu Boeing na torre, não desabo
Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
com o diabo...
Na sua ironia burra, dou cabo
Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
Enfia sua vida cor de rosa no rabo do diabo...
Quem nunca confere o que pode estar além...
Quem com o ferro não fere,
será ferido também!
Você não me conhece (4x)
04 - Cotidiano de um Casal Feliz
Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural(2x)
Ele manda em tudo, em todos
Curte seu poder
E deixa a esposa em casa
Pra brincar no treco
De qualquer traveco
Em troca de prazer
Vai saber porque...ieiê
E a esposa anda malhada
Fez lipoescultura
E a falta de cultura
Nunca foi problema
Ela tem dinheiro
Pra dar e vender Lê Paulo Coelho e seicho-no-ie
Vai saber porque...iê
E eles têm escravos
Disfarçados de assalariados
Diariamente humilhados
Se levantam cedo, se arrumam apressados
Têm hora marcada pra falar com Deus
Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural (2x)
Ele guarda no HD
Fotos de crianças nuas, pra tirar um lazer
Curte ver aquilo quando fica só
Ela conta os passos que dá no trajeto
Entre a terapia e a boca do pó
E até pensa em adotar alguma criatura,
Pode ser uma criança ou um labrador
Só depende da raça, depende é da cor
Que pintar primeiro..
Ele faz como ninguém a cara de quem não sabe mentir
Pode admitir, pra ocupar o vazio da relação
Mas com uma condição:
Não quer dar banho,
Nem limpar merda o dia inteiro
Eles foram ver o show da Diana Krall
Que alguém falou que era genial
Gritaram "uhuul" do camarote
Enchendo a cara de Scotch
E eles têm escravos
Disfarçados de assalariados
Diariamente humilhados
Se levantam cedo, se arrumam apressados
Têm hora marcada pra falar com Deeeeeeuss! ououôô
Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural (2x)
05 - A Miragem
Um flash
Sem eira nem beira
Não diga besteira...
É bom você saber
...Merece...
Respeito é bom e eu gosto
Aposto que o seu gosto é duvidoso
E é tão claro que o que foi
Já não é mais vantagem
Vai pela sombra
e o que sobra é miragem
E é tão fácil separar o que foi
do que não foi bobagem
Vá pela sombra
e o que sobra é a miragem
Esquece que o jogo é jogado
Me deixa de lado o resultado
Não vale nada
Conhece de trás, pra frente
o verso todo
Rimando com a situação
E é tão claro que o que foi
Já não é mais vantagem
Vai pela sombra
e o que sobra é a miragem
E é tão fácil separar o que foi
do que não foi bobagem
Vá pela sombra
e o que sobra é a miragem
Parceria só com quem convém
não tem o menor cabimento
Já não vale um vintém
E nem terá o meu consentimento
E é tão claro que o que foi
Já não é mais vantagem
Vai pela sombra
e o que sobra é a miragem
E é tão fácil separar o que foi
do que não foi bobagem
Vá pela sombra
e o que sobra é a miragem
06 - Aquela Música
Tocava aquela música que era a nossa cara
Quis saber como você estava
Senti a sua falta...
Bem que você podia me ligar
Como vai? O que tem feito?
Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
Pra fingir que "tá"tudo certo
Que a minha vida continua da mesma maneira
Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
E agora um deserto
Já sei que as flores de plástico não vivem
Deixava aquela música invadir a sala
Pra preencher o espaço que você deixou
Quem sabe você volta... até a música parar
Como vai? O que tem feito?
Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
Pra fingir que "tá" tudo certo
Que a minha vida continua da mesma maneira
Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
E agora um deserto
Já sei que as flores de plástico não vivem
07 - Nera
Incendiando tudo ao meu redor
Incendiando minha vida
Eu só observando a natureza dessa chama
Que inflama, se alimenta com seu ar
Ar que me falta, que me esgota
Toda vez que você chega
Mas não chega
E me trata com desdém
Também nem bem me conheceu
(me falta, esgota, você não chega)
Me esforço, me lanço
Me queimo no fogo
Insisto, resisto
Invisto no jogo
Sem cartas na mesa
Certeza nenhuma
Nera, Nera
08 - A Falta que a Falta Faz
Outra vez, as coisas ficam fora do lugar
Quando então, começo a me sentir em casa...
E se o desejo é uma desordem
Um "mãos ao alto, fique onde está!"
sem alarde me recolho,
Escolho me calar
E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
Toda certeza que supomos
Mas a vida lá fora
Tá chamando agora
E não demora!
Quem dá mais?
Na falta que a falta faz
Outra vez, meus olhos devem me denunciar
como não reparo no que me atrasa?
E se o desejo é uma desordem
Um "mãos ao alto, fique onde está!"
sem alarde me recolho,
Escolho me calar
E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
Toda certeza que supomos
Mas a vida lá fora
Tá chamando agora
E não demora!
Quem dá mais?
Na falta que a falta faz
E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
Toda certeza que supomos
É que vida lá fora
Tá chamando agora
Não demora!
Quem dá mais?
Na falta que a falta faz
09 - Quando fui Fred Astaire
Começou a faltar a gravidade naquele dia
E o que não se amarrava,
Voava até se perder
Declarado estado de calamidade
E o que se temia
Ninguém explicava
E eu ficava sem entender
Ouvi dizer que tinha a ver
com a grande mudança no universo
Uma alteração na dimensão de um outro espaço qualquer
Coisa muito difícil pra macaco sabido compreender
E eu que sempre sonhei em voar
Só queria sobreviver
Mas como não sabia o que ia acontecer
Aproveitava e dançava no teto
Feito Fred Astaire
E o mundo fazia sentido
De pernas pro ar
E o mundo visto ao contrário
Parecia no lugar
Começou a faltar gravidade naquele dia...
10 - Por um Pouco de Paz (Crime do Desassossego)
Cumpro a sentença,
E compenso o que a cela limita
Peço licença de meu senso
E me faço visita
Me conto como está um antigo amigo inventado
Confesso a saudade de estar comigo ao meu lado
E tento cavar um túnel
Que me leve de volta
A tudo que me prendeu
Sem saber ao certo se era eu
Naquele instante
Diante da chance
De roubar um pouco de paz
Roubar um pouco de paz
Preso por não ter sossego
Sem recompensa
Um clima tenso e a pena me irrita
Mas não faz diferença
Me convenço e cancelo a visita
Me dou um bolo sem nenhum sabor
Bolo um plano de fuga à prova de dor
E tento cavar um túnel
Que me leve de volta
Ao mundo que me prendeu
Sem saber ao certo se era eu
Naquele instante
Diante da chance
De roubar um pouco de paz
Roubar um pouco de paz
Brigo pelo estopim de um motim, de uma fuga em massa
Uma rebelião qualquer que me devolva a graça
E um sol quadrado não me aquece, já não amanhece
O brilho que existia em meus olhos
Naquele instante
Diante da chance
De roubar um pouco de paz
Roubar um pouco de paz
Preso por não ter sossego
11 - Assim, de Repente
Cuspiu no prato que raspou
Duvidou que um dia fosse mudar de idéia
Não preparou, se mandou, evaporou
Espatifou o prato na parede
E eu catando os cacos pra tentar colar depois
Mas depois não vou que não tem
Não vou que não tem, nem vai que não tô
Como quisesse pisar...
Só por maldade ignorou
Seria realmente assim
E se pudesse levava até a saudade
Mas deixou...
Impregnada em cada fração de mim
Da noite pro dia
Nem sabia que aquela seria
A última vez que a via
Da noite pro dia
Ela sorria e me garantia
Estar na maior alegria
Da noite pro dia
A ironia é serventia...
Por conta da casa vazia
Da noite pro dia
Você meu remédio tarja preta
Só com prescrição
Onipresente feito o ar
12 - Preciso Poder
Preciso poder contar com você
Ter outras eternidades ao seu lado
E me divertir com os caprichos da nossa vontade
Preciso poder explodir nosso big bang
Sempre que for necessário um novo começo
Ou até mesmo pelo prazer da novidade
Poder te olhar e já entender
Sem ser preciso desdizer
Nem dizer toda verdade
Poder errar e não me esconder
Não ter que ter nenhum poder
E poder não ter
Será querer demais?
Será pedir demais?
Será poder demais?
Preciso poder gritar com você
E preservar o respeito em potes transparentes
Etiquetados com o prazo de validade
Preciso poder me satisfazer
Por estar por perto, mesmo afastado
E confiar, na certeza da cumplicidade
Poder te olhar e já entender
Sem ser preciso desdizer
Nem dizer toda verdade
Poder errar e não me esconder
Não ter que ter nenhum poder
E poder não ter
Será querer demais?
Será pedir demais?
Será poder demais?
Preciso poder ser impreciso
Preciso poder
13 - Aponta de um Iceberg
Compromisso poderia ser
Alternativa do que é vivaz
Mas não é o caso, se foi descaso,
Quem mentiu?
Não fazer o suficiente
ou por fazer demais...
Afinal, qual é a medida, me diga
Quem mediu?
Vil essa dor, que ninguém vê
Anil era a cor que mudou
de acordo com o que você sentiu
Indicador,
a ponta de um iceberg liquefativo o fato:
Você existiu...
Em qualquer conjugação do verbo existir...
Na falta que você me faz
do tempo que não volta atrás
No tempo que não volta atrás
Da falta que você me faz
14 - Abismo (Under Doses)
Quando lava não seca
É que não vira pedra o que vem de seu vulcão
Rastro que fica, apaga
O que já estava espalhado pelo chão
Seu segundo é mais longo
Cabe nos traços da palma de minha mão
Suas frases de efeito
Que não revelam a verdadeira intenção
Você me jura que não vai prometer
E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser
Antes de ir embora
De sair pra rua
De tirar qualquer conclusão
Mesmo que demore
E ninguém nos salve
Heróis nascem em overdose na televisão
Nada perto da arrebentação
Nada perto de mim
Se afogando no próprio veneno
E não é que o mundo é mesmo pequeno
Passos em falso na beira do abismo que há entre nós
E a impressão que fica da solidão é tão menor...
Quando estamos sós
Você me jura que não vai prometer
E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser
Antes de ir embora
De sair pra rua
De tirar qualquer conclusão
Mesmo que demore
E ninguém nos salve
Heróis nascem em overdose na televisão
15 - Estrela de um Céu Nublado
Decidiu que precisava ser alguém no mundo
e não "mais um na multidão"
Resolveu investir fundo nas aulas de interpretação
Foi morar no Rio de Janeiro, tiro certeiro pra tentar a sorte em Projacland...
Alugou um conjugado no Catete
Arrumou uma vaga de barman num bar descolado pra cacete
atores, modeletes, formadores de opinião,
wannabes de plantão
Foi lá no balcão
que um assistente de direção da novela das 6 (6,6)
lhe prometeu uma figuração talvez...
aí ele se animou, se empolgou, nem dormia mais
- pobre rapaz -
logo descobriu que o sujeito não era quem dizia ser
mas na verdade um ator desempregado, frustrado,
que tinha um blog pouco freqüentado
e se sentia só e mal acompanhado
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Conheceu Dora enquanto trabalhava no bar
Servindo bebidas, ela soltando fumaça no ar
Perua desquitada que vivia da pensão do ex-marido
Empresário falido que sofria de síndrome de Dow Jones...
E não é que a madame realmente tinha bons contatos em Projacland...
Isso foi levado em consideração!
Encarar a "vovó" podia ser a solução
resolveu segurar o rojão
investiu naquela estranha relação
na tentação de ser famoso...
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Dora resolveu que iria ajudar o garotão
Mais um que queria ser artista de televisão... ok então...
numa tarde no salão, enquanto jogava sudoku
e depilava a virilha, ligou do celular da filha
pra um amigo diretor picudo e lhe solicitou:
"Receba o garoto. Quando é quem tem teste? Enfia ele no teste!"
O picudo respondeu:
"Agora não tem teste, mas uma festa com show do Jota Quest.
Leva seu bonitinho, Dora. Confio no seu faro.
Conheço o rapaz lá na hora,
e se eu for com a cara dele, enfio num teste,
eu enfio... enfio, é claro!"
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Na festa badalada, foi cantado pelo poderoso diretor
que lhe ofereceu trabalho e amor
lhe deu dicas de comportamento e recomendou:
"saia logo do armario!"
Ele respondeu que não estava em nenhum armário,
muito pelo contrário
Não tinha nada contra gays, só não era um
O coitado perdeu a vez
Depois de tal afirmação, foi excluído,
rejeitado, difamado...
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Passou a beber até cair, sacou que não teria uma chance
Seu desejo distante de seu alcance
Na deprê, engordou mais de 20 quilos em um ano
Seu maior erro foi nunca perceber o engano...
Jogou a toalha na vida
entregou os pontos e aos prantos/chorando pelos cantos,
escreveu uma carta de despedida:
"Dora, querida. Quero meu corpo cremado, para que ele seja
espalhado por toda cidade cenográfica em Projacland."
16 - Pode Agradecer (Relationshit)
Sufoquei, não deixei você sair sem mim
Vigiei só pra garantir
Infernizei, controlei cada segundo ...
Liguei só pra verificar
Te cerquei, coloquei escuta, grampeei o telefone
Afastei amigos
Ameacei violência, apaguei o seu passado
Odiei não estar lá
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Quebrei presentes sabe-se lá de quem
Rasguei fotos sei muito bem de quem
Queimei cartas que não escrevi...não
Não deixei, proibi, não permiti
Roupas, gestos, sorrisos que não consenti
Evitei que seu brilho ofuscasse o meu
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Chantageei até chorei
Pena e medo sempre boas coleiras
Enrolei, explorei e até chifrei
Pequenas besteiras
Te marquei feito um gado, fui seu dono
E tranquei, castiguei, vampirizei
Fiquei puto por não conseguir controlar o seu pensamento
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Mas amei você, amei você ...
Mas amei você, yeah yeah...
Mas amei você, amei você ...
Mas amei você, pode agradecer!
17 - Breve Conto do Velho Babão
Quis parar o tempo
Não sabia envelhecer
O velho babão
Tinta no cabelo
Farreava pra valer
Tinta no cartão
E quanta mentira usava pra fugir
Do que desejava?
Encontrar alguma explicação
Pra "crise existencial"
Que tratava seduzindo
As amiguinhas de sua filha adolecente
Sindrome do pânico,
Medo de morrer
Mijava no chão
Enquanto bebia e tentava não sofrer
Com a solidão
E quanta a verdade guardava pra fingir
Que não cobiçava
Outra chance, outra encarnação?
E a "crise existencial"
Escondida num sorriso
De verdadeiro nem os dentes da frente
Chorava o leite derramado
Tudo que havia conquistado
Bens patrimoniais, relações profissionais
Agora nem sabia muito bem pra quê...
E no discurso decorado
Tinha orgulho do passado
Um passado que esquecia, toda vez que enlouquecia
Se esfregando pelas raves, doido de "E"
Até que um dia agonizou
Ajoelhado, com a boca roxa, enfartando na balada
E a molecada achando o lance engraçado, comentando:
"Olha a dança do coroa, que piada!"
(pagou pra ver, não viu
durmiu garoto, acordou senil
pagou pra ver e viu
que o planejado nunca existiu)
Quis parar o tempo
E seu tempo acabou!
18 - Formidável Mundo Cão
O Cara se cansou de andar no mundo cão
na janta com a família veio a solução:
deu dois tiros no pai, depois três tiros na mãe
sobrou uma bala pra cabeça do irmão
No tribunal falou que tava bem doidão
O advogado defendeu com o coração
que ele era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
Em 4 anos tava fora da prisão
E foi curtir a vida em todo esplendor
escreveu um livro que ensina ser um vencedor
Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
Tirar das costas esse peso
No corre-corre de doidos e animais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
Tirar das costas esse peso
No empurra-empurra de freiras e marginais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Tão logo concluiu: "com grana, sem prisão,
ladrão que é malandro tem mil anos de perdão!"
Favoreceu pra cá, mandou propina pra lá
Então comprou uma rede de televisão
Agora ele adorava aquele mundo cão
podia saciar a sua ambição
já que era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
a paz de ter o amor na mira do canhão
E foi eleito deputado, abriu contas no exterior
virou dono da igreja "novos apóstolos do senhor"
Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
Tirar das costas esse peso
No corre-corre de doidos e animais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
Tirar das costas esse peso
No empurra-empurra de freiras e marginais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
19 - Tal do Amor (8 e 80)
Às vezes me sinto a peça faltando em você
Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter
Ás vezes me sinto um castigo, uma praga, sua maldição
Às vezes me sinto um abrigo, uma graça, sua salvação
Mas se me desmantelo ao acaso
Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
De todo bom jogador
Às vezes me sinto um ódio sobrando em você
Às vezes me sinto um país que você nunca vai conhecer
Às vezes me sinto arriado nos quatro pneus
Às vezes me sinto nomeado interino de Deus
Mas se me desmantelo ao acaso
Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
De todo bom jogador
E se a gente perder
Que seja derrota suada, sofrida, roubada...
De mão beijada nem a pau!
E se a gente ganhar
Que seja vitória disputada, merecida, conquistada...
Vou pro pau!
Apostar na parte bacana do tal do amor
Do tal do amor
Às vezes me sinto a peça faltando em você
Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter
Formidável Mundo Cão
2007
01 - Longe Aqui
Os pais de sua namorada exigiram o fim daquela relação
Que já durava cinco meses de muito carinho e reprovação
Sempre que se chateava, cortava os braços com gilete pra chamar a atenção
Tinha carência afetiva, achava que seus pais gostavam mais do irmão
Um dia olhou pela janela, imaginou como seria o seu vôo até o chão
mas quando pensou na sujeira que ela causaria
desistiu, foi ver televisão
Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer como todos esperavam
Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer como todos desejavam
Até que ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Tão distante parada no mesmo lugar
Ela partiu
Ela partiu ao meio
Ensaiou o que diria se um dia fosse "artista homenageada no Faustão"
Enxugaria as lágrimas, abraçaria amigos
e a mãe teria o seu perdão
Voltando a realidade, ela encontrava um quadro
que não tinha muita solução
Se achava velha, muito nova, gorda ou muito feia
Sempre inadeqüada pra situação
Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer como todos esperavam
Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer como todos desejavam
Até que ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu
Ela partiu pra bem longe
Tão distante parada no mesmo lugar
(tão distante onde nunca deixou de estar)
Ela partiu
Ela partiu ao meio
02 - Preciso Poder
Preciso poder contar com você
Ter outras eternidades ao seu lado
E me divertir com os caprichos da nossa vontade
Preciso poder explodir nosso big bang
Sempre que for necessário um novo começo
Ou até mesmo pelo prazer da novidade
Poder te olhar e já entender
Sem ser preciso desdizer
Nem dizer toda verdade
Poder errar e não me esconder
Não ter que ter nenhum poder
E poder não ter
Será querer demais?
Será pedir demais?
Será poder demais?
Preciso poder gritar com você
E preservar o respeito em potes transparentes
Etiquetados com o prazo de validade
Preciso poder me satisfazer
Por estar por perto, mesmo afastado
E confiar, na certeza da cumplicidade
Poder te olhar e já entender
Sem ser preciso desdizer
Nem dizer toda verdade
Poder errar e não me esconder
Não ter que ter nenhum poder
E poder não ter
Será querer demais?
Será pedir demais?
Será poder demais?
Preciso poder ser impreciso
Preciso poder
03 - Formidável Mundo Cão
O Cara se cansou de andar no mundo cão
na janta com a família veio a solução:
deu dois tiros no pai, depois três tiros na mãe
sobrou uma bala pra cabeça do irmão
No tribunal falou que tava bem doidão
O advogado defendeu com o coração
que ele era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
Em 4 anos tava fora da prisão
E foi curtir a vida em todo esplendor
escreveu um livro que ensina ser um vencedor
Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
Tirar das costas esse peso
No corre-corre de doidos e animais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
Tirar das costas esse peso
No empurra-empurra de freiras e marginais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Tão logo concluiu: "com grana, sem prisão,
ladrão que é malandro tem mil anos de perdão!"
Favoreceu pra cá, mandou propina pra lá
Então comprou uma rede de televisão
Agora ele adorava aquele mundo cão
podia saciar a sua ambição
já que era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
a paz de ter o amor na mira do canhão
E foi eleito deputado, abriu contas no exterior
virou dono da igreja "novos apóstolos do senhor"
Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
Tirar das costas esse peso
No corre-corre de doidos e animais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
Tirar das costas esse peso
No empurra-empurra de freiras e marginais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
04 - Num Labirinto
Nunca soube exatamente como vencer
Fui deixando arrumada a mala
Sentia o cheiro forte de éter no ar
Todo um circo armado, querendo agradar
E a burrice no erro de deixar passar
Pois por passar por mim, o fim deixava de ser
Eu me joguei num labirinto
Deixei de lado o que eu sinto
Tão cego que ficava impossível
Ir além do raso
Eu me afoguei num mar de rosas
Me enganei em verso e prosa
Tão certo que já tava perto
Me afastei, perdido
Sempre soube exatamente como perder
E fui deixando desarrumada a sala
Na bagunça não podia mais me encontrar
Todo um circo armado querendo enrolar
E a burrice estampada por deixar pra lá
Mas por passar por mim, o fim deixava de ser
Eu me joguei num labirinto
Deixei de lado o que eu sinto
Tão cego que ficava impossível
Ir além do raso
Eu me afoguei num mar de rosas
Me enganei em verso e prosa
Tão certo que já tava perto
Me afastei, perdido
Eu me joguei num labirinto
Deixei de lado o que eu sinto
05 - Fomos
Cabe alguma explicação?
Medos que não eram nossos
Nunca foi nossa intenção
Espalhar tantos destroços
O que fomos não será
Definido por palavras fáceis
Que alguém dirá
Não estará nos calendários, dicionários
Nem nas buscas do Google
Quis manter meus pés no chão
Despenquei do mesmo jeito
Na tábua de salvação
Escorreguei mais um defeito:
Não sabia o que esperar
E esperei pelo pior
Mas o pior foi piorar
Quando entendi que te perdi
Por me perder
Ao ser o que eu não era
Hoje eu sei...
Hoje, eu só!
06 - Estrela de um Céu Nublado
Decidiu que precisava ser alguém no mundo
e não "mais um na multidão"
Resolveu investir fundo nas aulas de interpretação
Foi morar no Rio de Janeiro, tiro certeiro pra tentar a sorte em Projacland...
Alugou um conjugado no Catete
Arrumou uma vaga de barman num bar descolado pra cacete
atores, modeletes, formadores de opinião,
wannabes de plantão
Foi lá no balcão
que um assistente de direção da novela das 6 (6,6)
lhe prometeu uma figuração talvez...
aí ele se animou, se empolgou, nem dormia mais
- pobre rapaz -
logo descobriu que o sujeito não era quem dizia ser
mas na verdade um ator desempregado, frustrado,
que tinha um blog pouco freqüentado
e se sentia só e mal acompanhado
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Conheceu Dora enquanto trabalhava no bar
Servindo bebidas, ela soltando fumaça no ar
Perua desquitada que vivia da pensão do ex-marido
Empresário falido que sofria de síndrome de Dow Jones...
E não é que a madame realmente tinha bons contatos em Projacland...
Isso foi levado em consideração!
Encarar a "vovó" podia ser a solução
resolveu segurar o rojão
investiu naquela estranha relação
na tentação de ser famoso...
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Dora resolveu que iria ajudar o garotão
Mais um que queria ser artista de televisão... ok então...
numa tarde no salão, enquanto jogava sudoku
e depilava a virilha, ligou do celular da filha
pra um amigo diretor picudo e lhe solicitou:
"Receba o garoto. Quando é quem tem teste? Enfia ele no teste!"
O picudo respondeu:
"Agora não tem teste, mas uma festa com show do Jota Quest.
Leva seu bonitinho, Dora. Confio no seu faro.
Conheço o rapaz lá na hora,
e se eu for com a cara dele, enfio num teste,
eu enfio... enfio, é claro!"
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Na festa badalada, foi cantado pelo poderoso diretor
que lhe ofereceu trabalho e amor
lhe deu dicas de comportamento e recomendou:
"saia logo do armario!"
Ele respondeu que não estava em nenhum armário,
muito pelo contrário
Não tinha nada contra gays, só não era um
O coitado perdeu a vez
Depois de tal afirmação, foi excluído,
rejeitado, difamado...
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Passou a beber até cair, sacou que não teria uma chance
Seu desejo distante de seu alcance
Na deprê, engordou mais de 20 quilos em um ano
Seu maior erro foi nunca perceber o engano...
Jogou a toalha na vida
entregou os pontos e aos prantos/chorando pelos cantos,
escreveu uma carta de despedida:
"Dora, querida. Quero meu corpo cremado, para que ele seja
espalhado por toda cidade cenográfica em Projacland."
07 - Noutro Caminho
Tão logo me apareceu,
Estudei manual, me guiei
Desejei uma vida inteira pela frente...
Nem começou
Por via das dúvidas,
Fórmula, bula, mapa de cor...
Desejei ancorar e navegar
Buscando o que se sonhou
Fui além de mim
fui capaz de enxergar o invisível!
Mas ainda assim, inventei você
Hoje não sei dizer
Quanto de mim restou
Daquele que um dia desejou
E o tempo transformou,
Tanto modificou
Que segue outro caminho
(sigo o meu caminho)
08 - Breve Conto do Velho Babão
Quis parar o tempo
Não sabia envelhecer
O velho babão
Tinta no cabelo
Farreava pra valer
Tinta no cartão
E quanta mentira usava pra fugir
Do que desejava?
Encontrar alguma explicação
Pra "crise existencial"
Que tratava seduzindo
As amiguinhas de sua filha adolecente
Sindrome do pânico,
Medo de morrer
Mijava no chão
Enquanto bebia e tentava não sofrer
Com a solidão
E quanta a verdade guardava pra fingir
Que não cobiçava
Outra chance, outra encarnação?
E a "crise existencial"
Escondida num sorriso
De verdadeiro nem os dentes da frente
Chorava o leite derramado
Tudo que havia conquistado
Bens patrimoniais, relações profissionais
Agora nem sabia muito bem pra quê...
E no discurso decorado
Tinha orgulho do passado
Um passado que esquecia, toda vez que enlouquecia
Se esfregando pelas raves, doido de "E"
Até que um dia agonizou
Ajoelhado, com a boca roxa, enfartando na balada
E a molecada achando o lance engraçado, comentando:
"Olha a dança do coroa, que piada!"
(pagou pra ver, não viu
durmiu garoto, acordou senil
pagou pra ver e viu
que o planejado nunca existiu)
Quis parar o tempo
E seu tempo acabou!
09 - Alguém em seu Lugar
Medo, era medo de errar
Tarde, muito tarde
Pra consertar...
Sem você, deixo de ser o que desejo
Eu não sei reconhecer o que não vejo
Não vou fabricar alguém pro seu lugar
Cedo, muito cedo
Pra provar
Outras cores, novos planos
Sonhos, dores, desenganos
Sem você, perco meu prumo, rumo, norte
Sim, eu sei, devo contar com a minha sorte
E não procurar alguém pro seu lugar
Explode em silêncio a frase pronta que você lançou:
"O tempo sempre cura toda e qualquer dor de amor"
Sem você, perco meu ponto de partida
Sim, eu sei, resta tentar tocar a vida
Mas não haverá alguém em seu lugar
10 - A Propósito
Não sou seu prêmio ou recompensa
Sua sentença ou punição
Não sou seu grêmio, sua crença
Indiferença ou solução
Mas sou aquilo que me der na telha
E que se assemelha
Ao que você bem entender
Não sou relíquia ou raridade
A novidade da estação
Nem sua força de vontade
Seu bicho de estimação
Não sou a mosca na sua sopa
Nem a sujeira no seu chão
Ferida, mancha na sua roupa
Clube, parque de diversão
Mas sou aquilo que me der na telha
E que se assemelha
Ao que você bem entender
Se me reconheço naquilo que não quero
E me fortaleço num abraço sincero
Se me compadeço do que menos espero
E já não esqueço que o preço do meu apreço é arriscar
11 - Por um Pouco de Paz (Crime do Desassossego)
Cumpro a sentença,
E compenso o que a cela limita
Peço licença de meu senso
E me faço visita
Me conto como está um antigo amigo inventado
Confesso a saudade de estar comigo ao meu lado
E tento cavar um túnel
Que me leve de volta
A tudo que me prendeu
Sem saber ao certo se era eu
Naquele instante
Diante da chance
De roubar um pouco de paz
Roubar um pouco de paz
Preso por não ter sossego
Sem recompensa
Um clima tenso e a pena me irrita
Mas não faz diferença
Me convenço e cancelo a visita
Me dou um bolo sem nenhum sabor
Bolo um plano de fuga à prova de dor
E tento cavar um túnel
Que me leve de volta
Ao mundo que me prendeu
Sem saber ao certo se era eu
Naquele instante
Diante da chance
De roubar um pouco de paz
Roubar um pouco de paz
Brigo pelo estopim de um motim, de uma fuga em massa
Uma rebelião qualquer que me devolva a graça
E um sol quadrado não me aquece, já não amanhece
O brilho que existia em meus olhos
Naquele instante
Diante da chance
De roubar um pouco de paz
Roubar um pouco de paz
Preso por não ter sossego
12 - Nera
Incendiando tudo ao meu redor
Incendiando minha vida
Eu só observando a natureza dessa chama
Que inflama, se alimenta com seu ar
Ar que me falta, que me esgota
Toda vez que você chega
Mas não chega
E me trata com desdém
Também nem bem me conheceu
(me falta, esgota, você não chega)
Me esforço, me lanço
Me queimo no fogo
Insisto, resisto
Invisto no jogo
Sem cartas na mesa
Certeza nenhuma
Nera, Nera
Você Não Me Conhece
2005
01 - A Falta que a Falta Faz
Outra vez, as coisas ficam fora do lugar
Quando então, começo a me sentir em casa...
E se o desejo é uma desordem
Um "mãos ao alto, fique onde está!"
sem alarde me recolho,
Escolho me calar
E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
Toda certeza que supomos
Mas a vida lá fora
Tá chamando agora
E não demora!
Quem dá mais?
Na falta que a falta faz
Outra vez, meus olhos devem me denunciar
como não reparo no que me atrasa?
E se o desejo é uma desordem
Um "mãos ao alto, fique onde está!"
sem alarde me recolho,
Escolho me calar
E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
Toda certeza que supomos
Mas a vida lá fora
Tá chamando agora
E não demora!
Quem dá mais?
Na falta que a falta faz
E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
Toda certeza que supomos
É que vida lá fora
Tá chamando agora
Não demora!
Quem dá mais?
Na falta que a falta faz02 - Tal do Amor (8 e 80)
Às vezes me sinto a peça faltando em você
Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter
Ás vezes me sinto um castigo, uma praga, sua maldição
Às vezes me sinto um abrigo, uma graça, sua salvação
Mas se me desmantelo ao acaso
Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
De todo bom jogador
Às vezes me sinto um ódio sobrando em você
Às vezes me sinto um país que você nunca vai conhecer
Às vezes me sinto arriado nos quatro pneus
Às vezes me sinto nomeado interino de Deus
Mas se me desmantelo ao acaso
Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
De todo bom jogador
E se a gente perder
Que seja derrota suada, sofrida, roubada...
De mão beijada nem a pau!
E se a gente ganhar
Que seja vitória disputada, merecida, conquistada...
Vou pro pau!
Apostar na parte bacana do tal do amor
Do tal do amor
Às vezes me sinto a peça faltando em você
Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter03 - Cotidiano de um Casal Feliz
Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural
Ele manda em tudo, em todos
Curte seu poder
E deixa a esposa em casa
Pra brincar no treco
De qualquer traveco
Em troca de prazer
Vai saber porque...
E a esposa anda malhada
Fez lipoescultura
E a falta de cultura
Nunca foi problema
Ela tem dinheiro
Pra dar e vender
Lê Paulo Coelho e seicho-no-iê
Vai saber porqUê... iê
E eles têm escravos
Disfarçados de assalariados
Diariamente humilhados
Se levantam cedo, se arrumam apressados
Têm hora marcada pra falar com Deus
Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural
Ele guarda no H.D.
Fotos de crianças nuas, pra tirar um lazer
Curte ver aquilo quando fica só
Ela conta os passos que dá no trajeto
Entre a terapia e a boca do pó
E até pensa em adotar alguma criatura,
Pode ser uma criança ou um labrador
Só depende da raça, depende é da cor
Quem pintar primeiro...
Ele faz como ninguém a cara de quem não sabe mentir
Pode admitir pra ocupar o vazio da relação
Mas com uma condição
Não quer dar banho, nem limpar merda o dia inteiro
Eles foram ver o show da Diana Krall
Que alguém falou que era genial
Gritaram uhuuu do camarote
Enchendo a cara de scotch
E eles têm escravos
Disfarçados de assalariados
Diariamente humilhados
Se levantam cedo, se arrumam apressados
Têm hora marcada pra falar com Deus
Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural04 - Toda Distância
Toda distância nessa vida
Percorro pra te alcançar
Toda palavra quase dita,
Sentida, existirá
Não tem mistério, não tem segredo
Deixe o tempo revelar
Não leve a sério, se existe medo
Deixe o coração mandar
Toda distância desse mundo
É nada quando chegar
Em seu universo, num segundo
Eterno pra se guardar
Não tem mistério, não tem segredo
Deixe o tempo revelar
Não leve a sério, se existe medo
Deixe o coração falar
Toda distância nessa vida
Percorro pra te alcançar05 - Você Não me Conhece
Você me quer bem
Quando eu tô legal
Te incomoda por quê?
Me faz bem
Pra jogar na cara
O que acabou de fazer
Me deprime, me derruba
E depois reza por mim
E o meu crime, apagar as velas antes do fim
Você começa esse jogo chato e eu acabo
Manda seu Boeing na torre, não desabo
Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
Com o diabo...
Na sua ironia burra, dou cabo
Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
Com o diabo
Você não me conhece
Mas me ama pra sempre porque te convém
Desaparece
Se pinta outro atalho
Não sou mais ninguém
Me deprime, me derruba
E depois reza por mim
E o meu crime, apagar as velas antes do fim
Você começa esse jogo chato e eu acabo
Manda seu Boeing na torre, não desabo
Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
Com o diabo...
Na sua ironia burra, dou cabo
Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
Com o diabo
Quem nunca confere o que pode estar além:
Quem com o ferro não fere, será ferido também!
Você não me conhece06 - Campo Minado
Não me olhe com essa cara de interrogação
Dando murro em ponta de faca pra chatear
Sem cuidado com as palavras lançadas no ar
Como paralelepípedos
Jogados do oitavo andar
Não quero
Nem vou debandar
Se posso esperar
Pra te encontrar
No lugar certo
Perto da hora errada
Outro sentimento
Que deve ter razão de ser
Nesse momento
Mesmo sem querer
O divertimento
É não parecer com você
Outro sentimento
Que deve ter razão de ser
E nesse momento
Posso esclarecer
Que já não agüento
O trailer do filme que me nego a ver
Não me diga que não tenho consideração
Se até me esforço na tentativa de escutar
Suas frases bestas soltas pra "impactar"
Num estilo Caetano-de-saia que tem o dom
De alugar
Não quero
Nem vou debandar
Se posso esperar
Pra te encontrar
No lugar certo
Perto da hora errada
Outro sentimento
Que deve ter razão de ser
Nesse momento
Mesmo sem querer
O divertimento
É não parecer com você
E fico fora de cogitação
Fora de seus planos mais secretos
Livre de andar pelos desertos
À procura de algum oásis escondido aí07 - Mondo Muderno (d mierda)
Tudo que faço é pra mim
Até a bondade que ofereço
Fui evoluindo assim
Pra conseguir o que mereço
Questão de sobrevivência
Quem falou em decência?
Passo por cima pra ninguém me atropelar
O que é que há? Sai pra lá!
O seu vem depois, muito natural
Depois, se sobrar tempo, meu caro
Vou ser a pessoa mais legal
Se restar alguma migalha, fui claro?
Depois, se sobrar espaço
Ninguém é de ferro
Ninguém é de aço
E é no berro que faço
O diacho pra garantir o meu
Compreendeu?
Com certeza
A seleção natural é da natureza
Então por gentileza
Vê se não cansa a beleza
E responda a seguinte questão:
Você é diferente?
Não é assim?
A gente logo sente
Quem é ruim
Você, Madre Teresa
Uma bondade só
Vai ensinar ao mundo
Um amor maior
No Mondo Muderno
No Mondo Muderno08 - Quando Fui Fred Astaire
Começou a faltar a gravidade naquele dia
E o que não se amarrava,
Voava até se perder
Declarado estado de calamidade
E o que se temia
Ninguém explicava
E eu ficava sem entender
Ouvi dizer que tinha a ver
com a grande mudança no universo
Uma alteração na dimensão de um outro espaço qualquer
Coisa muito difícil pra macaco sabido compreender
E eu que sempre sonhei em voar
Só queria sobreviver
Mas como não sabia o que ia acontecer
Aproveitava e dançava no teto
Feito Fred Astaire
E o mundo fazia sentido
De pernas pro ar
E o mundo visto ao contrário
Parecia no lugar
Começou a faltar gravidade naquele dia...09 - Os Dias Lembram Alguém
Os dias lembram alguém
Que nunca sai da mente
As horas vão mentir (seguir)
desnecessariamente
Num tempo tão exato
Tropeço em solidão
Eu finjo desespero
Me recupero então
Minha alegria compro em cápsulas, eu sei
Na teoria, adio toda dor
Sem condição de saber
O pouco que se deve
Pra conseguir perceber
Quando é bom partir
Os dias lembram alguém
Que nunca sai da mente10 - Na Próxima Vez
Vejo o tempo que fiquei perdido
Nosso plano que ficou pra ontem
Você tava onde eu não podia
E te invadindo dei com o pé na porta
Não me diga que foi merecido
Vejo a festa que os outros fazem
No intervalo da monotonia
Minha paciência não comporta
Eu acho tudo tão claro pra qualquer um
Eu sei que me custa caro pensar demais
Eu sofro sem você aqui
Mas tem que ser assim
Espero não cair
Na próxima vez
Era mais ou menos parecido
Nosso plano que ficou pra ontem
Tinha muito do que eu não queria
Mais ainda do que não importa11 - Paredes
Falo pras paredes
E elas me escutam
E me irritam
Em silêncio
E algumas rachaduras
Grito pras paredes
E elas me fitam
E sufocam
Entre tintas descascadas
E sujeiras
Mais que a garganta que não cansa
A voz alcança um tempo sem fim
E as folhas mortas pelo chão
- da outra estação -
Ainda são bonitas
Ainda são perfeitas
Ainda são (pra sempre)
Falo pras pessoas
E elas me evitam
E me cansam
Com manias e algumas implicâncias
Grito pras pessoas
E elas me esnobam
E bajulam
Entre interesses
E paixões
Vendo a Mim Mesmo
2004
01 - Me Tira Daquiii (vendo, vendo, vendo)
me tira daqui
me deixa fugir
fugir de você
de tudo que não foi acertado
me esquece, morri
eu nunca existi
passei por aqui tão rápido
nem fui reparado
quando foi que te vi
quando admiti
alguém que me fizesse esse mal danado
me solta, fingi
que nunca esqueci
que já perdi um tempo ao seu lado
vendo as certezas mais insistentes
vendo as mentiras mais convincentes
um pouco beijo de despedida
e chegada na estação
não sei se quero ver, vender ou vendar
vendo as certezas mais evidentes
vendo as mentiras mais indecentes
enfeitadas com cuidado
numa vitrine em promoção
não sei se quero ver, vender ou vendar
02 - Pode Agradecer (Relationshit)
Sufoquei, não deixei você sair sem mim
Vigiei só pra garantir
Infernizei, controlei cada segundo ...
Liguei só pra verificar
Te cerquei, coloquei escuta, grampeei o telefone
Afastei amigos
Ameacei violência, apaguei o seu passado
Odiei não estar lá
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Quebrei presentes sabe-se lá de quem
Rasguei fotos sei muito bem de quem
Queimei cartas que não escrevi...não
Não deixei, proibi, não permiti
Roupas, gestos, sorrisos que não consenti
Evitei que seu brilho ofuscasse o meu
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Chantageei até chorei
Pena e medo sempre boas coleiras
Enrolei, explorei e até chifrei
Pequenas besteiras
Te marquei feito um gado, fui seu dono
E tranquei, castiguei, vampirizei
Fiquei puto por não conseguir controlar o seu pensamento
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Mas amei você, amei você ...
Mas amei você, yeah yeah...
Mas amei você, amei você ...
Mas amei você, pode agradecer!
03 - Preciso Dizer que te Amo
Quando a gente conversa
contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
deixando escapar segredos
Eu não sei em que hora dizer
me dá um medo
é que eu preciso dizer que te amo,
te ganhar ou perder sem engano
eu preciso dizer que te amo.
Até o tempo passa arrastado
só pra eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
se abre e acaba comigo.
E nessa novela eu não quero ser seu amigo
É que eu preciso dizer que te amo
te ganhar ou perder sem engano
eu preciso dizer que te amo tanto!
Eu preciso dizer...
Eu já não sei se tô misturando
eu perco o sono lembrando de cada gesto seu
qualquer brincadeira
fechando e abrindo a geladeira a noite
Eu preciso dizer que te amo
te ganhar ou te perder sem engano
Eu preciso dizer que te amo tanto....
04 - Mais um Dia
Longe de você, não consigo ir em frente..
"sem olhar pra trás",
o combinado era tão diferente
que a gente nem se lembra mais...
Mas eu dizia que era interessante
ficar perto de onde não
sabemos andar
Você dizia que não era o bastante
Cada gesto, cada instante, cada palavra, cada olhar
[refrão]
Era mais um dia, único e desperdiçado
O tempo voando
pra sempre e nunca ao meu lado.
Era mais um dia que sobrava do passado
Você me culpando...
mas quem é que estava errado?
Ficava mal, o sorriso não vinha
barco à deriva à mercê do seu mar
Não era o tal e vacilava quando não podia
Todo gesto, todo instante, cada palavra, cada olhar
[refrão]
Tudo que a gente não tenta... por medo
Pra quem se contenta em apenas "querer",
quis gritar... Quando você dormiu
[refrão]
Era mais um dia, Era mais um dia...
Era mais um dia, Era mais um dia...
05 - Sa-Ma-Ra - Samadhi (Quiçá Jabaless Radio Edit)
Bem nos meus olhos a visão
Vem pra destinguir direito
Fica na nossa ficção
A lembrança do que foi perfeito
Justo quando era mais autêntico
Praticamente idêntico
A tudo que eu já fui capaz de inventar
Leve impressao
De que tudo entao
Faz mais sentido
Quiçá amar em seu nome
Vou na contra-mão
De quem diz que não
É permitido
Desejar alguém assim
Sigo seus passos
Falta o chao e o caminho cercado
Sobras da nossa encenação
E o certo do que não foi provado
Justo quando era mais autêntico
Praticametne idêntico
A tudo que eu já fui capaz de inventar
06 - Idade Se Eu Quiser (Neverland's Mix)
Tenho a idade que eu bem entender
o suficiente pra mim e o bastante pra você
e você quer meu R.G.
é que não sigo um manual, nem guia do que deve acontecer
do que se deve fazer
Se já tá tarde
se ainda é cedo
se tenho saco
se tenho medo
O que você aínda quer saber
como devo pensar
o quanto devo durar
ou se preciso casar
Tenho a idade que eu quiser
tenho o tempo que vier
tenho até a cara que você me der
perfeito
bom proveito
escolha meu defeito e me dê
Quantas frunstrações acumuladas
doenças
quantas porradas
namoradas
Se tou acabado
Bem conservado
Irresponsável
um fracassado
Tenho a idade que eu quiser
tenho o tempo que vier
tenho até a cara que você me der
perfeito
bom proveito
escolha meu defeito e me dê
Se a idade é que decide
Se resolve e proibe
Se é culpa do tempo
Lamento
Se a idade é que decide
se resolve e proibe
se é culpa do tempo
Ha ahhhhhhhhh
Tenho a idade que eu quiser
tenho o tempo que vier
tenho até a cara que você me der
perfeito
bom proveito
escolha meu defeito e me dê
(Tenho a idade que eu quiser)
(Tenho o tempo que vier)
(Ha ahhhhhhhhh)
(Tenho a idade que eu quiser)
(Tenho o tempo que vier)
(Ha ahhhhhhhhh)
07 - Aquela Música
Tocava aquela música que era a nossa cara
Quis saber como você estava
Senti a sua falta...
Bem que você podia me ligar
Como vai? O que tem feito?
Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
Pra fingir que "tá"tudo certo
Que a minha vida continua da mesma maneira
Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
E agora um deserto
Já sei que as flores de plástico não vivem
Deixava aquela música invadir a sala
Pra preencher o espaço que você deixou
Quem sabe você volta... até a música parar
Como vai? O que tem feito?
Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
Pra fingir que "tá" tudo certo
Que a minha vida continua da mesma maneira
Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
E agora um deserto
Já sei que as flores de plástico não vivem
08 - Foi no Mês que Vem
Vou te vi
Ali deserta de qualquer alguém
Penso, logo irei
Que sejas antes minha
Que de outrem
Quando o vento fez
Do teu vestido um dom que Deus te deu
Claro que eu rirei
Ao vendo o que outro alguém não viu
Vou andei
E me chegando assim te cercarei
Digo, aqui tô eu, que te amo
E as tuas pernas quero bem
Já que estamos nós,
Te sugeri-me então o que fazer?
Claro que eu beijei
Ao tendo o que outro alguém não quis
E tudo isso foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Foi na hora em que eu te vi
E mais que tudo, foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Na hora em que eu te quis
Vou fiquei
No teu chegado e tu chegada ao meu
Penso: grande é Deus!
Um paraíso pr'um sujeito ateu
E pensando assim
Farei aquilo que o teu gosto quis
Claro, eu já ganhei
De volta tudo que eu quiser
E tudo isso foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Foi na hora em que eu te vi
E mais que tudo, foi no mês que vem
Foi quando eu chegar
Na hora em que eu te quis09 - Condição
Eu não sou diferente de ninguém
quase todo mundo faz assim
eu me viro bem melhor
quando tá mais pra bom que pra ruim
não quero causar impacto
nem tão pouco sensação
o que digo é muito exato
é o que cabe na canção (aqui)
Qualquer um que ouve entende,
não precisa explicação
e se for pensar um pouco
vai me dar toda a razão
oh senhora, senhorita
e também o cidadão
todo mundo que se preza, nega fogo não!
Eu não sei viver sem ter carinho
é a minha condição
Eu não sei viver triste sozinho
é a minha condição
Eu não sei viver preso ou fugindo
é a minha condição
10 - Por Nada e Por Ninguém
Á primeira vista
há de me deixar confuso
esse seu olhar difuso
de quem não presta atenção
Á primeira vista
todo risco é ameaça
e o medo que agente passa
cimenta os pés no chão
Á primeira vista
dois joelhos machucados
te redimem nos pecados
se usados pra rezar
Á primeira vista
tudo está no lugar certo
mas a praia é um deserto
cravado na beira-mar
Á primeira vista
eram só coincidências
uns amigos em comum
e uma vibração do bem
Se ontem não te dei valor nenhum
hoje eu não te troco por ninguem
Se ontem não te dei valor nenhum
hoje eu não te troco por ninguem
Á primeira vista
cada linha do poema
é a verdade suprema
só porque está no papel
Á primeira vista
deve haver uma saída
e que seja nessa vida
sei lá se há vida é no céu
Á primeira vista
ela é moça direita
nunca levantou suspeita
mas á mim não enganou
Á primeira vista
a noite é o fim do dia
eu acho que eu deveria
dormir mas eu nem vou
Á primeira vista
eram só coincidências
uns amigos em comum
e uma vibração do bem
Se ontem não te dei valor nenhum
Hoje eu não te troco por ninguem
Se ontem não te dei valor nenhum
Hoje eu não te troco por ninguem
Por nada e por ninguem (8×)11 - Assim, de Repente ("Unbewithable Ya"...Acoustic Version)
Cuspiu no prato que raspou
Duvidou que um dia fosse mudar de idéia
Não preparou, se mandou, evaporou
Espatifou o prato na parede
E eu catando os cacos pra tentar colar depois
Mas depois não vou que não tem
Não vou que não tem, nem vai que não tô
Como quisesse pisar...
Só por maldade ignorou
Seria realmente assim
E se pudesse levava até a saudade
Mas deixou...
Impregnada em cada fração de mim
Da noite pro dia
Nem sabia que aquela seria
A última vez que a via
Da noite pro dia
Ela sorria e me garantia
Estar na maior alegria
Da noite pro dia
A ironia é serventia...
Por conta da casa vazia
Da noite pro dia
Você meu remédio tarja preta
Só com prescrição
Onipresente feito o ar
12 - Abismo (Under Doses)
Quando lava não seca
É que não vira pedra o que vem de seu vulcão
Rastro que fica, apaga
O que já estava espalhado pelo chão
Seu segundo é mais longo
Cabe nos traços da palma de minha mão
Suas frases de efeito
Que não revelam a verdadeira intenção
Você me jura que não vai prometer
E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser
Antes de ir embora
De sair pra rua
De tirar qualquer conclusão
Mesmo que demore
E ninguém nos salve
Heróis nascem em overdose na televisão
Nada perto da arrebentação
Nada perto de mim
Se afogando no próprio veneno
E não é que o mundo é mesmo pequeno
Passos em falso na beira do abismo que há entre nós
E a impressão que fica da solidão é tão menor...
Quando estamos sós
Você me jura que não vai prometer
E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser
Antes de ir embora
De sair pra rua
De tirar qualquer conclusão
Mesmo que demore
E ninguém nos salve
Heróis nascem em overdose na televisão
13 - Todos os Fracos (Ode aos fortes)
Todos os fracos juntos são mais fracos
fadados à confortável derrota coletiva
todos os fracos são opacos
conformados na inevitável tristeza cativa
Todos os fracos com a chance de perder por pouco
acenando pro futuro que não veio
todos os fracos num lance de sofrer feito louco
andando no escuro com receio
todos os fracos pedem proteção
o desejo secreto de estar completo quanto possível
todos os fracos perdem a direção
e o segredo repleto de sonhos frustrados pelo incrível
Todos os fracos desistiram reprimidos pelo medo de não ser
entregando os pontos onde os tontos são tantos
todos os fracos tomaram comprimidos tentaram esquecer
duvidando dos santos quando os prantos são tantos
Todos os fracos num espelho trincado
pra sete anos de azar
todos os fracos meu espelho evitado
como se pudesse evitar
Nem Tão São
2000
01 - A Miragem
Um flash Sem eira nem beira
Não diga besteira...
É bom você saber
...Merece...
Respeito é bom e eu gosto
Aposto que o seu gosto é duvidoso
E é tão claro que o que foi
Já não é mais vantagem
Vai pela sombra
e o que sobra é miragem
E é tão fácil separar o que foi
do que não foi bobagem
Vá pela sombra
e o que sobra é a miragem
Esquece que o jogo é jogado
Me deixa de lado o resultado
Não vale nada
Conhece de trás, pra frente
o verso todo
Rimando com a situação
E é tão claro que o que foi
Já não é mais vantagem
Vai pela sombra
e o que sobra é a miragem
E é tão fácil separar o que foi
do que não foi bobagem
Vá pela sombra
e o que sobra é a miragem
Parceria só com quem convém
não tem o menor cabimento
Já não vale um vintém
E nem terá o meu consentimento
E é tão claro que o que foi
Já não é mais vantagem
Vai pela sombra
e o que sobra é a miragem
E é tão fácil separar o que foi
do que não foi bobagem
Vá pela sombra
e o que sobra é a miragem
02 - Quase um Segundo
Eu queria ver no escuro do mundo
onde está tudo que você quer
Prá me transformar no que te agrada
no que me faça ver
Quais são as cores
e as coisas pra te prender
Eu tive um sonho ruim e acordei chorando
por isso eu te liguei...
Será que você ainda pensa em mim
Será que você ainda pensa
Às vezes te odeio por quase um segundo
depois te amo mais
Teus pêlos, teu gosto, teu rosto, tudo
que não me deixa em paz
Será só imaginação...
Será que é tudo isso em vão...
03 - Aponta de um Iceberg
Compromisso poderia ser
Alternativa do que é vivaz
Mas não é o caso, se foi descaso,
Quem mentiu?
Não fazer o suficiente
ou por fazer demais...
Afinal, qual é a medida, me diga
Quem mediu?
Vil essa dor, que ninguém vê
Anil era a cor que mudou
de acordo com o que você sentiu
Indicador,
a ponta de um iceberg liquefativo o fato:
Você existiu...
Em qualquer conjugação do verbo existir...
Na falta que você me faz
do tempo que não volta atrás
No tempo que não volta atrás
Da falta que você me faz04 - Ilha Eu
E apenas o céu olhou pra mim
Quando eu perdi a trilha
No meio de tanta água
Eu fui minha própria ilha
O céu e o infinito na frente
Não hesitei e zarpei ao mar
Abandonei a respiração
Sem olhar pra trás
Eu jamais, jamais pensei em voltar
Quanto maior o vôo
Maior a queda
Eu moldei meu sonho
Como a água molda a pedra
Você foi de cabeça pra tentar se convencer
E eu até pensei que ia conseguir
Você se informou tanto
Sobre quem amou de verdade
Nem pensou um só instante
Que podia me destruir
E apenas o céu olhou pra mim
Quando eu perdi a trilha
No meio de tanta água
Eu fui minha própria ilha
O céu olhou pra mim
E eu perdi a trilha
No meio de tanta água
Eu fui minha própria ilha
05 - Pêndulo
Entre a dor e o gosto, resta um breve tempo
onde moro imune feito o entardecer
Entre, a cor do rosto desta tarde à toa
quando a noite insiste em aparecer
Vão dizer...
Entre o certo e o medo, um muro
construído com a imaginação, ou não
Entre o nobre e o lixo um lugar tão perto
nem a tolerância fará suportar
Entre o feio e o falso
a arrogância momentânea não deve acabar
Vão-dizer...
Entre o certo e o medo, o muro
construído com a imaginação, ou não
Quantas vezes tentei parar
Quantas vezes pude encarar
Um dia muda, o dia passa
Um dia rasga, o dia acaba
E segue firme o movimento deste pêndulo
deste pêndulo...
06 - Divã
O que me consome
Consumo e some também
O que me consola
Esmola não me faz bem
O que me atola
É lama que não sai, Dalai
O que me atura
Não dura, nem fica, nem vai
O que me chateia
Passeia numa tarde nublada
O que me incendeia
Derruba essa porta fechada
O que me apaga
Alaga até pensamento
O que me assola
Decola no sopro do vento...
O que me persegue
Não consegue ficar pra trás
O que me assusta
Se nada é um pouco mais
O que me domina
Controle não é paz
O que me fascina
Repele e tanto faz
O que me consome
Não dura, nem fica, nem vai
O que me consola
É lama que não sai, Dalai
O que me atola
Esmola não me faz bem
O que me atura
Consumo e some também
O que me chateia
Decola no sopro do vento
O que me incendeia
Alaga até pensamento
O que me apaga
Derruba essa porta fechada
O que me assola
Passeia numa tarde nublada...07 - Tão São
Perplexo
suando um frio polar pelos poros
...efeitos sonoros...
Um trepidar que vem de fora
Reflexo
soando um Rio solar em carnaval
festa, coisa e tal
quando acaba, vou embora
Me acabo, caio fora
Nem Tão São
É tão, então posso dizer
exceção à regra, só
Tão são que não deveria ser
O chão que você pisa é o mesmo que te apóia
(que te apóia...)08 - Impressões
Fecho as portas
Olhos e sentidos se perderam
Espelho que reflete pouco
vem você e
na boca o gosto do dizer
da janela ficam espiando
e é só sufocar um pouco
dão valor pro ar
e disse como vai você
se disse, lembro de você...
Talvez seja o início de um fase
que ainda não aconteceu
Um sopro no vazio da vida
Quem ainda não vive
como queria, como teria?
O que dirá divagando "devagar e sempre"
Indo pr'algum lugar...
Talvez seja o início de uma fila
caso eu canse, guarde o meu lugar
a sonora presença debochada de
seu jeito me move
como sentia, cometeria
O absurdo abstrato tá na sua mente
Justo onde deve estar09 - Boa Noite
Meu ar de dominador
dizia que eu ia ser seu dono
e nessa eu dancei
Hoje no universo
nada que brilha cega mais que seu nome
Fiquei mudo ao lhe conhecer
o que vi foi demais, vazou
por toda selva do meu ser
nada ficou intacto
Na fronteira de oásis
meu coração em paz se abalou
é surpresas demais que trazes
inda bem que eu sou Flamengo
Mesmo quando ele não vai bem
algo me diz é rubro-negro
que o sofrimento leva além
não existe amor sem medo
Boa noite...
Quem não tem pra quem se dar
o dia é igual a noite
Tempo parado no ar há dias
Calor, insônia, oh... noite
Quem ama vive a sonhar de dia
voar é do homem
vida foi feita pra estar em dia
com a fome, com a fome, com a fome
Se vens lá das alturas
com agruras ou paz
Oh... meu bem
serei seu guia na terra
Na guerra ou no sossego
tua beleza é o cais
e eu sou o homem
que pode lhe dar além de calor
fidelidade
minha vida por inteiro lhe dou
minha vida por inteiro lhe dou
minha vida por inteiro lhe dou...
10 - Outra Paisagem (Pb)
No céu nublado pode ser que fique muito diferente
Hora errada, o lugar é outro
Outra paisagem
Quando esqueço, já não ouço você
Não é muito pra tentar entender
No instante em que bastava não perder
É quando penso no que posso fazer
E se não era, até pode ser
Que eu esteja muito enganado
Se agora vem dizer
Como se não fosse tanto
E no entanto, sente o tempo correr
E a falta do encanto
Quando esqueço, já não lembra você
Não é muito pra tentar entender
No instante em que bastava não perder
Quando penso no que posso fazer
E, se não era, até pode ser
Que eu esteja muito enganado
Fosse tarde pra dizer
Ainda assim diria
Fosse um nada
Jogo tudo pro alto
E do fim vem um começo
Vem um começo11 - Ninguém
É que ninguém falou
o que não era sabido
É que ninguém notou
e tanto havia sentido
Não poderia dizer
o que não tinha vivido
Nem deveria dizer
quando já tinha esquecido
Já não queria saber
Não saberia dizer o quanto tinha fingido...
E se eu encontrasse o "dono da verdade"
e inventasse outra realidade
(se eu encontrasse, inventasse, me livrasse...)
Só que ninguém chorou
pela descrença no infinito
Só que ninguém levou
a culpa pelo que foi dito
Só que ninguém falou...
É que ninguém levou a culpa
pelo que foi dito...
12 - Divã (Jungian Trip)
O que me consome
Consumo e some também
O que me consola
Esmola não me faz bem
O que me atola
É lama que não sai, Dalai
O que me atura
Não dura, nem fica, nem vai
O que me chateia
Passeia numa tarde nublada
O que me incendeia
Derruba essa porta fechada
O que me apaga
Alaga até pensamento
O que me assola
Decola no sopro do vento...
O que me persegue
Não consegue ficar pra trás
O que me assusta
Se nada é um pouco mais
O que me domina
Controle não é paz
O que me fascina
Repele e tanto faz
O que me consome
Não dura, nem fica, nem vai
O que me consola
É lama que não sai, Dalai
O que me atola
Esmola não me faz bem
O que me atura
Consumo e some também
O que me chateia
Decola no sopro do vento
O que me incendeia
Alaga até pensamento
O que me apaga
Derruba essa porta fechada
O que me assola
Passeia numa tarde nublada...
O que me persegue
Não consegue ficar pra trás
O que me assusta
Se nada é um pouco mais
O que me domina
Controle não é paz
O que me fascina
Repele e tanto faz
"É tempo de NADA,
que nada fosse pra esquecer de vez,
do que disse, 'ou que não soube dizer
Do dia que te conheci
e lembrei do tanto que deixei de fazer...
guardei pra depois e 'depois' virou agora,
só que agora é outro papo pro ar,
diferente do que imaginei...
Só sei que descobri e tá bom.
A solidão tem som!"
O que me persegue
Não consegue ficar pra trás
O que me assusta
Se nada é um pouco mais
O que me domina
Controle não é paz
O que me fascina
Repele e tanto faz13 - Pra Começar
Pra começar
Quem vai colar
Os tais caquinhos
Do velho mundo
Pátrias, famílias, religiões
E preconceitos, quebrou não tem mais jeito
Agora descubra de verdade o que você ama,
Que tudo pode ser seu
Se tudo caiu, que tudo caia, pois tudo raia,
E o mundo pode ser seu...
Pra terminar...
DVD
Alive In Brazil
2009
01 - Me Tira Daquiii (vendo, vendo, vendo)
Me tira daqui
Me deixa fugir
Fugir de você
De tudo que não foi acertado
Me esquece, morri
Eu nunca existi
Passei por aqui tão rápido
Nem fui reparado
Quando foi que te vi
Quando admiti
Alguém que me fizesse esse mal danado
Me solta, fingi
Que nunca esqueci
Que já perdi um tempo ao seu lado
Vendo as certezas mais insistentes
Vendo as mentiras mais convincentes
Um pouco beijo de despedida
E chegada na estação
Não sei se quero ver, vender ou vendar
Vendo as certezas mais evidentes
Vendo as mentiras mais indecentes
Enfeitadas com cuidado
Numa vitrine em promoção
Não sei se quero ver, vender ou vendar
02 - Longe Aqui
Os pais de sua namorada exigiram o fim daquela relação
que já durava cinco meses de muito carinho e reprovação
Sempre que se chateava cortava os braços com gilete pra chamar atenção
Tinha carência afetiva, achava que seus pais gostavam mais do irmão...
Um dia olhou pela janela, imaginou como seria o seu vôo até o chão
Mas quando pensou na sujeira que ela causaria..
desistiu, foi ver televisão
Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer... Como todos esperavam!
Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer... Como todos desejavam!
Até que ela partiu, ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu, ela partiu pra bem longe
Tão distante parada no mesmo lugar
Ela partiu...
Ela partiu ao meio
Ensaiou o que diria se um dia fosse artista homenageada no Faustão
Enxugaria as lágrimas, abraçaria amigos e a mãe teria o seu perdão
Voltando a realidade, ela encontrava um quadro que não tinha muita solução
Se achava velha, muito nova, gorda ou muito feia
Sempre inadequada pra situação...
Tinha que engravidar, criar, envelhecer, morrer... Como todos esperavam!
Tinha que renunciar, agradar, obedecer, vencer... Como todos desejavam!
Até que ela partiu, ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu, ela partiu pra bem longe
Tão distante parada no mesmo lugar
Ela partiu, ela partiu pra bem longe
Pra distante o bastante pra suportar
Ela partiu, ela partiu pra bem longe
Tão distante, onde nunca deixou de estar
Ela partiu... Ela partiu ao meio.
03 - Mondo Muderno (d mierda)
Tudo que faço é pra mim
Até a bondade que ofereço
Fui evoluindo assim
Pra conseguir o que mereço
Questão de sobrevivência
Quem falou em decência?
Passo por cima pra ninguém me atropelar
O que é que há?sai pra lá!
O seu vem depois, muito natural
Depois, se sobrar tempo, meu caro
Vou ser a pessoa mais legal
Se restar alguma migalha, fui claro?
Depois, se sobrar espaço
Ninguém é de ferro
Ninguém é de aço
E é no berro que faço
O diacho pra garantir o meu
Compreendeu?
Com certeza
A seleção natural é da natureza
Então por gentileza
Vê se não cansa a beleza
E responda a seguinte questão:
Você é diferente?
Não é assim?
A gente logo sente
Quem é ruim
Você, Madre Teresa
Uma bondade só
Vai ensinar ao mundo
Um amor maior
No mondo muderno
No mondo muderno
04 - Você não me Conhece nem Fodendo
Você me quer bem
Quando eu tô legal
Te incomoda porque
Me faz bem
Pra jogar na cara
O que acabou de fazer
Me deprime, me derruba
E depois reza por mim
E o meu crime, apagar as velas antes do fim
Você começa esse jogo chato e eu acabo
Manda seu Boeing na torre, não desabo
Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
com o diabo...
Na sua ironia burra, dou cabo
Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
Enfia sua vida cor de rosa no rabo do diabo...
Você não me conhece
Mas me ama pra sempre porque te convém
Desaparece
Se pinta outro atalho
Não sou mais ninguém
Me deprime, me derruba
E depois reza por mim
E o meu crime, apagar as velas antes do fim
Você começa esse jogo chato e eu acabo
Manda seu Boeing na torre, não desabo
Desfila sua vida cor-de-rosa e eu caso
com o diabo...
Na sua ironia burra, dou cabo
Meu bem, nem tô passando pires, nem babo
Enfia sua vida cor de rosa no rabo do diabo...
Quem nunca confere o que pode estar além...
Quem com o ferro não fere,
será ferido também!
Você não me conhece (4x)
05 - Cotidiano de um Casal Feliz
Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural(2x)
Ele manda em tudo, em todos
Curte seu poder
E deixa a esposa em casa
Pra brincar no treco
De qualquer traveco
Em troca de prazer
Vai saber porque...ieiê
E a esposa anda malhada
Fez lipoescultura
E a falta de cultura
Nunca foi problema
Ela tem dinheiro
Pra dar e vender Lê Paulo Coelho e seicho-no-ie
Vai saber porque...iê
E eles têm escravos
Disfarçados de assalariados
Diariamente humilhados
Se levantam cedo, se arrumam apressados
Têm hora marcada pra falar com Deus
Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural (2x)
Ele guarda no HD
Fotos de crianças nuas, pra tirar um lazer
Curte ver aquilo quando fica só
Ela conta os passos que dá no trajeto
Entre a terapia e a boca do pó
E até pensa em adotar alguma criatura,
Pode ser uma criança ou um labrador
Só depende da raça, depende é da cor
Que pintar primeiro..
Ele faz como ninguém a cara de quem não sabe mentir
Pode admitir, pra ocupar o vazio da relação
Mas com uma condição:
Não quer dar banho,
Nem limpar merda o dia inteiro
Eles foram ver o show da Diana Krall
Que alguém falou que era genial
Gritaram "uhuul" do camarote
Enchendo a cara de Scotch
E eles têm escravos
Disfarçados de assalariados
Diariamente humilhados
Se levantam cedo, se arrumam apressados
Têm hora marcada pra falar com Deeeeeeuss! ououôô
Alguém sabe dizer o que é normal?
Pode parecer tão natural (2x)
06 - A Miragem
Um flash
Sem eira nem beira
Não diga besteira...
É bom você saber
...Merece...
Respeito é bom e eu gosto
Aposto que o seu gosto é duvidoso
E é tão claro que o que foi
Já não é mais vantagem
Vai pela sombra
e o que sobra é miragem
E é tão fácil separar o que foi
do que não foi bobagem
Vá pela sombra
e o que sobra é a miragem
Esquece que o jogo é jogado
Me deixa de lado o resultado
Não vale nada
Conhece de trás, pra frente
o verso todo
Rimando com a situação
E é tão claro que o que foi
Já não é mais vantagem
Vai pela sombra
e o que sobra é a miragem
E é tão fácil separar o que foi
do que não foi bobagem
Vá pela sombra
e o que sobra é a miragem
Parceria só com quem convém
não tem o menor cabimento
Já não vale um vintém
E nem terá o meu consentimento
E é tão claro que o que foi
Já não é mais vantagem
Vai pela sombra
e o que sobra é a miragem
E é tão fácil separar o que foi
do que não foi bobagem
Vá pela sombra
e o que sobra é a miragem
07 - Aquela Música
Tocava aquela música que era a nossa cara
Quis saber como você estava
Senti a sua falta...
Bem que você podia me ligar
Como vai? O que tem feito?
Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
Pra fingir que "tá"tudo certo
Que a minha vida continua da mesma maneira
Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
E agora um deserto
Já sei que as flores de plástico não vivem
Deixava aquela música invadir a sala
Pra preencher o espaço que você deixou
Quem sabe você volta... até a música parar
Como vai? O que tem feito?
Disfarçaria pra não dar nenhuma bandeira
Pra fingir que "tá" tudo certo
Que a minha vida continua da mesma maneira
Mas o tempo que era tão pouco com você por perto
E agora um deserto
Já sei que as flores de plástico não vivem
08 - Nera
Incendiando tudo ao meu redor
Incendiando minha vida
Eu só observando a natureza dessa chama
Que inflama, se alimenta com seu ar
Ar que me falta, que me esgota
Toda vez que você chega
Mas não chega
E me trata com desdém
Também nem bem me conheceu
(me falta, esgota, você não chega)
Me esforço, me lanço
Me queimo no fogo
Insisto, resisto
Invisto no jogo
Sem cartas na mesa
Certeza nenhuma
Nera, Nera
09 - A Falta que a Falta Faz
Outra vez, as coisas ficam fora do lugar
Quando então, começo a me sentir em casa...
E se o desejo é uma desordem
Um "mãos ao alto, fique onde está!"
sem alarde me recolho,
Escolho me calar
E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
Toda certeza que supomos
Mas a vida lá fora
Tá chamando agora
E não demora!
Quem dá mais?
Na falta que a falta faz
Outra vez, meus olhos devem me denunciar
como não reparo no que me atrasa?
E se o desejo é uma desordem
Um "mãos ao alto, fique onde está!"
sem alarde me recolho,
Escolho me calar
E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
Toda certeza que supomos
Mas a vida lá fora
Tá chamando agora
E não demora!
Quem dá mais?
Na falta que a falta faz
E nada vai desmerecer tudo que ainda somos
Toda certeza que supomos
É que vida lá fora
Tá chamando agora
Não demora!
Quem dá mais?
Na falta que a falta faz
10 - Quando fui Fred Astaire
Começou a faltar a gravidade naquele dia
E o que não se amarrava,
Voava até se perder
Declarado estado de calamidade
E o que se temia
Ninguém explicava
E eu ficava sem entender
Ouvi dizer que tinha a ver
com a grande mudança no universo
Uma alteração na dimensão de um outro espaço qualquer
Coisa muito difícil pra macaco sabido compreender
E eu que sempre sonhei em voar
Só queria sobreviver
Mas como não sabia o que ia acontecer
Aproveitava e dançava no teto
Feito Fred Astaire
E o mundo fazia sentido
De pernas pro ar
E o mundo visto ao contrário
Parecia no lugar
Começou a faltar gravidade naquele dia...
11 - Por um Pouco de Paz (Crime do Desassossego)
Cumpro a sentença,
E compenso o que a cela limita
Peço licença de meu senso
E me faço visita
Me conto como está um antigo amigo inventado
Confesso a saudade de estar comigo ao meu lado
E tento cavar um túnel
Que me leve de volta
A tudo que me prendeu
Sem saber ao certo se era eu
Naquele instante
Diante da chance
De roubar um pouco de paz
Roubar um pouco de paz
Preso por não ter sossego
Sem recompensa
Um clima tenso e a pena me irrita
Mas não faz diferença
Me convenço e cancelo a visita
Me dou um bolo sem nenhum sabor
Bolo um plano de fuga à prova de dor
E tento cavar um túnel
Que me leve de volta
Ao mundo que me prendeu
Sem saber ao certo se era eu
Naquele instante
Diante da chance
De roubar um pouco de paz
Roubar um pouco de paz
Brigo pelo estopim de um motim, de uma fuga em massa
Uma rebelião qualquer que me devolva a graça
E um sol quadrado não me aquece, já não amanhece
O brilho que existia em meus olhos
Naquele instante
Diante da chance
De roubar um pouco de paz
Roubar um pouco de paz
Preso por não ter sossego
12 - Assim, de Repente
Cuspiu no prato que raspou
Duvidou que um dia fosse mudar de idéia
Não preparou, se mandou, evaporou
Espatifou o prato na parede
E eu catando os cacos pra tentar colar depois
Mas depois não vou que não tem
Não vou que não tem, nem vai que não tô
Como quisesse pisar...
Só por maldade ignorou
Seria realmente assim
E se pudesse levava até a saudade
Mas deixou...
Impregnada em cada fração de mim
Da noite pro dia
Nem sabia que aquela seria
A última vez que a via
Da noite pro dia
Ela sorria e me garantia
Estar na maior alegria
Da noite pro dia
A ironia é serventia...
Por conta da casa vazia
Da noite pro dia
Você meu remédio tarja preta
Só com prescrição
Onipresente feito o ar
13 - Preciso Poder
Preciso poder contar com você
Ter outras eternidades ao seu lado
E me divertir com os caprichos da nossa vontade
Preciso poder explodir nosso big bang
Sempre que for necessário um novo começo
Ou até mesmo pelo prazer da novidade
Poder te olhar e já entender
Sem ser preciso desdizer
Nem dizer toda verdade
Poder errar e não me esconder
Não ter que ter nenhum poder
E poder não ter
Será querer demais?
Será pedir demais?
Será poder demais?
Preciso poder gritar com você
E preservar o respeito em potes transparentes
Etiquetados com o prazo de validade
Preciso poder me satisfazer
Por estar por perto, mesmo afastado
E confiar, na certeza da cumplicidade
Poder te olhar e já entender
Sem ser preciso desdizer
Nem dizer toda verdade
Poder errar e não me esconder
Não ter que ter nenhum poder
E poder não ter
Será querer demais?
Será pedir demais?
Será poder demais?
Preciso poder ser impreciso
Preciso poder
14 - Num Labirinto
Nunca soube exatamente como vencer
Fui deixando arrumada a mala
Sentia o cheiro forte de éter no ar
Todo um circo armado, querendo agradar
E a burrice no erro de deixar passar
Pois por passar por mim, o fim deixava de ser
Eu me joguei num labirinto
Deixei de lado o que eu sinto
Tão cego que ficava impossível
Ir além do raso
Eu me afoguei num mar de rosas
Me enganei em verso e prosa
Tão certo que já tava perto
Me afastei, perdido
Sempre soube exatamente como perder
E fui deixando desarrumada a sala
Na bagunça não podia mais me encontrar
Todo um circo armado querendo enrolar
E a burrice estampada por deixar pra lá
Mas por passar por mim, o fim deixava de ser
Eu me joguei num labirinto
Deixei de lado o que eu sinto
Tão cego que ficava impossível
Ir além do raso
Eu me afoguei num mar de rosas
Me enganei em verso e prosa
Tão certo que já tava perto
Me afastei, perdido
Eu me joguei num labirinto
Deixei de lado o que eu sinto
15 - Aponta de um Iceberg
Compromisso poderia ser
Alternativa do que é vivaz
Mas não é o caso, se foi descaso,
Quem mentiu?
Não fazer o suficiente
ou por fazer demais...
Afinal, qual é a medida, me diga
Quem mediu?
Vil essa dor, que ninguém vê
Anil era a cor que mudou
de acordo com o que você sentiu
Indicador,
a ponta de um iceberg liquefativo o fato:
Você existiu...
Em qualquer conjugação do verbo existir...
Na falta que você me faz
do tempo que não volta atrás
No tempo que não volta atrás
Da falta que você me faz
16 - Abismo (Under Doses)
Quando lava não seca
É que não vira pedra o que vem de seu vulcão
Rastro que fica, apaga
O que já estava espalhado pelo chão
Seu segundo é mais longo
Cabe nos traços da palma de minha mão
Suas frases de efeito
Que não revelam a verdadeira intenção
Você me jura que não vai prometer
E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser
Antes de ir embora
De sair pra rua
De tirar qualquer conclusão
Mesmo que demore
E ninguém nos salve
Heróis nascem em overdose na televisão
Nada perto da arrebentação
Nada perto de mim
Se afogando no próprio veneno
E não é que o mundo é mesmo pequeno
Passos em falso na beira do abismo que há entre nós
E a impressão que fica da solidão é tão menor...
Quando estamos sós
Você me jura que não vai prometer
E promete que não vai jurar o que sabe que não pode ser
Antes de ir embora
De sair pra rua
De tirar qualquer conclusão
Mesmo que demore
E ninguém nos salve
Heróis nascem em overdose na televisão
17 - Estrela de um Céu Nublado
Decidiu que precisava ser alguém no mundo
e não "mais um na multidão"
Resolveu investir fundo nas aulas de interpretação
Foi morar no Rio de Janeiro, tiro certeiro pra tentar a sorte em Projacland...
Alugou um conjugado no Catete
Arrumou uma vaga de barman num bar descolado pra cacete
atores, modeletes, formadores de opinião,
wannabes de plantão
Foi lá no balcão
que um assistente de direção da novela das 6 (6,6)
lhe prometeu uma figuração talvez...
aí ele se animou, se empolgou, nem dormia mais
- pobre rapaz -
logo descobriu que o sujeito não era quem dizia ser
mas na verdade um ator desempregado, frustrado,
que tinha um blog pouco freqüentado
e se sentia só e mal acompanhado
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Conheceu Dora enquanto trabalhava no bar
Servindo bebidas, ela soltando fumaça no ar
Perua desquitada que vivia da pensão do ex-marido
Empresário falido que sofria de síndrome de Dow Jones...
E não é que a madame realmente tinha bons contatos em Projacland...
Isso foi levado em consideração!
Encarar a "vovó" podia ser a solução
resolveu segurar o rojão
investiu naquela estranha relação
na tentação de ser famoso...
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Dora resolveu que iria ajudar o garotão
Mais um que queria ser artista de televisão... ok então...
numa tarde no salão, enquanto jogava sudoku
e depilava a virilha, ligou do celular da filha
pra um amigo diretor picudo e lhe solicitou:
"Receba o garoto. Quando é quem tem teste? Enfia ele no teste!"
O picudo respondeu:
"Agora não tem teste, mas uma festa com show do Jota Quest.
Leva seu bonitinho, Dora. Confio no seu faro.
Conheço o rapaz lá na hora,
e se eu for com a cara dele, enfio num teste,
eu enfio... enfio, é claro!"
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Na festa badalada, foi cantado pelo poderoso diretor
que lhe ofereceu trabalho e amor
lhe deu dicas de comportamento e recomendou:
"saia logo do armario!"
Ele respondeu que não estava em nenhum armário,
muito pelo contrário
Não tinha nada contra gays, só não era um
O coitado perdeu a vez
Depois de tal afirmação, foi excluído,
rejeitado, difamado...
Nasceu pra ser uma estrela
Era tudo que ele mais queria
mas o céu tava sempre nublado
Estrela que ninguém via
e quando o dia amanhecia
o seu tempo já tinha passado
Passou a beber até cair, sacou que não teria uma chance
Seu desejo distante de seu alcance
Na deprê, engordou mais de 20 quilos em um ano
Seu maior erro foi nunca perceber o engano...
Jogou a toalha na vida
entregou os pontos e aos prantos/chorando pelos cantos,
escreveu uma carta de despedida:
"Dora, querida. Quero meu corpo cremado, para que ele seja
espalhado por toda cidade cenográfica em Projacland."
18 - Pode Agradecer (Relationshit)
Sufoquei, não deixei você sair sem mim
Vigiei só pra garantir
Infernizei, controlei cada segundo ...
Liguei só pra verificar
Te cerquei, coloquei escuta, grampeei o telefone
Afastei amigos
Ameacei violência, apaguei o seu passado
Odiei não estar lá
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Quebrei presentes sabe-se lá de quem
Rasguei fotos sei muito bem de quem
Queimei cartas que não escrevi...não
Não deixei, proibi, não permiti
Roupas, gestos, sorrisos que não consenti
Evitei que seu brilho ofuscasse o meu
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Chantageei até chorei
Pena e medo sempre boas coleiras
Enrolei, explorei e até chifrei
Pequenas besteiras
Te marquei feito um gado, fui seu dono
E tranquei, castiguei, vampirizei
Fiquei puto por não conseguir controlar o seu pensamento
Mas amei você, amei você
Mas amei você, yeah yeah
Mas amei você, amei você
Mas amei você, pode agradecer
Mas amei você, amei você ...
Mas amei você, yeah yeah...
Mas amei você, amei você ...
Mas amei você, pode agradecer!
19 - Breve Conto do Velho Babão
Quis parar o tempo
Não sabia envelhecer
O velho babão
Tinta no cabelo
Farreava pra valer
Tinta no cartão
E quanta mentira usava pra fugir
Do que desejava?
Encontrar alguma explicação
Pra "crise existencial"
Que tratava seduzindo
As amiguinhas de sua filha adolecente
Sindrome do pânico,
Medo de morrer
Mijava no chão
Enquanto bebia e tentava não sofrer
Com a solidão
E quanta a verdade guardava pra fingir
Que não cobiçava
Outra chance, outra encarnação?
E a "crise existencial"
Escondida num sorriso
De verdadeiro nem os dentes da frente
Chorava o leite derramado
Tudo que havia conquistado
Bens patrimoniais, relações profissionais
Agora nem sabia muito bem pra quê...
E no discurso decorado
Tinha orgulho do passado
Um passado que esquecia, toda vez que enlouquecia
Se esfregando pelas raves, doido de "E"
Até que um dia agonizou
Ajoelhado, com a boca roxa, enfartando na balada
E a molecada achando o lance engraçado, comentando:
"Olha a dança do coroa, que piada!"
(pagou pra ver, não viu
durmiu garoto, acordou senil
pagou pra ver e viu
que o planejado nunca existiu)
Quis parar o tempo
E seu tempo acabou!
20 - Formidável Mundo Cão
O Cara se cansou de andar no mundo cão
na janta com a família veio a solução:
deu dois tiros no pai, depois três tiros na mãe
sobrou uma bala pra cabeça do irmão
No tribunal falou que tava bem doidão
O advogado defendeu com o coração
que ele era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
Em 4 anos tava fora da prisão
E foi curtir a vida em todo esplendor
escreveu um livro que ensina ser um vencedor
Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
Tirar das costas esse peso
No corre-corre de doidos e animais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
Tirar das costas esse peso
No empurra-empurra de freiras e marginais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Tão logo concluiu: "com grana, sem prisão,
ladrão que é malandro tem mil anos de perdão!"
Favoreceu pra cá, mandou propina pra lá
Então comprou uma rede de televisão
Agora ele adorava aquele mundo cão
podia saciar a sua ambição
já que era um bom rapaz, pregava o amor e a paz...
a paz de ter o amor na mira do canhão
E foi eleito deputado, abriu contas no exterior
virou dono da igreja "novos apóstolos do senhor"
Vamos destrancar as portas do hospício e as jaulas do zoológico
Tirar das costas esse peso
No corre-corre de doidos e animais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
Vamos destrancar as grades do convento e as celas do presídio
Tirar das costas esse peso
No empurra-empurra de freiras e marginais
Ninguém será capaz de apontar quem tava preso
21 - Tal do Amor (8 e 80)
Às vezes me sinto a peça faltando em você
Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter
Ás vezes me sinto um castigo, uma praga, sua maldição
Às vezes me sinto um abrigo, uma graça, sua salvação
Mas se me desmantelo ao acaso
Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
De todo bom jogador
Às vezes me sinto um ódio sobrando em você
Às vezes me sinto um país que você nunca vai conhecer
Às vezes me sinto arriado nos quatro pneus
Às vezes me sinto nomeado interino de Deus
Mas se me desmantelo ao acaso
Logo me refaço ao sabor do vento que sopra a favor
8 e 80 por ruas estreitas do pensamento
De todo bom jogador
E se a gente perder
Que seja derrota suada, sofrida, roubada...
De mão beijada nem a pau!
E se a gente ganhar
Que seja vitória disputada, merecida, conquistada...
Vou pro pau!
Apostar na parte bacana do tal do amor
Do tal do amor
Às vezes me sinto a peça faltando em você
Às vezes me sinto à beça, você nem merece ter

